sexta-feira, 31 de julho de 2009

Groove

Prometi para mim mesmo que não iria ficar colocando aberrações aqui, para o blog não virar uma festa, também.
Mas este não deu pra não publicar, é fantástico (na minha opinião, é claro).
E também fica aí o recado e o pedido de desculpa aos leitores, porque minha vida está cheia de prazeres e agruras que têm me tomado o tempo. Mas vem coisa boa por aí, acreditem!
Por enquanto, fiquem com ele:


quarta-feira, 29 de julho de 2009

A lista




Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você já desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assovia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você



*Em homenagem a meu velho amigo Ronaldo, e à todas as conexões que a vida nos trás com todas as coisas que um dia acreditamos serem importantes.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Noite das máscaras

Salão cheio de pessoas, luzes e notas musicais. Sorrisos à vontade partindo de todos os lados, de todas as mesas e corrimãos. Todos estão se divertindo na noite mais fria e mais bonita daquele ano: o, tão esperado, baile das máscaras.

Vê-se - atravessando a pista de dança – belas mulheres, moças e meninas, delicadamente acariciadas pelo corte de seus longos vestidos. Amarelos, vermelhos ou violetas, são sedutores e charmosos véus a cobrir belezas morenas, ruivas e louras.

E dando-se a miscelânea, pode-se notar sem qualquer dificuldade os olhares enigmáticos dos belos ternos de riscado, de linho e encanto. São homens, rapazes e meninos que demonstram sua firmeza de voz grossa, e sua disputa masculina de ombros mais largos. Eles não sabem dançar, mas elas não precisam saber disso.

E banhados pelos raios cor de sol que vêm do grande lustre no centro do salão, voltam-se agora todos para o topo da escadaria onde, no silenciar da música, virá a anfitriã: madame Jasmine.

Como previsto, eis que chega a bela dama, com suas belas jóias a refletir com as luzes amarelas, e o “J” pendurado em seu pescoço tão precisamente desenhado. Ela inteira é assim, um desenho de mulher. E tem em seu rosto a mais perigosa máscara: aquela que só esconde os olhos. Segura a máscara com aquelas mãos delicadas e também escondidas pelas luvas que levam o mistério até quase os cotovelos. Sua pele clara ingenuamente desperta curiosidade de cada um dos olhares masculinos ali presentes.

Os passos são precisos, as escolhas minuciosas. Cada gesto daquela mulher única era parte de um contexto imerso no bom gosto e medido pelo bom senso. Seus sapatos deslizavam pelo salão, a tal ponto que parecia dançar constantemente, tão leve eram seus movimentos.

Os olhares de cobiça vinham de todas as partes. Acompanhados e abandonados, feios ou belos, não havia naquela festa quem não se sentisse tentado a imaginar os olhos por trás daquela máscara. É difícil para ela não ser notada.

Não há um minuto de descanso sequer. Todos querem tirá-la para dançar. A disputa a excita, mas ela não deixa que isso transpareça. Embora a sua espera secreta seja pelo homem que seus olhos não viram no salão.

A aflição aumenta com o passar das horas. Já no final do baile, os poucos convidados que ainda saem de lá deixam o local, enfim, completamente vazio. Com os olhos úmidos, ela contempla por um instante o som do silêncio, e todas as histórias ali deixadas. Sente, então, a dor da perda, o peso da solidão e chora até que se esgotem todas as suas forças e um novo dia nasça e uma nova festa aconteça. Jasmine, finalmente, sem máscaras.


*Com os devidos créditos a Renato Menezes, meu grande amigo, que contribuiu com sua inspiração para dar o final perfeito a essa estória.

Advice for the young at heart

(Créditos da Imagem: Christy Bharath)


Advice for the young at heart
Soon we will be older
When we gonna make it work ?

Too many people living in a secret world
While they play mothers and fathers
We play little boys and girls
When we gonna make it work ?
I could be happy
I could be quite naive
It's only me and my shadows
Happy in our make believe
Soon...

And with the hounds at bay
I'll call your bluff
Cos it would be okay
To walk on tiptoes everyday

And when I think of you and all the love that's due
I'll make a promise, I'll make a stand
Cos to these big brown eyes, this comes as no surprise
We've got the whole wide world in our hands

Advice for the young at heart
Soon we will be older
When we gonna make it work ?

Love is a promise
Love is a souvenir
Once given
Never forgotten, never let it disappear
This could be our last chance
When we gonna make it work ?
Working hour is over

And how it makes me weep
Cos someone sent my soul to sleep

And when I think of you and all the love that's due
I'll make a promise, I'll make a stand
Cos to these big brown eyes, this comes as no surprise
We've got the whole wide world in our hands

Advice for the young at heart
Soon we will be older
When we gonna make it work ?

Working hour is over
We can do anything that we want
Anything that we feel like doing
Advice...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Sobre contradizer-se.

"Dizer a verdade sempre tem uma grande vantagem; Não é preciso lembrar-se do que foi dito antes." (Autor desconhecido)

Pensamento VI

Eu cheguei à seguinte conclusão: não conheço ninguém. Todos os que estão ao meu lado fingem ser algo que não são, e eu só conheço essa parte deles. Por isso enlouqueço quando encontro alguém autêntico: porque, para mim, é demasiadamente perceptível.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Condição adversa.

Eu estou a ponto de explodir. Após uma discussão intensa e cheia de tapas na cara, saí me sentindo um trapo. Sim, surrado, e como quem saiu da briga a andar quase que vagarosamente e encontrou um grande muro. O beco.

Estou com vontade de dissertar páginas sobre o tema. Aliás eu o faria, se não estivesse embriagado e ouvindo minha cama gritar desesperadamente pelo meu nome.
Lá vou eu.

Brow.


Bergman. Era o que eu precisava ontem a noite. O sétimo selo, mil vezes. Como eu pude partir assim? Será que as repetitivas despedidas foram suficientes, ou faltou alguma coisa a dizer?

Encostado no balcão de um bar qualquer, a muitos kilometros de lá, olho para o copo e também para um vidro sujo que exibe meu reflexo. Alternadamente, me vejo no copo e vejo a cerveja dentro dos meus olhos. E me lembro das segundas-feiras intermináveis, das terças propícias e das quartas exclusivas. Parecia que eu não tinha relógio e isso era fascinante! Entrar as 8h da manhã era apenas a obrigação, sem exceções, cumprida.

E naquela vez do trem? Uma das fotos mais bonitas que eu não tirei. E tinha lá alguém para me ensinar que existem determinadas cenas que não devem jamais ser transcritas em um pedaço de filme. Falado bem difícil, assim, mesmo. Porque o número é 3 (ou seria 2?).

Não há como medir o melhor e o pior deste todo. Dos mil exemplos de melhores momentos, prefiro não citar nenhum. E mentalizar todos eles a cada cerveja, coca ou café que eu tomar aqui sozinho. Porque para mim não é triste dizer que, embora pareça maleável e tenha sempre muitos amigos, lá eu tive alguém que foi mais que isso: foi cúmplice.

Você que me apresentou o Bergman, aquele do xadrez. Também a terra do nunca, penny university, M. Chao, e lá vem mais de mil eventos. Isso não é um "obrigado", pois da minha gratidão você conhece bem. Isso é mais: é um grito de socorro.

Pois somos, um do outro, testemunhas de tudo o que há de certo e de errado na retaguarda desse teatro todo. Só nós conhecemos os bastidores, aliás, nós e cada uma das mesas, copos, xícaras, estradas e enfim, redundantemente, mais de mil itens. Inclusive as portas do carro. Onde quer que você esteja, meu grande amigo, que se lembre dos outros mil fatos que eu me esqueci.

E que me ligue pra falar que lembrou, mesmo as 5 horas da manhã, pois você sabe que eu farei o mesmo.

Te encontro no café. Do lado.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Frase de efeito.

"É Do, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si e Dó. Só isso. O resto é consequência".

Frase do meu amigo Zé Roberto, um dos músicos mais impressionantes que eu conheço, e que me ajuda a lembrar que eu também sou músico. Só as vezes.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Aniversário.


Saio do trabalho meia hora depois do expediente, corro para o carro com a maleta na mão direita e o paletó dobrado na esquerda. É, esquentou o tempo.
Desvio dos pedrestes abusados e dos motoristas indecisos. Corro. Corro muito, alternando entre o pé fundo no acelerador e o pé ancorado no freio. Radar, sempre ele.
Chego em casa e já guardo o carro, ufa!, respiro. É bom estar em casa, fechar o portão da garagem, ouvir a ventoinha do carro, e me abençoar pelo fim de mais um dia. Fé, penso.
Entro devagar e está tudo apagado. Onde está minha esposa? Estranho o ambiente silencioso e resolvo abrir a porta. Destrancar. Devagar, pode ser perigoso. Treck, treck.
Arrasto a porta de correr, aberta pelo centro. Continua tudo escuro, ela está dormindo, presumo. Dou um passo e ela me surpreende, há! Pega das minhas mãos o paletó, a maleta, e me pergunta se está tudo bem. Sim, está, pode acender as luzes.
Acende as luzes, e ela está encantadora. Sapato baixo, para os pequenos e belos 35. Calça bonita, deixa aquela curva preferida ainda melhor. Blusa preta, podendo ser facilmente aberta pelo desamarrar do laço que me atenta os olhos. Paixão.
A mesa está pronta. Pratos simples, diferentes. Taças iguais, vinho de ontem. Talheres ali, garfo e faca. E ela sorri. Carinho.
Senta! - diz. Voz clara e delicada, alta. Voz bonita que ela tem.
Sento-me, e ela volta com o prato japonês. Sirvo o vinho, ela senta. Bebemos, experimento, gosto; Como. Rimos. Muito, ah, se rimos.
Ela se levanta, e exclama: vem pra cá?! Vou.
A cama está linda, há velas e vinho - agora do novo. Há incenso e toalhas, há beijo e fondue. Dedicação.
Há carta e bilhete, pétalas e espuma. Tiro o laço da roupa, bem como eu prometi, e ouço também a música. Boa música.
E a cama agora é um palco, a dois. A luz é só um intermédio entre o teu corpo belo e o meu comportar voraz. Desejo.
E após a insaciedade, o respirar profundo. Olho pro teto, estrelas, dentro do quarto. Escuro.
Não há pular de etapas. Há entrega, confidência, juras. Amor.

Lembro-me de esquecer daqueles meses de dores, bem como já esqueci da maleta e do paletó. Lembro-me de abraçá-la a cada vez que esquecer daquilo que já passou. E
Lembro-me de amá-la muito, com ou sem venda nos olhos, até o fim do velho pulso.



*Texto inspirado em uma das noites de amor mais incríveis que já passei em minha vida. E que vem em forma de agradecimento, por toda a delicadeza em me fazer sentir o homem mais feliz do mundo. Um brinde ao encontro mais estranho que eu já tive, que me deu - um ano depois - o conforto incomparável do seu abraço.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Pensamento V

"Fontes de inspiração aparecem para nos tirar das mãos de nossos próprios demônios. Sutis, na hora certa, do dia certo, em que devem aparecer."

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O monstro.

Eu estava ali sentado quando ele passou. Não retirei meus olhos da apresentação dos alunos da escola de música, apenas percebi a sombra. Foi então que o cenário mudou.

Me dei conta de todo o ambiente depois que ele passou. Sua sombra continuou a passar, e a passar. Eu nunca havia visto algo parecido na minha vida!

Era um homem alto. Mas muito, muito alto. E magro. Era um homem alto e magro com pernas longas e finas, seguidos de um tronco ereto e braços também enormes. O cara era grande. Mesmo.

Então sentou-se um pouco à esquerda, na fileira da frente. Sentou-se na cadeira e não se acomodava, não encontrava posição confortável. Percebi sua agonia e me contaminei com tal incômodo, haja vista minha impotência também para qualquer ação. Eu e essa minha habilidade de absorver coisas externas. Péssimo hábito.

Resolvi concentrar-me na apresentação. Música boa, músicos iniciantes. Estava tudo bem, até uma pequena guria chegar até perto do homem. Ela dançava a música quando "aterrisou" perto da cadeira onde ele estava sentado, e pude perceber o olhar curioso e instigado daquela criança: "O que é você?". Ele esticou a mão como cumprimento e ela correu. Ah, e como correu, pros braços da mãe que estava ali, fileiras à frente. A mão voltou para onde devia estar, ou seja, no queixo acompanhando a outra para apoiar sua cabeça. E a criança a aliviar seu medo daquele, até então, extraterrestre.

Eis que então ele virou a cabeça para trás. Sim, para o meu lado! Ele captou de alguma forma essa troca de magnetismo e resolveu retribuir: sorriu. Um sorriso ogro, pálido e apático. Entretanto, como não via um desses há muito tempo - vindo de um desconhecido: um sorriso sincero. Hesitei, voltei meus olhos para o palco, e com a visão secundária (aquela que só percebe o que está acontecendo à nossa frente, sem focar) percebi que, desta vez, não houve decepção em sua expressão. Ele entendeu o recado.

Conforme olhava para o palco sua expressão mudava, parecia interessado, inspirado e cheio de emoção. Me contaminei também por esse amor, por essa entrega e doação de sentimento para com a música. O enorme sentimento do magro gigante.

Após essa carga toda de energia, resolvi que era hora de partir. Levantei e virei para a direita em direção à saída sem pensar duas vezes, mas de alguma forma sabia que ele me olhava andar ali, naquela direção. Enquanto eu partia, ele me mandava sinais de boa viagem. Para onde quer que você vá ao sair por aquela porta, não se esqueça, do olhar puro e verdadeiro que este monstro lhe permite carregar.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mas tudo isso é pouco.



"Eu ja te falei de tudo,
mas tudo isso é pouco
diante do que sinto."


*Porque eu, mesmo escondido, chorei de soluçar nessa parte do show. Também porque eu chorei de novo agora, ao acabar de ver o vídeo. Porque mesmo quando eu não valho nada tem alguém que me faz ver tudo diferente.

sábado, 11 de julho de 2009

Eu sou melhor que você

(Créditos da Imagem: Cogumelo Moon Miscelânea)

Todo mundo acha que pode, acha que é poeta
Todo mundo tem razão, sempre vence e na hora certa
Todo mundo prova sempre pra si mesmo que não há derrota
Todo homem tem voz grossa e tem pau grande
E é maior do que o meu, do que o seu, do que o de todos nós

Todo mundo é referência e se compara só pra ver quem é melhor
Todo homem é mais bonito do que eu, mais (sic) eu sou mais que todos
Todo mundo tem suingue, é forte, é feliz e sabe sambar
Todos querem mas não podem admitir a coexistência do orgulho e do amor porque

Eu sou melhor que você!

Todo mundo diz que sabe e quando diz que não sabe é porque
É charmoso não saber algo que todo mundo já sabe como é
Porque todo mundo é original, é especial, é o que todos queriam ser
Não basta ser inteligente tem que ser mais do que o outro pra ele te reconhecer
Porque
Todo mundo ganha grana só pra dizer que ela não vale nada
Todo mundo diz que é contra a violência e sempre dá porrada
Todos querem se apaixonar sem se arriscar nem se expor, nem sofrer
Todas querem vida fácil sem ser puta e com reputaçao se reprimem e começam a dizer

Eu sou melhor que você!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pensamento IV

"Aquele que pensa demais nos outros, quando pensa em si próprio, se acha um egoísta. Já o egoísta, não sabe, nem mesmo faz questão de perceber, que existem outros."

terça-feira, 7 de julho de 2009

Irreversível.


Então nos encontramos. Pela primeira vez, após mais de milhões de segundos passando camuflados em meses. Depois de muitas balas de prata embutidas em palavras ríspidas, e de diversas trocas de espionagem da vida alheia, surgiu o primeiro aperto de mão. A espada formal a rasgar os raios que saíam dos olhares. Meu, e dele.

Nós dois estávamos fora da cidade. Não sei se ele voltou, mas eu voltei. Não sei o que ele faz aqui, e nem o que fazia ali, mas o que sei bem é medir a angústia e o desfalecimento do meu sorriso. Não deveria mesmo ter saído de casa.

Tão diferente de mim, tão estranho, com uma educação tão má usada e modos desprezíveis. Simpatia falsa, efusiva e desperdiçada. Cumprimentou as garçonetes e sentou na mesa para a qual eu estava de costas. Droga! Sentir-me de costas para ele foi terrível. O que me salvou foi a má limpeza do vidro em minha frente, que me permitia observá-lo em um reflexo perfeito.

Ao mesmo tempo em que me satisfazia seu incômodo notável, me trucidava o estômago a ansiedade. Imaginava garrafas voando, uma briga de galos ali no meio do café. Mil situações à minha cabeça, o desprezo equilibrado pela raiva, e o descontrole equilibrado pela minha proteção. Caso ele ousasse ser agressivo, eu tinha reforço. Mas não estou falando de reforço emocional, mas sim físico, e cá entre nós? É o que menos faria efeito.

Então me contaminei pelo ódio. O sentimento me subiu à cabeça e comecei a imaginar, montar em minha mente as imagens, situações, diálogos e até discussões, em formato tão real quanto o reflexo do vidro. Como pode? Como pôde? Comparações inevitáveis e a senhora insegurança a me tapear o rosto.

Ator que sou, não deixei transparecer. Continuei meu foco, sempre atento ao ameaçador reflexo, mas mantendo a postura.

Senti que causei mais incômodo do que deveria. Ele se afastou, e partiu. Na saída, virou a cabeça para trás e olhou através do vidro empoeirado, fitando-me os olhos e andando para o lado. Retribuí.

Sei que isso terá resultados, tal como o reflexo do vôo da borboleta do outro lado do mundo que nos presenteia com um tufão por aqui. Agora é só montar a minha fortaleza emocional e, claro, aguardar. Sentado.

Pensamento III

"A vida é incrívelmente previsível. A vida é engraçada."

segunda-feira, 6 de julho de 2009

The saint

*É do tipo de filme que eu gosto de assistir. Que me prendeu naquela manhã, que ficou melhor ainda.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O Detetive.


Ouço distante a música que faz chorar quem é da estrada, respiro este ar frio e olho fixamente para as cortinas. Acordei.
O traje social é fato, o terno e a gravata me caem bem, e o chapéu me esconde dos olhos os fios brancos. A roupa chega em mim como se fosse parte do meu corpo, nova pele para um novo dia.
Descer as escadas me faz sentir mecanizado. Estou seguro nas calçadas. E em manhã de forte neblina eu vejo gente. Muita, muita gente. Essa gente não me vê.
Eu sou vítima do crime oculto de cada pessoa. Sou cúmplice das mentiras dos conjuges. Faço parte da fatia boa de dentro da cela. Na verdade, o que não existe, é algum inocente aqui.
Descobrir a maldade é simples. Só queria conviver com isso sem ter que refazer ataduras, dia após dia.
Seria mais fácil se eu não reparasse nessa gente.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Velhas roupas usadas

Abandonar as velhas roupas usadas:

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.

É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa



*Este texto está em um cartaz, exatamente onde deveria estar para que eu pudesse lê-lo o tempo todo. E agora, está aqui, dentro de mim.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Desilusão.

(Créditos da Imagem: Broxa Music)

Hoje no meio da tarde tirei a conclusão: estou desiludido com a música.

Nunca falei sobre isso aqui, mas quem me conhece sabe que sou músico, e quem me conhece melhor ainda sabe e compreende como a música sempre tem influência em minha vida: nas atitudes, no comportamento, no modo de pensar, de falar, de analisar as coisas.

Há quem pense que não - infelizmente - mas eu acredito que isso faz qualquer um ser uma pessoa melhor. A música sempre me fez bem, me fez sentir boas emoções, mais completo.

Entretanto, hoje eu percebi, que as coisas têm ficado diferentes para mim.

Ouvindo uma rádio horrível é que percebi o quanto a música popular está ridícula indo de mal a pior. Não gosto de discriminar estilos, acredito que cada um tem direito a ouvir o que achar que deve, independente de qualquer circunstância. Mas estou falando do meu gosto, não é mesmo? Então me permito.

Pois bem, já não bastava concatenarem qualquer estilo músical com a palavra "Universitário" para qualquer coisa que toque na faculdade. Agora, depois do "Forró universitário", do "Pagode universitário" e do "Sertanejo universitário", que são - repetindo: na minha opinião - degradações do verdadeiro estilo musical correspondente e poluições aos ouvidos sensíveis, resolvem juntar um com o outro, misturar tudo.

Consigo ouvir em uma mesma tarde: Michael Jackson, Tânia Mara (é, é esse mesmo o nome, não tem piada), Dupla de sertanejo universitário (coloco assim por não conseguir diferenciar uma da outra), A bomba (aquela mistura que citei no parágrafo anterior (de pagode com sertanejo), e Pe. Fábio de Melo. Já dá para imaginar o tamanho da confusão, que trouxe em seguida a decepção com o cenário musical brasileiro.

Mas você pode me questionar: tudo bem, então qual é o estilo musical que você gosta? E a resposta é bem simples: gosto do que realmente é música. E como é a minha opinião que prevalesce neste texto, eu sei bem do que estou falando.

O que realmente me traz até aqui é a insatisfação de ter que desligar o rádio (coisa que eu nunca fiz a não ser que começasse a tocar algum rap). Desligar o rádio é eliminar a música daquele momento, porque está te incomodando ou te atrapalhando, porque está te fazendo mal. Eliminar a música da minha vida nunca foi parte dos meus planos.

É triste, cruel, e doloroso dizer: mesmo sendo a forma de arte mais poderosa que existe, já não há condições de se ouvir música nova e boa; O que é bom já foi criado; Sabemos de quem é a culpa disso; Por isso também eu parei de assistir a "Garagem" do Faustão; E também por isso que me sinto mais burro a cada vez que ligo o rádio;

Mas estes últimos, são temas para outros posts.