sexta-feira, 3 de julho de 2009

O Detetive.


Ouço distante a música que faz chorar quem é da estrada, respiro este ar frio e olho fixamente para as cortinas. Acordei.
O traje social é fato, o terno e a gravata me caem bem, e o chapéu me esconde dos olhos os fios brancos. A roupa chega em mim como se fosse parte do meu corpo, nova pele para um novo dia.
Descer as escadas me faz sentir mecanizado. Estou seguro nas calçadas. E em manhã de forte neblina eu vejo gente. Muita, muita gente. Essa gente não me vê.
Eu sou vítima do crime oculto de cada pessoa. Sou cúmplice das mentiras dos conjuges. Faço parte da fatia boa de dentro da cela. Na verdade, o que não existe, é algum inocente aqui.
Descobrir a maldade é simples. Só queria conviver com isso sem ter que refazer ataduras, dia após dia.
Seria mais fácil se eu não reparasse nessa gente.

2 comentários:

N. Ferreira disse...

Que sensação de vazio...!
Seria mais fácil, mais tranquilo e talvez mais seguro se não reparasse nessa gente, mas... é uma opção?

Luana disse...

E o título, ficou mais que perfeito. Incrivelmente perfeito ^^
Só acredito que não é tão díficil assim ter de conviver com isso, sem ter necessidade de refazer as ataduras no dia seguinte. É, pode ser difícil, mas não impossível, né?