quinta-feira, 30 de abril de 2009

Samba do amor bonito

Dê uma trégua, meu amigo,
Dê uma trégua
E não me diga nada sobre amar em paz
O meu amor ainda declara guerra
Então me conta coisas boas a mais

Oh meu amigo, há tanto de bonito
Há meus planos, e os planos do meu bem
Há um fogo que arde de repente
E o perfume, assim seja sempre, amém!

Dois destinos diferentes
Em estradas quase iguais
O amor que o outro sente, ou mente
Faz inveja pros demais
Há de acreditar no sonho de viver
Bem ao lado de um amor
Há de ver que esta vida vale a pena
Há de amar sem medo ou dor

Oh meu amigo, há tanto de bonito
Há o fim do amor hostil
A tal dor que dói e não se sente
O amar, e um desvario.

(escrito em 11/12/2008)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Igual a você

Sinto calor.
Ódio.
Inveja.
Medo.
Dor.
Tristeza.
Ciúme.
Desprezo.
Agonia.
Vontade.
Perigo.
Antipatia.
Solidão.
Ansiedade.
Constrangimento.
Orgulho.
Remorso.
Culpa.
Nojo.

Sinto mesmo.

Sinto muito.

A forma etérea de uma jovem e bela mulher


"Você despertou em mim várias formas distintas de curiosidade e é culpada de uma adorável coqueteria que não cabe a mim condenar. Você não avalia como é perigoso para uma imaginação vívida e um coração incompreendido vislumbrar a forma etérea de uma jovem e bela mulher."

De Balzac, para Eveline Hanska

sábado, 25 de abril de 2009

O lado de fora.

As pessoas não têm educação.
Não querem ouvir,
Não querem falar,
Não querem.
Nem tampouco têm respeito
Não estão nem aí
Para você, para mim
Não estão.
Elas não gostam de você.
Não se importam comigo.
Têm mais o que pensar

E eu?

Bem, eu
Já quis que fosse diferente
E embora hoje não mais importe
Ainda não acostumei
A viver neste desapego.

Mas quem disse que devo?
...

As pessoas não aceitam a verdade.
Têm medo
Têm vergonha
E fogem.
As pessoas criam as próprias verdades.
E conseguem conviver tão bem com isso.

E eu?
Bem, eu
...

As pessoas não perdem tempo
Não, não perdem dinheiro
Pra não perderem o emprego
Elas perdem pessoas.
E ainda dizem ter medo
De perderem a si próprias

Mas e eu?

Bem, eu
Terei de me desapegar?
Terei de as ignorar?
Terei de...Espere!
Aquele é o meu vôo!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Naturalmente.

(Créditos da Imagem: Meu celular)

Por trás da barba por fazer
E do sorriso clichê
Também do olhar blasé
Me apresento.

Trago pouco a dizer
Tenho pouco a temer
Talvez algo a esconder
Me atormento.

Um olhar me distrai
Meu orgulho me trai
E no grito que não sai
Me escondo.

Porque gosto do intenso
Porque preciso do apreço
E os medos bem mereço
Me meço.

E armado até os dentes
Sei, e não sei, que sentes
Suponho até que mentes
Me enlouqueço.

Mas na loucura toda
Nos caminhos das bocas
E no perfume das roupas
Me hospedo.

Se a dor for o que me resta
Por favor não faça festa
Me mande embora depressa
Me perco.

Pois te imaginar só
Me traz no peito um nó
Caia na mesa o pó!
Me despeço.

(escrito em 17/4/2009)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A árvore.


(Créditos da Imagem: Meu celular)

É hora de ir embora.

Não, não que seja melhor ir. Melhor mesmo é ficar, mas eu tenho que ir.
Pede pra eu ficar? Nem que este não seja o seu desejo, mas pede, porque me faz ir embora melhor.
O caminho para a cama parece longo. Mais que o de costume. E eu presto atenção nas pessoas que passam, e fantasio o universo que elas devem viver para estarem a essa hora da noite andando pela rua. Eu cruzo o sinal vermelho, pareço louco, mas só pareço. Estava tudo tão encaixado, tão ali, que... Enfim. Difícil parar de pensar nisso.
Escrevo, escrevo, e escrevo. E tudo vai ficando mais calmo, até a hora de ir deitar.

Amanhã é o dia de ir embora.

Deito, e não me acho. Não te acho. Durmo. Acordo. Acordo antes do despertador. Muito antes. Depois acordo de novo, horas antes. Até acordar mais uma vez, minutos antes. Tudo bem, você me venceu, rádio relógio.
Ouço-o começar a tocar quebrando aquele silêncio todo. Não coloco o bip pois isso me faria destruí-lo a marretadas, portanto que sintonize uma estação. Música sertaneja das antigas, e minha não-vontade de perder essa brisa toda.
Levanto e entro rapidamente em minhas roupas como obrigação. Não há laranjas para espremer, e isso já é motivo para que o copo d’água desça rasgando o que sobrou da minha garganta. E sim, eu continuo a desviar das justificativas de por que partir.
Malas no carro, partida, primeira, adeus.
Eu sou o passageiro, e quem me conhece, sabe. Mas eu não queria dirigir agora. Queria continuar aquela conversa, com alguém que se preocupou comigo.

Queria ficar.

Mas depois de tudo, cheguei.
E a primeira coisa a fazer quando chegar é olhar para os céus, procurando por algo que possa completar esta lacuna. Entro no prédio, subo as escadas, e a vejo.

Nossa, está mais linda do que nunca!

Paralisei, e ali fiquei por alguns minutos.
Eu sempre, sempre me apaixono por ela.
Obrigado, por me ajudar a entender que ficar é necessário.

Insensatez (Semeando o amor)

“Vai, meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade..."


Semear vento.

Onde estão os homens com seus chapéus e ternos e sapatos engraxados que, tão formal e honestamente, seguiam pelas ruas de casas enormes com suas portas de madeira boa, de balaústres e belos alpendres entre portões em grades, a buscar suas admiráveis namoradas que esperavam doces e perfumadas, por debaixo de vestidos longos e chapéus delicados em tons de branco e amarelo?

Não importa em que época você esteja. O amor é sempre o amor.
Sofrido, injusto, ciumento, doloroso e agressivo amor.
Bonito, ingênuo porém quente, companheiro e fiel amor.

Há quem semeie vento. Há quem saiba da tempestade que está por vir, e insista em jogar sementes erradas no terreno certo. Ou sementes certas no terreno errado. E não falarei das outras duas situações restantes porque a idéia já está clara.

Entretanto, há quem semeie ternura. Semear ternura significa acompanhar cuidadosamente o amor que nasce. O amor surge e vai crescendo, desabrochando e amadurecendo lentamente. Há vezes que se demora muito tempo para se perceber o quanto é sólido e preciso (O quanto é bom.). Há vezes que se percebe rapidamente, dando ainda mais cuidado e carinho ao amor que está nascendo.
E há outra situação que é quando se confunde. Pois quando se planta ternura, os primeiros sinais de crescimento são avassaladores. É o começo, quando se explode e se vê que está nascendo um sentimento lindo que tem tudo para ficar. Agora o cuidado: não se pode pensar que o amor é só isso. Vai além, muito além. Quem aqui pode dizer o quanto?

Quando tiveres algo de bom para semear, semeie com dedicação. Crescem com o amor os espinhos, as folhas imperfeitas, os galhos retorcidos. Corte-os! Esses são a insegurança, os problemas externos e os truques do destino.
Porém, não importa onde tenha plantado e nem mesmo de que forma o tenha feito. Se desejares que exista amor, semeie protegendo dos animais que passam pisoteando tudo, das pragas e dos incêndios. Proteja seu amor das mentiras, sendo leal. Das competições, sendo companheiro e das crueldades, sendo justo.

Vento.
Semeando vento colherás, sim, uma brava tempestade.
E concorde comigo que é melhor cuidar agora do que você tem e que pode crescer ainda mais, do que tentar salvar depois. Depois, é impossível.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Livro do autoconhecimento humano

Sei que já está nos links à direita da página, mas este texto ficou tão preciso, que faço questão de publicá-lo aqui.
Significa muito para mim, bem como (acredito que) para qualquer pessoa.

sofremos até a página sete
amamos o próximo até a página três
temos certeza absoluta até a página dois
gostamos de peixe cru até a página nove
achamos a julia roberts bonita até a página cinco
conversamos como adultos até a página seis
pensamos na camada de ozônio até a página oito
acreditamos no ser humano até a página um
aceitamos o mundo como ele é até a página quatro
mas julgamos

julgamos sempre

pela capa.


Com os devidos créditos a Marcelo Ferrari, escritor convidado no blog Blônicas.

domingo, 19 de abril de 2009

Contra o tempo.

(Créditos da Imagem: Ela2)


Tenho rezado demais. Mas talvez, por não saber direito para quem estou rezando, não tem funcionado.
Tenho encontrado com meus piores inimigos e lutado arduamente. Tenho vencido, perdido, vencido...porém com muitas cicatrizes oriundas desta batalha.
Eu procuro. E quem procura, acha. Logo, eu encontro. E isso não me faz nem um pouco bem.
Crio em meus pensamentos maneiras mais cruéis de produzir essa dor, ensaio algumas vezes e abro a jaula: está solta a fera que vai me trucidar.
Meias-verdades e meias-mentiras não me apetecem, caberá a mim justificá-las em pensamento para inibir a dor? Ou caberá ao outro lado da moeda?
São tantas as situações, que não me vejo bem em nenhuma delas. Então me forço a aceitar uma só e seguir até o fim. E é sempre assim: a parte boa, é boa. Porém a parte ruim, é muito ruim.
E pra variar o caldo, tenho pouco tempo pra pensar no que fazer. E o fato que mais assusta é que - embora ja tenham dito isso - amanhã, é primeiro dia do resto da minha vida.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Em grande estilo

Desligo o carro, travo tudo, subo as escadas e apago as luzes de fora.
É hora do show.
Abro a porta e encontro o silêncio. Luzes apagadas, bom aroma e música em volume baixo (vem do quarto, no fundo).

Mas estou sozinho! Estaria eu sonhando?

Engravatado entro lentamente. Não me sinto mais só, e digo mais, sei que não estou só, e isso não é (ou pelo menos não parece) bom.
Agora afrouxei o nó da gravata vinho. Abro a geladeira e tenho poucas opções – não sou do tipo que vive às mil maravilhas – e então surge um perfume no ar. Um perfume, que faz tudo mudar.

- Feche isto, tem algo melhor aqui.
- Quem é você?

Desapareceu. Sabia que devia ter acendido as luzes, oh céus! Sinto um pouco de medo, talvez, mas uma excitação natural. Gosto do inusitado, do não preparado, do que é novo e é sempre bom. Mas onde teria conseguido minhas chaves? Como se pôs para dentro do apartamento? Melhor deixar pra lá.

Ando apreensivo pelo corredor. Foi só uma dose de uísque no snooker bar, estou bem, não estou vendo ou ouvindo coisas. E o perfume, de novo. Era a sensação de prazer e curiosidade, de excitação e descobrimento e de tanta coisa a mais ali naquele cheiro. Um perfume que eu nunca havia sentido, e todo homem sabe como isso é bom. Ou deveria saber.

A porta está toda aberta, e meu quarto é em “L”. No hall de entrada do quarto a música parece ficar mais alta. “The three O’clock blues”, conheço bem, e sei que tem bom gosto. Vou entrando e tirando a gravata, quando de novo:

- Deixa essa gravata, menino.

Menino? Não sou mais um menino há muito tempo. Não tenho mais cabeça, corpo e nem rosto de um menino há certo tempo, que nem me lembro mais.

- Quem está aí?
- Fique onde está! – ouvi em seguida.

Não sabia por que, mas sabia que deveria ficar. Então fiquei. E foi assim que uma silhueta feminina se aproximou de mim.

A única luz era a de fora, da noite clara de lua que cuidava da cidade grande. E esta luz iluminava o meu quarto trazendo aquela sombra de um vestido longo – dos meus preferidos, sempre – que delicadamente cabia no corpo da misteriosa mulher. Ou seria uma menina, ou uma senhora? Não, não era velha. Eram cabelos longos e logo se via que o vestido a moldava, de forma a definir suas curvas e realçar sensualidade. Mas por que teria me chamado de menino?

E se aproximou. E aquele perfume aos poucos desorientava meu senso do que era certo. O blues no volume exato e cabelos frente aos meus olhos. Ela dançou. E dançava sensualmente, me fazendo um objeto coadjuvante de seus movimentos suaves e precisos. Nos compassos aveludados do blues ela me envolvia. Ao me dar conta, já estava sem gravata, e com os botões da camisa sendo abertos com os dentes da magnífica e sedutora, da misteriosa amante. Ela sabia o que fazia, e isso me inspirava. Sim, desejo, eu já a queria. Mesmo sem ter olhado em teus olhos! (como nós homens somos obedientes ao libidinoso!)

Seguiu adiante, como deveria ou não ter feito, e encostou sua lombar em meu abdome. E desceu lentamente, me causando tremor nas pernas, e arrepio em cada um dos poros. Virou-se para mim e pela primeira vez vi o reflexo de seus olhos pela luz. Castanhos, bonitos e traçados olhos. Olhos, cabelos, e perfume de mulher: que coquetel perigoso.
Segurou-me o pescoço com certa força, e mesmo sem perder a sensualidade, disse com firmeza por cima do blues:

- Vai pagar o que deve ao Moraes?
- Hein? – retruquei com ar estranho.

A voz dela era firme. Era firme e era sensual, que coisa louca! Era uma voz feminina, de mulher perigosa – como defini em pensamento – que tinha algo a dizer.

- Vai ou não vai pagar o Moraes?
- E..e-eu...eu não..n-não sei do que você fala!

Me laçou o pescoço com o braço, dentro de toda aquela delicadeza e sensualidade, e me atirou sobre a cama com o mesmo ar perigoso. E num movimento rápido sem me deixar opção agachou-se e voltou-se para minha direção com uma arma!

Uma arma!

Antes mesmo de a excitação acabar, ameacei levantar. Foi quando a amante, sem rodeios, atirou! Uma, duas, três vezes em meu peito.
O impacto dos tiros me atirou de volta contra a cama.

O blues continuou. Estranhamente a vi abaixando a arma, e sentando sobre mim.

E ela foi embora. E eu, também.

Desencontro.

O acaso é uma coisa gostosa.
Encontros por acaso, olhares, sorrisos, beijos e paixões por acaso são sempre instigantes. O acaso dá a impressão de que "era pra ser" e vai envolvendo a gente.
O legal de se conhecer alguém assim - inesperadamente - é que a gente nunca sabe como está a cabeça do outro. Muito menos o coração.
Então acontece aquele "teatro do encaixe", onde vamos dizendo o que o outro quer ouvir para ouvirmos o que queremos (e impressionantemente ouvimos mesmo!).
E o que pensar quando, depois de uma noite de música boa e de alguns finais de semana juntos, descobre-se um desencontro de emoções?

Vocês, eu não sei. Eu pensei assim:

E assim era...
Havia tanto que se tinha
Mas tão pouco que se queria
Tampouco precisasse tanto,
do tanto que ainda havia.
A via com tantos olhos
Olhos que tão pouco viam
E o que tinha era tanto, tanto
que seu coração não queria.

(escrito em 31/8/2008)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Fanatismo.

(Créditos da Imagem: Triplov)

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio do Fim!..."

Eu ja te falei de tudo,
Mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto.

*Acima, uma das que me fazem dedilhar com mais intensidade o violão nas noites difíceis. Porque cada frase isolada desta poesia ja me fez emocionar por alguma coisa. Fosse por medo, por dor, por saudade, por ciúme e por amor.
Para quem não conhece a versão tocada, recomendo
aqui e/ou aqui.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Sobre algumas dificuldades.

(Créditos da Imagem: Laboratório Mayra)

Nunca gostei de me dar como exemplo. Desde criança, me lembro de torcer o nariz quando ouvia coisas do gênero: “Nossa, lá em casa também...”, ou qualquer outra frase que fosse do mesmo segmento. Não gosto de exemplos próprios, desta feita deixei de usar dessa prática para tentar também ouvir menos da mesma. Não adiantou, mas vá lá, ainda sigo.

E depois de algum tempo – quando resolvi buscar algumas explicações – percebi porque eu não gosto disso. A verdade é que não sou exemplo a ser seguido. Não sou, e ninguém é! E cada um tem, dentro de si, a justificativa do por que não poder ser usado como exemplo. Você tem, seu amigo que conta vantagem tem, todo mundo tem. Todo mundo sabe, ninguém é ignorante. Ta bom, tem gente que é. Salvos.

Levei muito tempo para entender que não é possível voltar no tempo. E essa dificuldade me trouxe, além de certos constrangimentos, outras dificuldades ainda maiores como a de entender a ordem natural das coisas. Até criancinhas sabem que não se pode voltar no tempo, que o que passou é irreversível (odeio essa palavra, e só eu sei por que), e eu não sabia. Este tipo de pessoa pode ser usado como exemplo?

Outra: as pessoas são diferentes. Caracas, não riam! Ou riam, tanto faz. O que sei é que entender que as pessoas eram diferentes de mim e, mais ainda, diferentes entre si, me fez perder várias noites de sono. É sério. Podem me chamar de louco, comentar achando um absurdo, ou até (espero que em último caso) apertar Ctrl + W, mas passei muito tempo pensando sobre isso.

Como posso eu, dono de tão poucas coisas e construtor de outras tão importantes quanto; líder da própria vida, porém inconformado com o fato de se depender das outras pessoas; homem que, na busca da própria independência, deixou pra trás a importância que tinha na vida de determinadas pessoas; como posso dizer “façam como eu fiz”?

Não, não é assim que vai funcionar.

Já pensei muitas vezes em tentar entender o que se passa pela cabeça de outras pessoas. Pensei também em, um dia, ler a bibliografia de um curso de psicologia para me guiar melhor por essas vielas. Ainda não desisti definitivamente de tudo isso, mas a cada dia perco um pedaço destas vontades. Questionar aos céus “Por que eu não sou assim?” não vai me fazer ser como aqueles que não consigo entender, e não vai me fazer melhor ou pior, ou diferente ou igual. Só irei contribuir para o meu processo de enlouquecimento consciente.

Na mesma freqüência que vivo,
penso que ninguém há.
Na velocidade dos meus pensamentos, então,
até parei de tentar.
Tem gente que está bem perto,
e essas sabem quem são.
Tem gente longe que assim deve ser,
e até espero um dia encontrar.
Não tenho mais muito tempo,
e embora ainda tenha medo,
na busca do meu sossego,
tento ir sem fraquejar.



segunda-feira, 13 de abril de 2009

Charmosa.

Desfila, bela morena
Desarma-me com teus olhos
Que eu sei, de ti, os desejos
De abrir-me todos os poros

Passa e deixa o perfume
Que me confunde os sentidos
Que desperta, do fundo, tudo
Que estiver no jamais visto

E a melodia que toca
Com seu passear, desatino
É a música que explora
O homem cá, deste menino

Tens esse riso atônito
Me instigando paraísos
De suor e aperto, sem fôlego
De sussurrar em sorrisos

E pra resolver matar
Levanta-te, vá embora
Sei, morena, que sem demora
Nunca mais irá voltar.

(escrito em 3/4/2009)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O salto

- Relaxa, meu brother, no ar ninguém me pega.
- Vai devagar brow, você sabe que eu tenho medo quando está à noite.
E ele foi.

Depois daquela noite limpa, cheia de estrelas (e quando eu digo cheia, é cheia mesmo, porque o céu parecia uma sopa negra de estrelinhas brilhantes) e tomada por aquela brisa típica da cidade, meus dias nunca mais foram os mesmos. Nem os de Daniel.

Um jovem cheio daquele brilho no olhar. Aquele que está em todos os jovens, sabe como é? Que a gente vai perdendo ao longo dos anos? Então. Daniel era assim, jovem, bonito (também como todo jovem é) e alegre. Ta bem, não era lá tão alegre assim. Por isso resolveu que estava precisando de novas emoções pra sua vida.

Eu estava lá. Na primeira vez que ele olhou para os vídeos, para as pessoas experientes no assunto, e para todos os diferentes jeitos de se fazer. Olhou para mim e disse: Cara, eu vou saltar também!

E foi mesmo. Aliás, ele era muito assim, quando era pra ir, ele ia!

Daniel, Júlio, e eu. Medroso que sou, fiquei naquela: “pode deixar que eu filmo tudo”. E foram os dois. E foi lindo. E inesquecível!
Depois de todo o ritual, e curso, e simulação, e o diabo, chegou a hora de saltar. Foram lá meus dois irmãos para o avião, e desceram como dois pássaros livres para voar. Mentira, claro. Caíram como duas abóboras e gritaram mais que o passarinho que eu imaginei. Mas mesmo assim foi fantástico.

Júlio, no pós-abóborismo (nome que eu o atormentei por anos, inclusive) chegou já exaltado:
- Eu nunca mais faço isso na minha vida!
- Não gostou, Ju? – entreguei-me à emoção que ele sentia.
- Meu, o que é isso? Se o chão é para as cobras, e o céu é para os pássaros, a gente é que não é daqui!

Gargalhadas gerais, e vamos embora pra casa. Daniel não abriu a boca, não disse uma palavra sequer após o salto. Parecia imóvel, ouso dizer, pois olhava fixamente pro caminho que eu – dirigindo – tomava, e nem movia o pescoço para prestar atenção no que nós dois conversávamos. Ele se apaixonou. E foi como dessas paixões avassaladoras que pegam um homem de jeito, derrubam, passam o rolo-compressor e depois mastigam e engolem. Não, eu não exagerei, paixão é assim. E meu irmão estava assim.

O desprezo de Júlio para com os saltos serviu inclusive de combustível para Daniel. Então começou a fazer mais cursos, comprar equipamentos, e se especializar. Foram anos, posso dizer, de muita dedicação e muita paixão. E olha que este tipo de combinação é difícil de acontecer em um relacionamento, mas o dele com o pára-quedas era assim: Puro, sincero, de respeito. Cumplicidade e companheirismo eram características fortíssimas entre os dois. Ouso citar: Amor.

Agora então era um profissional. Saltou em tantos lugares no país, e também fora do país: Europa, Ásia (ah, como gostou da Ásia), e até Oceania. Podia também saltar no deserto, saltar em pé, deitado, filmar, ensinar, e mais outras tantas habilitações que eu até perdia a conta. Dentre essas, a decisiva e perigosa, habilitação para saltar a noite.

Fomos então para o avião. Ele queria muito a minha companhia, e estava tão triste – não só por ser uma pessoa triste, que pensava demais, mas também – porque naquela semana havia perdido seu amor. Perdido seu amor para a vida, para o mundo, para qualquer outro amor. Vamos para o avião.

Tudo certo com os equipamentos, com o vôo, e com o local. Porém Daniel viu como eu estava preocupado, como não gostava de sair de avião à noite (também não usava frequentemente dessa prática) e o principal: como eu tinha medo. Enquanto prendia algumas travas, me disse:

- Relaxa, meu brother, no ar ninguém me pega.
- Vai devagar brow, você sabe que eu tenho medo quando está à noite. – completei.
E ele foi.

Da noite cheia de estrelas só sobrou a angústia e o desespero de ver o equipamento falhar e, com impotência e dor, deixar meu irmão voar. Um vôo feio, direto ao chão, sem volta.

Já não se sabe se foi o amor que o fez ir embora das nossas vidas. Se foi a falha dos equipamentos, se foi na hora da montagem ou do salto. Não se sabe, e nunca ninguém saberá. O que se sabe é que o amor antigo está por aí, e que o meu irmão, embora já tenha ido, ficou por aqui.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Icebergs.

(Créditos da imagem: GROW )


Bom é pensar que as pessoas que estão ao nosso redor são como Icebergs. É bom criar metáforas, ja dizia o amor de fio de telégrafo do Quintana.
Nosso navio então é nosso ego, e é assim que encontramos com Icebergs o tempo todo. Ja experimentaram andar pelo oceano que é o conjunto de ruas de uma metrópole?
A parte menor do Iceberg está acima, exposta. Pode-se esbarrar nela, pode-se achá-la feia e sem graça. Grande, ou pequena, ou gorda ou magra demais. Pode-se julgá-la dura demais, rígida, impossível de ser destruída. Ou na melhor hipótese - humanos que somos - podemos tentar explorá-la, por julgá-la mole, vulnerável, maleável.
E então o óbvio: a parte de baixo é sempre a maior. A que faz com que o Iceberg esteja onde está, flutue e mantenha-se estável, é a parte que está escondida.
Passamos por muitos icebergs em nossos cruzeiros. Navegamos com nossos transatlânticos em oceanos as vezes tão imensos e desconhecidos e, quando encontramos um Iceberg, logo damos um jeito de desviar do mesmo, de evitá-lo, para não esbarrarmos e prejudicarmos o percurso planejado.
Não se pode ver a parte que está escondida, mesmo que essa seja a que realmente importa. A menos que se pare, desça, procure saber.
Entretanto os Icebergs continuarão lá, intactos, frios e parados onde estão. Derreter-se-ão caso respiremos ao seu redor, ou caso o toquemos. Pular no fundo deste mar para conhecer a parte de baixo do Iceberg é muito gelado, é cortante e deixa sem ar o pobre coração mergulhador.
E a parte boa é que sempre voltaremos vivos deste mergulho, e ainda melhores, dizendo então se valeu ou não a pena a aventura.
É bom permitir-se navegar em paz, apreciar cada Iceberg que estiver ao redor, e seguir viagem. Para onde quer que esteja indo este coração navegante, que vá ciente.
Ao mar!

(escrito em 12/1/2009)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Mais 30

Alguém já deve ter dito que todo amor é difícil. Sim, já devemos ter lido em inúmeras obras inclusive daqueles consagrados a quem mais confiamos nossos anseios.
Eles estando errados, ou não, tudo ficou muito mais difícil quando eu descobri que era amor. Foi nesse dia que eu comecei a lutar tanto, e continuo.
No meio dessa luta toda, muita dor, muitas lágrimas, e também muita inspiração.
Abaixo um dos meus preferidos, escrito bem no dia da imensa dor de perdê-la para o mundo. Em um deles.

Mais 30

Dê-me mais 30 amor,
Dê-me tudo.
Me dê amor, torpor do êxtase,
Silêncio dos passos.
Corredor escuro.
Não bata a porta! Me dê amor.
Não era sono, era charme.
Era o truque por trás da orelha,
A flor que não morre, o amor que floresce,
O sorriso blasé e o sorriso atrasado,
O aperto no peito e o corpo marcado.
É a luz deste rádio,
É o falhar do carro.
Dê-me o seu terreno, seu telefone,
Sê tensa no fim da noite, toma meu café, lembra meu nome
Me contra no lugar marcado, morra de medo, fale baixinho
Você é estranho.
Vai, não atende. Mas volta,
E pinta essa aliança, casa-me.
Durma no meu peito, abraça-me.
Por mais 30, e mais 30.

(escrito em 25/11/2008)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

What do you want from me?

(Créditos da Imagem: Pink Floyd)

As you look around this room tonight
Settle in your seat and dim the lights
Do you want my blood, do you want my tears
What do you want
What do you want from me
Should I sing until I can't sing any more
Play these strings until my fingers are raw
You're so hard to please
What do you want from me

Do you think I know something you don't know
What do you want from me
If I don't promise you the answers would you go
What do you want from me
Should I stand out in the rain
Do you want me to make a daisy chain for you
I'm not the one you need
What do you want from me

You can have anything you want
You can drift, you can dream, even walk on water
Anything you want

You can own everything you see
Sell your soul for complete control
Is that really what you need

You can lose yourself this night
See inside there is nothing to hide
Turn and face the light

What do you want from me



quarta-feira, 1 de abril de 2009

A bomba

(Créditos da Imagem: Diogo Moura)


A pé por algumas ruas escuras no caminho para casa. Impressionante como tudo continua exatamente em seu lugar...

Depois de muito tempo, coisas começam a fazer sentido.
São explicações que surgem na cabeça como se as visse em um outdoor cruzando a avenida: “você não agüentou porque não estava preparado”; “enquanto você tinha medo, tudo era superior a você”; “amar não é bem assim”. Ótimas frases de campanhas publicitárias, não seriam? Talvez.
Lentamente passa o dia. As horas, então, insistem em se arrastar pela mesa e pela barba por fazer, puxando com força a gravata e pregando as pernas no acento da cadeira: crucifica-o!
Já os anos, ah! Esses se transformam em fumaça. Quando eu era bem mais novo, queria ter a idade que tenho hoje. Achava o máximo imaginar aquele papo informal, até ela fazer a pergunta do milhão: Quantos anos você tem? E então diria: X! (é, deixa a matemática me ajudar neste momento). Foi então que o tempo, pai da vida, veio e disse: Quais são as suas intenções com a minha filha?
É isso mesmo, foi assim que eu aprendi. Tinha que ser assim. Um bigodudo já tentou me ensinar algo sobre convicções, mas como passar por cima daquilo que eu cresci vendo? Lembro-me quando, todos em volta da mesa (fosse ela do café, do almoço ou jantar) conversavam e alguém conduzia o assunto até o tempo de namoro dos meus pais. Fantástico! Meus olhos fitavam aquelas expressões que descreviam cada capítulo da fábula e eu degustava cada uma das palavras com um paladar de admiração intensa.
E agora, que tudo aconteceu diferente? Droga! Alteraram a ordem natural das coisas? Solto um riso incontido, finjo que é piada, desvio o olhar.
Depois de muito tempo, coisas começarão a fazer sentido. Eu sei que sim.
Há um intenso desequilíbrio entre meus sentimentos e pensamentos.
Ingmar Bergman se mostrou avassalador. E só fez potencializar tudo o que já estava aqui, tudo o que passa feroz e rapidamente pela consciência e também por trás dela, e me faz esperar o tempo dizer quem é mais forte: eu, ou meus pesadelos.
(...)
Estourou uma (ou seria outra?) bomba neste momento. E a inspiração foi para o espaço, restando um vazio. Melhor parar por aqui, porque caminhar agora ficou tão perigoso quanto pensar.
(...)
Arquivo > Rasgar.
(...)
Táxi!

Nota-me.

Dó.
É necessário sair,
sair um pouco daqui
sair de dentro de Si.
Ir para o lado de fora
E por que não ir agora?
Para Lá.
Pois então Faça.
Faça o que eu faço, e não fale.
Ou se falar, fale baixo.
Cale-se, cale-se, cale-se.
Mitos de milo, em mimos
milhas e milhas
a pé.
Milhas e Milhas
em Ré.
Natural até, em Dó.
Não, meu bem, não tenha Dó.
Que nos versos que não têm Sol
há um acidente, um bemol,
seus traços deixados Lá
Nos traços de um lençol.
O amor começa em Si.
O amor, meu amor, começa
em Mi.

(escrito em 21/10/2008)