segunda-feira, 20 de julho de 2009

Aniversário.


Saio do trabalho meia hora depois do expediente, corro para o carro com a maleta na mão direita e o paletó dobrado na esquerda. É, esquentou o tempo.
Desvio dos pedrestes abusados e dos motoristas indecisos. Corro. Corro muito, alternando entre o pé fundo no acelerador e o pé ancorado no freio. Radar, sempre ele.
Chego em casa e já guardo o carro, ufa!, respiro. É bom estar em casa, fechar o portão da garagem, ouvir a ventoinha do carro, e me abençoar pelo fim de mais um dia. Fé, penso.
Entro devagar e está tudo apagado. Onde está minha esposa? Estranho o ambiente silencioso e resolvo abrir a porta. Destrancar. Devagar, pode ser perigoso. Treck, treck.
Arrasto a porta de correr, aberta pelo centro. Continua tudo escuro, ela está dormindo, presumo. Dou um passo e ela me surpreende, há! Pega das minhas mãos o paletó, a maleta, e me pergunta se está tudo bem. Sim, está, pode acender as luzes.
Acende as luzes, e ela está encantadora. Sapato baixo, para os pequenos e belos 35. Calça bonita, deixa aquela curva preferida ainda melhor. Blusa preta, podendo ser facilmente aberta pelo desamarrar do laço que me atenta os olhos. Paixão.
A mesa está pronta. Pratos simples, diferentes. Taças iguais, vinho de ontem. Talheres ali, garfo e faca. E ela sorri. Carinho.
Senta! - diz. Voz clara e delicada, alta. Voz bonita que ela tem.
Sento-me, e ela volta com o prato japonês. Sirvo o vinho, ela senta. Bebemos, experimento, gosto; Como. Rimos. Muito, ah, se rimos.
Ela se levanta, e exclama: vem pra cá?! Vou.
A cama está linda, há velas e vinho - agora do novo. Há incenso e toalhas, há beijo e fondue. Dedicação.
Há carta e bilhete, pétalas e espuma. Tiro o laço da roupa, bem como eu prometi, e ouço também a música. Boa música.
E a cama agora é um palco, a dois. A luz é só um intermédio entre o teu corpo belo e o meu comportar voraz. Desejo.
E após a insaciedade, o respirar profundo. Olho pro teto, estrelas, dentro do quarto. Escuro.
Não há pular de etapas. Há entrega, confidência, juras. Amor.

Lembro-me de esquecer daqueles meses de dores, bem como já esqueci da maleta e do paletó. Lembro-me de abraçá-la a cada vez que esquecer daquilo que já passou. E
Lembro-me de amá-la muito, com ou sem venda nos olhos, até o fim do velho pulso.



*Texto inspirado em uma das noites de amor mais incríveis que já passei em minha vida. E que vem em forma de agradecimento, por toda a delicadeza em me fazer sentir o homem mais feliz do mundo. Um brinde ao encontro mais estranho que eu já tive, que me deu - um ano depois - o conforto incomparável do seu abraço.

3 comentários:

Priê disse...

Que bom que gostou.
Que bom que eu estava la naquela noite estranha.
Que bom que eu perguntei o seu nome.
Que bom que soltei o cabelo.

Agora sim!

Você me faz uma mulher muito mais feliz.

Priê disse...

Pena que coisas tão bonitas, se perdem no caminho. E o que sobra é nada. A não ser lembranças de algo que parace que nem existiu.

Anônimo disse...

as vezes é bom fechar os olhos e lembrar...




bonita