domingo, 21 de junho de 2009

Papo de criança.

Flor de Liz e Ana Júlia brincavam na sala. Duas gurias, pequenas, e amigas da escolinha. Faziam ali um desenho, enquanto a mãe de Julinha observava a empolgação e os sorrisos bonitos das duas.
- Olha, tia Mari, esse é o meu pai, a minha mãe, e esta aqui sou eu! – disse Flor para a mãe de Julinha, enquanto apontava o desenho.
- E você não queria um irmãozinho, pra não se sentir sozinha? – perguntou Mariana.
- Ah, eu não! Eu odeio os meninos, argh!

E fez aquela carinha de brava com uma janelinha nos dentes da frente.
Flor e Julinha tinham 8 anos. E Mariana as olhava com toda a sua paciência materna.

- E o seu pai, está bem?
- Ta sim, e a minha mãe também!
- Vou te contar uma história sobre seu pai, o Emílio.
- Conta, conta!
- É, conta! – abriu também Julinha um sorriso curioso, com os olhinhos azuis brilhantes.
- Sabe, o Emílio sempre foi um menino legal. Era assim quando o conheci, aos 15 anos. Não gostava de estudar, mas não precisava, pois prestava atenção em todas as matérias e as professoras dele gostavam. Era bonito, e era alegre! Era amigo da maioria das pessoas e essas o admiravam muito. E eu, uma menina dedicada e também com muitos amigos, gostava muito dele. Gostava e sentia ciúme, porque muitas meninas queriam ficar perto dele, e todas umas chatinhas, ai ai ai.
- Conta mais, tia, conta mais!
- Calma – Mariana riu – que eu estou contando. Eu e o Emílio tínhamos uma amizade muito gostosa. Como a de vocês duas assim. Nós riamos, conversávamos e fazíamos juntos os trabalhos de escola. Ele também gostava muito de mim, nos dávamos bem. Porém, o tempo passou e nós perdemos contato. Encontrei seu pai muito tempo depois, e tudo estava diferente. Seu pai continuava o mesmo, bonito, jovem, e alto. Mas sua vida havia mudado de ritmo, ja trabalhava, e estava apaixonado e feliz!
- E minha mãe, tia Mari, e minha mãe?
- Seu pai havia conhecido sua mãe. Estava apaixonado, e ah, como tinha um brilho nos olhos. Seu pai era meio namorador, sabe? Hahaha eu fiquei surpresa de vê-lo assim, tímido contando da nova namorada, Renata, sua mãe. Emílio contava dela, que era belíssima e gostava de conversar e de rir. Contava como se dava bem com ela, como eles eram diferentes mas mesmo assim um casal que tinha tudo pra dar certo. Seu pai gostava muito dela, sabe? E por isso é tão bom vê-los assim hoje, felizes, juntos, e dando essa educação pra você.
- Tia, você ainda acha meu pai bonito? Hahahaha – gargalhou com aquela risada gostosa, de criança, a Flor.
- Seu pai é muito bonito, é charmoso e muito carinhoso também. Enfim, é um homem completo. Mas sua mãe é ciumenta e muito brava, então chega de perguntas, hein! Fim da história!
- Sua mãe gostava do meu pa-ai, sua mãe gostava do meu pa-ai! – Flor de Liz cantarolava e corria pela casa.
E saíram as duas correndo a rir e brincar.

Mariana nunca se esqueceu de Emílio, mas preferia acreditar que tudo o que não aconteceu se tornou mesmo uma estória, um conto de fadas. Também nunca entendeu o porquê de ele nunca ir à sua casa buscar sua filha, a doce Flor, mas também preferia não pensar. Fica a música das crianças na cabeça, a história no tempo passado, e valendo este presente amigo. Ah, crianças!

2 comentários:

Santiago Garcia disse...

será "Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste"? E triste, diga-se de passagem, seria um não completado, não realizado? Será que esses que são, REALMENTE, os amores completos[q nunca teremos fora mas que só os tem por dentro quem não os tem]?

Renato Menezes disse...

Será!