segunda-feira, 11 de maio de 2009

O que foi aquele beijo?

(Créditos da imagem: Meus Pensamentos5)

As duas bocas se encontraram em sintonia. Eram lábios: meus, e dela. Bocas, em um excitante misto de firmeza e suavidade, numa entrega intensa. Neste instante – como nunca antes – senti a entrega.
Um beijo longo – em duração - que além do físico, transcendia todos os limites daquele espaço e tempo em que o verbo beijar se preocupava em estar. Mais que o simples tocar, encarregava-se também o beijo de fazer deslizarem línguas em movimentos precisos: tanto quanto o toque das mãos que se procuravam a todo instante. E era preciso muito para interrompê-lo, pois tudo o que não fosse beijo, dali não faria parte. E se não fizesse parte, não haveria de incomodar, pois nada há de atrapalhar um beijo.
Boca e boca, língua e boca, língua e língua, boca e língua, boca e boca. E um turbilhão de arrepios que trazia em si mãos trêmulas e respiração ofegante. Os lábios a se encontrar e a se procurar, numa constante e proposital seqüência de perda e encontro, a fim de não se separarem nunca mais.
E enquanto minhas mãos deslizavam pela sua nuca, até agarrarem os seus cabelos e provocarem um suspiro (destes que tem a sonoridade e a duração que o momento pede, nada além disto), as mãos dela se alternavam entre um suave toque no meu rosto e um arrepiante aperto em meu abdome como quem diz: “Este território é meu”.
Um beijo de cinco sentidos: tocar intenso, respiração alternando entre acelerada e profunda. E enquanto os olhos fechados podiam ver o fundo da alma do outro, ouvia-se o som do tocar, do gemer e do sussurrar em silêncio, degustando do paladar que lambuzava e fazia transbordar o prazer.
Beijo que é beijo é assim, sem controle, sem tempo, sem medo. E o que menos havia ali era medo, quando o que mais havia era a surpresa. Por tão inesperado, é que tinha tanta magia.
E com total autonomia as mãos sabiam exatamente para onde ir. E essa combinação não tão equilibrada de toques suaves com apertos sufocantes, trazia à tona um calor e uma instigante loucura. Agora minhas mãos a seguravam: uma delas trazia sua coxa à altura da minha cintura, e a outra puxava seus cabelos com a firmeza de que se doma uma fera. E as dela, seguravam meus cabelos curtos e faziam com que ela me desarmasse sem esforço.
E a cena de todo o suor, todo o aroma e todo o pecado daquela noite, não importa como terminou. Importa mesmo é como começou: com um beijo. Com os lábios: meus, e dela. Com as duas bocas, quando entraram em sintonia.
Uau! O que foi aquele beijo?

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