quarta-feira, 1 de abril de 2009

A bomba

(Créditos da Imagem: Diogo Moura)


A pé por algumas ruas escuras no caminho para casa. Impressionante como tudo continua exatamente em seu lugar...

Depois de muito tempo, coisas começam a fazer sentido.
São explicações que surgem na cabeça como se as visse em um outdoor cruzando a avenida: “você não agüentou porque não estava preparado”; “enquanto você tinha medo, tudo era superior a você”; “amar não é bem assim”. Ótimas frases de campanhas publicitárias, não seriam? Talvez.
Lentamente passa o dia. As horas, então, insistem em se arrastar pela mesa e pela barba por fazer, puxando com força a gravata e pregando as pernas no acento da cadeira: crucifica-o!
Já os anos, ah! Esses se transformam em fumaça. Quando eu era bem mais novo, queria ter a idade que tenho hoje. Achava o máximo imaginar aquele papo informal, até ela fazer a pergunta do milhão: Quantos anos você tem? E então diria: X! (é, deixa a matemática me ajudar neste momento). Foi então que o tempo, pai da vida, veio e disse: Quais são as suas intenções com a minha filha?
É isso mesmo, foi assim que eu aprendi. Tinha que ser assim. Um bigodudo já tentou me ensinar algo sobre convicções, mas como passar por cima daquilo que eu cresci vendo? Lembro-me quando, todos em volta da mesa (fosse ela do café, do almoço ou jantar) conversavam e alguém conduzia o assunto até o tempo de namoro dos meus pais. Fantástico! Meus olhos fitavam aquelas expressões que descreviam cada capítulo da fábula e eu degustava cada uma das palavras com um paladar de admiração intensa.
E agora, que tudo aconteceu diferente? Droga! Alteraram a ordem natural das coisas? Solto um riso incontido, finjo que é piada, desvio o olhar.
Depois de muito tempo, coisas começarão a fazer sentido. Eu sei que sim.
Há um intenso desequilíbrio entre meus sentimentos e pensamentos.
Ingmar Bergman se mostrou avassalador. E só fez potencializar tudo o que já estava aqui, tudo o que passa feroz e rapidamente pela consciência e também por trás dela, e me faz esperar o tempo dizer quem é mais forte: eu, ou meus pesadelos.
(...)
Estourou uma (ou seria outra?) bomba neste momento. E a inspiração foi para o espaço, restando um vazio. Melhor parar por aqui, porque caminhar agora ficou tão perigoso quanto pensar.
(...)
Arquivo > Rasgar.
(...)
Táxi!

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