segunda-feira, 27 de julho de 2009

Noite das máscaras

Salão cheio de pessoas, luzes e notas musicais. Sorrisos à vontade partindo de todos os lados, de todas as mesas e corrimãos. Todos estão se divertindo na noite mais fria e mais bonita daquele ano: o, tão esperado, baile das máscaras.

Vê-se - atravessando a pista de dança – belas mulheres, moças e meninas, delicadamente acariciadas pelo corte de seus longos vestidos. Amarelos, vermelhos ou violetas, são sedutores e charmosos véus a cobrir belezas morenas, ruivas e louras.

E dando-se a miscelânea, pode-se notar sem qualquer dificuldade os olhares enigmáticos dos belos ternos de riscado, de linho e encanto. São homens, rapazes e meninos que demonstram sua firmeza de voz grossa, e sua disputa masculina de ombros mais largos. Eles não sabem dançar, mas elas não precisam saber disso.

E banhados pelos raios cor de sol que vêm do grande lustre no centro do salão, voltam-se agora todos para o topo da escadaria onde, no silenciar da música, virá a anfitriã: madame Jasmine.

Como previsto, eis que chega a bela dama, com suas belas jóias a refletir com as luzes amarelas, e o “J” pendurado em seu pescoço tão precisamente desenhado. Ela inteira é assim, um desenho de mulher. E tem em seu rosto a mais perigosa máscara: aquela que só esconde os olhos. Segura a máscara com aquelas mãos delicadas e também escondidas pelas luvas que levam o mistério até quase os cotovelos. Sua pele clara ingenuamente desperta curiosidade de cada um dos olhares masculinos ali presentes.

Os passos são precisos, as escolhas minuciosas. Cada gesto daquela mulher única era parte de um contexto imerso no bom gosto e medido pelo bom senso. Seus sapatos deslizavam pelo salão, a tal ponto que parecia dançar constantemente, tão leve eram seus movimentos.

Os olhares de cobiça vinham de todas as partes. Acompanhados e abandonados, feios ou belos, não havia naquela festa quem não se sentisse tentado a imaginar os olhos por trás daquela máscara. É difícil para ela não ser notada.

Não há um minuto de descanso sequer. Todos querem tirá-la para dançar. A disputa a excita, mas ela não deixa que isso transpareça. Embora a sua espera secreta seja pelo homem que seus olhos não viram no salão.

A aflição aumenta com o passar das horas. Já no final do baile, os poucos convidados que ainda saem de lá deixam o local, enfim, completamente vazio. Com os olhos úmidos, ela contempla por um instante o som do silêncio, e todas as histórias ali deixadas. Sente, então, a dor da perda, o peso da solidão e chora até que se esgotem todas as suas forças e um novo dia nasça e uma nova festa aconteça. Jasmine, finalmente, sem máscaras.


*Com os devidos créditos a Renato Menezes, meu grande amigo, que contribuiu com sua inspiração para dar o final perfeito a essa estória.

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