terça-feira, 9 de junho de 2009

por Nelson Rodrigues (parte 2)

O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: — o da imaturidade.

Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.

Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível.

A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades.

O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.

Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.

Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.

Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos...

A plateia só é respeitosa quando não está entendendo nada.

Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.

Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de ouro.

Todo amor é eterno. E se acaba, não era amor.

Amar é ser fiel a quem nos trai.

Toda unanimidade é burra.


E a última das minhas escolhas:


O rico e o pobre são duas pessoas.
O soldado protege os dois.
O operário trabalha pelos três.
O cidadão paga pelos quatro.
O vagabundo come pelos cinco.
O advogado rouba os seis.
O juiz condena os sete.
O médico mata os oito.
O coveiro enterra os nove.
O diabo leva os dez.
E a mulher engana os onze.


*Não preciso explicar o porquê de ter separado em duas partes, preciso?

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