domingo, 3 de maio de 2009

Sobre o grupo

Tive um crescimento complicado.
Não era do grupo. Nunca, nunca conseguia ser. Para uma criança ou para um adolescente este fato realmente não foi nada fácil.
Enfim cresci. Em um determinado momento da vida comecei a definir o que chamei de minha identidade, e esta definição começou a facilitar as coisas pois me ajudava a escolher os lugares em que deveria estar e, principalmente, os que não deveria estar. Válido também para as companhias, para as músicas, para os empregos e enfim, muita coisa.
Hoje me tornei um adulto. E não é nenhuma novidade eu contar aqui que continuo fora do grupo.

Sempre fora.

Não tiro fotos em grupo, não ando em grupos, não vou a churrascos ou festas "da turma" (seja do trabalho, dos ex-colegas do tempo da faculdade etc). E ainda tem mais: não sou da night (embora tenha comportamento notívago, existem diferenças), saí das drogas - que é uma coisa que te leva para o grupo - e das cervejadas, e vodkas e energéticos e bla bla bla.

Parafraseio Mário Quintana: "O mundo me tornou egoísta e mau".

O que vejo é o não-encaixe do meu jeito de levar a vida com o das outras pessoas ao meu redor. Vejo que os comportamentos são ridículos. O teatro em que as pessoas se permitem viver todos os dias as leva para caminhos que exigem mais e mais atuação, eliminando toda a transparência e deixando bem claro o que chamo de altruísmo da falsidade.
É um tal de não telefonar para parecer isso, não atender para parecer aquilo, esconder uma coisa para não parecer outra, dizer certa coisa só para parecer aquela e mais uma lista considerável que você - bem como todo mundo - conhece bem.

O que fizeram com a habilidade das pessoas de serem elas mesmas?

É por essas características, e por algumas outras também, que existem os grupos. Os grupos compartilham dessa ridicularidade que banaliza a amizade, o amor, a paixão, o companheirismo, o prazer, a bondade e a sinceridade.
O mundo me tornou egoísta e mau. E estou fora do grupo.

Não me pergunte se estou feliz assim, pois essa é a parte que menor importa.

Você há de me encontrar por aí. Seja sentado atrás da xícara de café, do copo de uísque ou da cerveja gelada. Há de me encontrar descendo a grande avenida, seja a pé ou não. E também há de me ver em alguma mesa, escrevendo em guardanapos, analisando as pessoas e tentando entender.
Mas que fique bem claro que este entender, não é para me aproximar.
É apenas para saber o melhor meio de como fugir.

Um comentário:

Li disse...

Desde pequena eu sempre fui das meninas que sentam sozinha no intervalo e até hoje sei que muitos me olham e me acham esquisita.Não nego que isso já me incomodou,que já tentei atingir os padrões estipulados pelos grupos,descobri que mesmo dentro de grupos “fora do padrão’ criam-se tendências e correntes comportamentais.Mas hoje eu me sinto plenamente realizada em estar alheia a isso tudo,muitas vezes penso que sou intolerante mas acho que é o preço de tentar ser autentica e sincera.Achei incrível o texto,me identifiquei bastante .