segunda-feira, 15 de junho de 2009

Individual.

(Créditos da Imagem: Welcome to Luizas)

O mundo é individual.
Não significa que eu goste dessa forma de ver a vida, mas é assim que acontece e é por isso que eu admiro o ambiente metropolitano. Um ambiente tão movimentado, com pessoas correndo e conversando, gritando frente às lojas e acenando frente aos carros. Para mim, a assinatura da grande cidade é a cena do sinal verde pedestre abrindo, e das pessoas se cruzando a pisotear a sinalização no asfalto.
Ninguém te nota. Seja você um diretor de uma multinacional ou um auxiliar de escritório de advocacia, seja você o juiz ou o réu em liberdade condicional: no meio da metrópole você não é ninguém. Ou seria, você, apenas mais um? A resposta é: tanto faz. As pessoas não vão sentir pena de você, ou raiva, ou alegria em te ver. Simplesmente não vão te ver, não vão ligar para você. E isso é horrível fantástico!
E falo com propriedade. Falo pois venho de uma cidade pequena, onde salvas exceções, as pessoas são nojentas. E são assim abomináveis exatamente pelo avesso do tema em que disserto: elas te notam. Te notam e sabem quem você é, com quem você anda e onde você vai. Sabem e, se não sabem, procuram saber. São olheiros que só não te vigiam 24h por dia pois o dia em uma cidade pequena não funciona em período integral.
Conversando com um amigo no último final de semana, ouvi dele o seguinte pesar: “(...) trabalhei anos aqui. E hoje, ao sair, vi que tudo o que comprei ou fiz nesta cidade não foi para mim, e sim para os outros. E ao me dar conta disso tudo, é que resolvi que o tempo de consertar era aquele. Mesmo adorando passar por aqui, é bom estar longe.”
Estar longe é prezar pela individualidade. É saber que cada um é cada um, que não nascemos presos a ninguém, nem a lugar algum. As pessoas são livres, e assim estão condenadas a serem. E tal individualidade vem da noção de se colocar no seu devido lugar, e na hora certa. E de saber como sair dali, no momento em que nos carecer.
Sejamos nós mesmos. É triste bom saber que se não nos importarmos conosco próprios, ninguém o fará. Mas é assim que funciona a dita individualidade: ou você cuida de si mesmo, ou ninguém cuidará. E é triste bom que se apresse, e que não perca tempo querendo cuidar do outro pois ele não precisa de ajuda. Você me acha egoísta? Então experimente precisar de ajuda, e veja quem se importará com você. Então lhe farei a mesma pergunta: você ainda me acha egoísta?
Não, eu não sou egoísta. Eu sou individual, bem como o mundo é.

Um comentário:

Renato Menezes disse...

Ninguém está interessado. Essa é a verdade. As pessoas querem saber de si. Mesmo nas pequenas cidades, quando elas te olham, é só pra reparar, não para cuidar. Ninguém se importa com o que você pensa, fala ou faz. As pessoas reparam, é uma síndrome de Big Brother, elas gostam de saber (nas pequenas cidades). Mas nenhuma delas levará flores na sua sepultura.