domingo, 8 de janeiro de 2012

Desapego?



Não há paciência que aguente. Não é possível sustentar a situação, assim, com qualquer tranquilidade.
Basta andar pelas ruas e calçadas, entrar nos bares, olhar dentro dos carros e ouvir aquilo que vem dos rádios, dos palcos, luminosos...

Desapego. A palavra foi estampada onde podia estar, pregada como um dogma, uma seita, até que então se tornou uma moda. É popular se desapegar, ser livre, não sofrer por quem não merece e et cetera.
Mas e então, qual é o sentido?

Se a intenção é se desapegar para não correr o risco de sofrer, então já se torna risível: que gente covarde que a gente quer criar. Ou pior, que a gente quer ser. Tanta coisa lá fora pra gente ter medo, na iminência de uma bala perdida qualquer (e vá lá, aí não teria mais do que se desapegar, mesmo), e querem que todo mundo tenha medo de sentir? Medo de se apaixonar, de se entregar, de ser "bonzinho" - é, existe essa também - e ser prejudicado?

Pelo amor da sua crença! 

Jovens que ainda estão pra se apaixonar pela primeira vez, preferem não. Aqueles não tão jovens, que já levaram um tombo ou outro, então, não querem mais saber: "Agora vou me desapegar de tudo aquilo que me faz mal". E o pior caso: Gente vivida, que já limpou muita bunda de neném e sabe, sim, o que é namorar no portão, dizendo que cansou de sofrer e agora quer ser feliz.

A pergunta é simples: Ser feliz com quem?

Vamos amar, minha gente! Se todo mundo se defender, se esconder daquele olhar inevitável que faz surgir uma paixão, onde é que a gente vai parar? Fica fácil presumir...

Depois, não venha ninguém dizer que não quer ir pra Londres, porque ouviu falar que lá as pessoas são "muito frias". Faça o favor, e aqueça o outro agora, que ainda dá tempo. Antes que seja tarde demais.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Slave



Nada se perdeu.

Os olhos, o jeito de enviar um olhar, e de saber quando se recebe. O saber escolher as palavras e mais, o volume e o tom da voz, o momento certo a dizer e talvez, principalmente, a qual distância dizê-las.

Aquele jeito de segurar o copo de uísque, de se vestir, e de assim ganhar o mundo.

A conectividade, o tal magnetismo, e a velha segurança de abordar - com tranquilidade e a dose certa de ousadia - não se esvaecem assim, em um piscar de olhos. Os olhos não piscam.

O arrepiar ainda insiste em construir todos os momentos. Os sentidos, mais que os sentimentos, são os donos de todas as verdades e mentiras, a priorizar a que couber melhor ali, naquele minuto. Se o ponteiro passar, já era, pode dizer a verdade para não ter que sair da mesa.

Paixão. Hora de lembrar que a passionalidade faz com que grandes paixões se iniciem e nunca, nunca mais terminem. E que ao longo de todo o tempo têm-se a possibilidade de sustentá-las, talvez até revigorá-las - se assim o quiser - com ou sem uma promessa de futuro, entretanto, ainda no firmamento de um passado puro e lindo, apesar de.

Tudo continua aqui. Inclusive aquela loucura de ouvir Bryan Ferry e, só então, saber que a vida pode continuar assim.

To love.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Tambor



De repente, já é tarde, e você acorda. Acorda e o gosto amargo na boca é inevitável, a sensação do que era impossível ter se tornado apenas muito difícil, e a mistura do possível e não-realizado com a vontade de dizer algumas palavras ensaiadas [e talvez colocar tudo a perder]. 

É uma roleta russa.

No fundo mesmo, aquela transformação que permanece sendo escondida diariamente pelos disfarces da rotina, gosta é de diminuir as chances, de arriscar, apostar tudo de uma vez. Vale mais a pena sentir que a possibilidade é bem pequena, e que cada um daqueles segundos antes de acontecer, são mesmo vidas inteiras.
E quando se coloca todas as fichas em jogo e surge a derrota inevitável, deve-se saboreá-la de maneira surreal, ímpar. 

O que é justo, é justo: perder e ganhar têm o mesmo valor.

Por esta razão, jogo estrategicamente. Penso, penso, penso, e cada jogada vale o jogo inteiro. Porém, durante a ação, nem sempre se consegue conter a emoção e o forte desejo de fazer uma besteira. Calma.

E por fim se estou assim, aflito a esperar pelo próximo episódio, é porque significa muito. E mesmo já tendo assistido ao gran finale deste show magnífico, gosto deste querer que não sabe bem se tudo pode mudar. Gosto de imaginar se tudo podia mesmo ser diferente daquilo que já sei o quê.

Cinco balas e uma chance. Vale tudo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Fé compatível


A passos largos
Marcas e rastros
Faço descasos
Colo em teus cachos

Por nossas dores
Deixo-te flores
Supero amores
Mostro-te cores

Em esperança
Convido à dança
Pague a fiança
Cresça, criança

Quanto ao cuidado
Dá-me este lado
Pois teu pecado
Sigo a provar.