segunda-feira, 30 de março de 2009

Infinitivo

Atar
Beijar
Cheirar
Deitar
Excitar
Falar
Gemer.
Hipnotizar
Incendiar
Jorrar
Lamber.
Murmurar
Naufragar
Obedecer.
Penetrar
Querer.
Romancear
Sufocar
Tremer e
Ungir,
Você.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Mudo

Mudo de vida, mudo o script,
mudo o show.
Mudo o mundo, mudo o palco,
mudo o som.
Erro tudo, mas mudo de lado,
mudo de estado, mudo de amor.
E pra sarar dor,
no mundo mudado,
me faço calado,
mudo sou.

(escrito em 31/8/2008)

terça-feira, 24 de março de 2009

Não rasgue este poema.



Vem.
Vem pra cá, mas vem de uma vez.
Vem me fazer feliz, vem pra isso, ou pra aquilo,
vem pra tudo, mas vem!
Que eu não agüento mais assim, longe assim, ruim assim.
E já não vejo mais, em você, ou em mim, algo tão longe assim.
Vem você em mim.
Vem que eu não quero o abraço que antecede o vazio.
Não!
Não quero mais o gosto sem gosto dos corpos sem topo
ou os beijos com sede das caçadas fúteis.
Vem e tatua em meu corpo esse teu jeito doido de me fazer suar.
Faça-me ouvir de novo esse gemido louco e esse grito rouco
que marca-me o pescoço e enlouquece mais.
Mostra-me que quer meus filhos, casa-se comigo,
não, não tenha medo
que não temos tempo e há tanto de bom que podemos gozar.
Ah, se soubesses que o trilho que leva à paixão,
e o destino que estende a mão
estão ao lado do anseio e do medo de ser feliz.
Tiraria da boca essas palavras tolas, tiraria a roupa,
me pegava a força até me calar.
Ofegar. Matar.
Vem, sei não sou poeta nem se lhe vale a espera do texto acabar.
Mas sou amante do risco, dos diversos tipos de você me olhar.
E quero - bailarina nua - te levar pra rua,
tomar mais da chuva que a gente tomou.
Pra mostrar pra todo mundo que o amor é puro
e quem olhar meus olhos é que saberá.
Quero você em mim. Vem ?
Não lhe prometerei ouro, não trago tesouros pra te conquistar.
Mas trouxe sinceridade, na bagagem roupas, flores e coragem
pra seguir viagem pra Madagascar.
Essa sua impaciência e aquela compulsão dos mil e um cigarros
já tomaram conta desse coração.
Já tirei a idéia louca de você ser tola e pôr tudo a perder
para ser uma criança como não tivesse nenhuma esperança
de ser bem amada e se tornar mulher.
Sei, não sou bom cozinheiro, desculpa melhor não tenho
pra fazer-te me ensinar.
Pois me atrai seu cuidado, seu jeito direto e até estabanado
de cortar um alho, e de gargalhar.
Eu não sei bem se valho a pena, iguais a mim há centenas,
mas desejo te ser sincero.
E pra encurtar a prosa, de cada vez que lhe der uma rosa,
corta-me o falar e faz como você quiser.

(escrito em 16/1/2009)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Quando eu estiver cantando.

(Créditos da Imagem: Paulo Ricardo)

Tem gente que recebe Deus quando canta
Tem gente que canta procurando Deus
Eu sou assim com a minha voz desafinada
Peço a Deus que me perdoe no camarim

Eu sou assim
Canto pra me mostrar
De besta
Ah, de besta

Quando eu estiver cantando
Não se aproxime
Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio
Quando eu estiver cantando
Não cante comigo

Porque eu só canto só
E o meu canto é a minha solidão
É a minha salvação

Porque o meu canto redime o meu lado mau
Porque o meu canto é pra quem me ama
Me ama, me ama

Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio

Porque o meu canto é a minha solidão
É a minha salvação
Porque o meu canto é o que me mantém vivo
E o que me mantém vivo

sexta-feira, 13 de março de 2009

Nem por dor, nem por amor.

(Créditos da Imagem: Discovery Brasil)

Homem não chora. Nem por ter, nem por perder.
Todo homem sabe o que essa frase significa. Para a sociedade em que vive, para os lugares que frequenta, para seus pais, amigos, namorada (caso tenha uma) e, principalmente, para si próprio.
Chorar significa fraqueza. E um homem não pode ser fraco! (?)
Das tantas vezes que já me peguei chorando, com ou sem porquê, uma das mais significativas foi aquela em que resolvi olhar no espelho. É sério.
Você que se pega chorando, aos prantos que chega a soluçar, experimente olhar no espelho! Se for ao menos um pouco parecido com o que aconteceu comigo, você vai parar. Sim, pois não há coisa mais feia que um homem chorando.
Sua expressão, seus traços, aqueles olhos vermelhos ali cheios de lágrimas e a boca curvada como um arco-íris (em seu formato estético, não em sua beleza) é uma combinação de assustar qualquer um. E a cabeça que pensava naquela situação se esquece de tudo, na hora, e sente vergonha. Sim, vergonha! De ter sido fraco, mesquinho, sem punho.
Desde que o mundo é mundo e nossos primatas caçavam, iam à luta, enquanto suas "esposas" estavam em seus respectivos lares a cuidar dos filhos, é que está gravado na testosterona a frase inicial deste pensamento.
E desde que surgiu o "Manual do Cafajeste" é que os homens desaprenderam definitivamente a chorar. Não por não quererem ou não sentirem vontade, mas por serem obrigados. Porque não chorar é um parágrafo deste artigo do manual que diz que quem vai chorar é ela, a mulher (ou vítima, como preferir).
E é por essas, e talvez por muitas outras, que continuaremos a nos esconder. A chorar no quarto escuro ouvindo aquela música, dirigindo pelas ruas (ouvindo a mesma música!) ou talvez, se tivermos coragem, chorarmos até chegar em frente ao espelho.

terça-feira, 10 de março de 2009

E agora?

(Créditos da imagem: Portal Girassol)

Agora sim, o lenhador sai para a selva.
Não deveria, mas tem medo. Não poderia, mas já não possui a calma necessária para um dia comum. Seus dias comuns têm sido ímpares demais para tal atribuição.
Vem dia, vai dia, e os devaneios insistem em aparecer para mudar todo o curso previa e superficialmente calculado.
Mãos suando e golpes no estômago? Já não liga mais (embora ainda os sinta).
Há pesadelos para seu Machado cortar pela raiz. Há sonhos a serem moldados, uma realidade a ser preservada, e uma identidade a ser descoberta por debaixo de tudo aquilo que não serve. Usa então o pouco da fé que ainda sobra - fé esta em alguma coisa que não sabe direito o que é (mas crê que existe) - para pedir força.
Este espaço, visitante, é para contar sobre as divagações deste lenhador aqui figurado, que tem buscado dentro de si ajuda. Que tem procurado a saída para os labirintos que insiste em criar. E que tem conhecido demais o mundo para alguém que gosta tanto de sorrir.
Menos metáforas da próxima vez. Talvez.