terça-feira, 7 de abril de 2009

Icebergs.

(Créditos da imagem: GROW )


Bom é pensar que as pessoas que estão ao nosso redor são como Icebergs. É bom criar metáforas, ja dizia o amor de fio de telégrafo do Quintana.
Nosso navio então é nosso ego, e é assim que encontramos com Icebergs o tempo todo. Ja experimentaram andar pelo oceano que é o conjunto de ruas de uma metrópole?
A parte menor do Iceberg está acima, exposta. Pode-se esbarrar nela, pode-se achá-la feia e sem graça. Grande, ou pequena, ou gorda ou magra demais. Pode-se julgá-la dura demais, rígida, impossível de ser destruída. Ou na melhor hipótese - humanos que somos - podemos tentar explorá-la, por julgá-la mole, vulnerável, maleável.
E então o óbvio: a parte de baixo é sempre a maior. A que faz com que o Iceberg esteja onde está, flutue e mantenha-se estável, é a parte que está escondida.
Passamos por muitos icebergs em nossos cruzeiros. Navegamos com nossos transatlânticos em oceanos as vezes tão imensos e desconhecidos e, quando encontramos um Iceberg, logo damos um jeito de desviar do mesmo, de evitá-lo, para não esbarrarmos e prejudicarmos o percurso planejado.
Não se pode ver a parte que está escondida, mesmo que essa seja a que realmente importa. A menos que se pare, desça, procure saber.
Entretanto os Icebergs continuarão lá, intactos, frios e parados onde estão. Derreter-se-ão caso respiremos ao seu redor, ou caso o toquemos. Pular no fundo deste mar para conhecer a parte de baixo do Iceberg é muito gelado, é cortante e deixa sem ar o pobre coração mergulhador.
E a parte boa é que sempre voltaremos vivos deste mergulho, e ainda melhores, dizendo então se valeu ou não a pena a aventura.
É bom permitir-se navegar em paz, apreciar cada Iceberg que estiver ao redor, e seguir viagem. Para onde quer que esteja indo este coração navegante, que vá ciente.
Ao mar!

(escrito em 12/1/2009)

Um comentário:

N. Ferreira disse...

Como psicóloga, eu não poderia deixar de parafrasear o Freud e usar a figura do iceberg prum outro tipo de comparação: da nossa estrutura psicológica, nossos trantornos emocionais, o ser humano como funciona.
O topo do iceberg, fora d'água, é o nosso consciente - aquilo que de fato sabemos sobre nós mesmos, sobre nossos sentimentos, motivações, enfim... a parte mais superficial da gente mesmo.
Lá no fundo, na camada mais inferior, a grande massa de gelo coberta por água, no fundo escuro do oceano, está nosso inconsciente e tudo aquilo que desconhecemos sobre nós mesmos. Eu gosto de pensar nessa parte como A Nossa Derradeira Ignorância. Aquilo que a gente não acessa da gente mesmo.
Na camada intermediária, tem um bocado de gelo que só irá aparecer pra fora d'água dependendo da maré. É o que está pré-consciente: a gente pode acessar, mas vai depender de algumas variáveis.
Olhando meio rápido assim seu blog, dá pra ver que sua maré tá baixa e que tem coisa aflorando na consciência. Não tem jeito mais eficiente, bacana e bonito de acessar nossa derradeira ignorância do que pela arte - a escrita é o ronco da alma: quando ela tem fome, vêm os sinais.
Gostei. Volto pra ler direito.
Um beijo

PS: Sua pergunta (bom ou ruim demais) ainda está no fundo do meu oceano...