terça-feira, 24 de março de 2009

Não rasgue este poema.



Vem.
Vem pra cá, mas vem de uma vez.
Vem me fazer feliz, vem pra isso, ou pra aquilo,
vem pra tudo, mas vem!
Que eu não agüento mais assim, longe assim, ruim assim.
E já não vejo mais, em você, ou em mim, algo tão longe assim.
Vem você em mim.
Vem que eu não quero o abraço que antecede o vazio.
Não!
Não quero mais o gosto sem gosto dos corpos sem topo
ou os beijos com sede das caçadas fúteis.
Vem e tatua em meu corpo esse teu jeito doido de me fazer suar.
Faça-me ouvir de novo esse gemido louco e esse grito rouco
que marca-me o pescoço e enlouquece mais.
Mostra-me que quer meus filhos, casa-se comigo,
não, não tenha medo
que não temos tempo e há tanto de bom que podemos gozar.
Ah, se soubesses que o trilho que leva à paixão,
e o destino que estende a mão
estão ao lado do anseio e do medo de ser feliz.
Tiraria da boca essas palavras tolas, tiraria a roupa,
me pegava a força até me calar.
Ofegar. Matar.
Vem, sei não sou poeta nem se lhe vale a espera do texto acabar.
Mas sou amante do risco, dos diversos tipos de você me olhar.
E quero - bailarina nua - te levar pra rua,
tomar mais da chuva que a gente tomou.
Pra mostrar pra todo mundo que o amor é puro
e quem olhar meus olhos é que saberá.
Quero você em mim. Vem ?
Não lhe prometerei ouro, não trago tesouros pra te conquistar.
Mas trouxe sinceridade, na bagagem roupas, flores e coragem
pra seguir viagem pra Madagascar.
Essa sua impaciência e aquela compulsão dos mil e um cigarros
já tomaram conta desse coração.
Já tirei a idéia louca de você ser tola e pôr tudo a perder
para ser uma criança como não tivesse nenhuma esperança
de ser bem amada e se tornar mulher.
Sei, não sou bom cozinheiro, desculpa melhor não tenho
pra fazer-te me ensinar.
Pois me atrai seu cuidado, seu jeito direto e até estabanado
de cortar um alho, e de gargalhar.
Eu não sei bem se valho a pena, iguais a mim há centenas,
mas desejo te ser sincero.
E pra encurtar a prosa, de cada vez que lhe der uma rosa,
corta-me o falar e faz como você quiser.

(escrito em 16/1/2009)

Um comentário:

Raiana Reis disse...

Nossa que intensidade nessas linhas... "nem se lhe vale a espera do texto acabar." Realmente, nesse chamado irrecusável as preces devem ter sido atendidas antes do amém! ;)

Parabéns não só pela alma pulsante quanto pelas transparências do ser.
Beijos