sexta-feira, 28 de agosto de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Reconheço.


Escapa dos meus dedos o que eu sou. Aliás, o que eu era.
Foge de mim aquela imagem boa, satisfeita e narcisista. Não acho defeito ser assim, desde não haja demasia. E vejo então, que não me encontro. Que hoje o que eu sou já não me deixa tão feliz e a paz que eu procurava – até a que eu, às vezes, tinha – está bem longe daqui.

Adaptei-me a algo que eu não sou. Não sei por que exatamente o fiz, mas foi isso que me tornei e agora estou pagando caro. Primeiro, porque reconheci que esta mudança aconteceu e, droga! Me bato na cara por isso. Segundo, porque não sei como sair daqui deste cubículo cheio de claridade, o que cega mais que a escuridão. A escuridão clareia, mostra, grita! Terceiro, e último, porque faço testes comigo mesmo e estes envolvem outras pessoas, é a parte que eu preferia evitar.

Quando percebi que certas coisas dependem de mim, é que me decepcionei. É assim que estou: decepcionado. Você, que costuma ouvir os meus lamentos, não venha gritar comigo, me chamar à atenção ou me surrar, pois eu já sei de tudo isso. Decepciono-me como quando falava sobre o veneno, sobre o homem na chuva, sobre o detetive, tantos outros. Tantas outras decepções. Tantos outros motivos para a mesma decepção.

Eu queria receber de volta, mea culpa. Abro minha agenda e, cético como todo capricorniano – já dizia L.F. Veríssimo – olho a “frase do dia”: O amor verdadeiro nunca acaba. Quanto mais se dá, mais se tem. Faltou completar, autor, dono da minha superstição momentânea, que não se sabe até quando.

Não achei que meu orgulho subiria em cima de todas as outras coisas. Meu orgulho que vem com minha habilidade de colocar as coisas em seus lugares, e com o cara blasé, de antes. Percebi que, não dando carinho – como fiz por todos os dias da vida – não fui cobrado por isso, e nem mesmo recebi de volta. Não é dando que se recebe, aqui.

Então administro apenas o dom de não ser eu mesmo. Parece fácil para um ator, não é? Bullshit. Vou levando, deixando deste jeito mesmo, camuflando toda a minha vontade de ser a melhor pessoa do mundo. Para os outros, e para mim.

Não sei como consertar, pois perdi a visão para as coisas que estão além. Aprendi (sic) a pensar superficialmente, a ignorar detalhes, a desprender das loucuras e deixar uma rotina destruir meus pensamentos. O trem de ferro precisa de muito mais força para seguir em frente. Café, com pão.

Amanhã ou Depois


Deixamos pra depois uma conversa amiga
Que fosse para o bem, que fosse uma saí­da
Deixamos pra depois a troca de carinho
Deixamos que a rotina fosse nosso caminho
Deixamos pra depois a busca de abrigo
Deixamos de nos ver fazendo algum sentido

Amanhã ou depois, tanto faz se depois
For nunca mais... nunca mais

Deixamos de sentir o que a gente sentia
Que trazia cor ao nosso dia-a-dia
Deixamos de dizer o que a gente dizia
Deixamos de levar em conta a alegria
Deixamos escapar por entre nossos dedos
A chance de manter unidas as nossas vidas

Amanhã ou depois, tanto faz se depois
For nunca mais... nunca mais



*Achei que não fosse precisar colocar a letra inteira, mas é o único jeito de expressar o que eu sinto. Hoje fiz um texto novo que vou publicar em breve, e que eu gostei, aliás. Mas por enquanto, o que eu tenho, é isso.

Força aí

"Amanhã, ou depois. Tanto faz se depois for nunca mais" (Nenhum de nós)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Declare guerra!

(Créditos da Imagem: Capital Urbana)


Vivendo em tempo fechado
Correndo atrás de abrigo
Exposto a tanto ataque
Você ta perdido

Nem parece o mesmo
Tá ficando pirado
Onde você encosta dá curto
Você passa, o mundo desaba

E pra te danar
Nada mais dá certo
E pra piorar
Os falsos amigos chegam
E pra te arrasar
Quem te governa não presta

Declare guerra aos que fingem te amar
A vida anda ruim na aldeia
Chega de passar a mão na cabeça
De quem te sacaneia

Vivendo em tempo fechado
Correndo atrás de abrigo
Exposto a tanto ataque
Você ta perdido

E pra se ajudar
Você faz promessas
E pra piorar
Até o papa te esquece
E pra te arrasar
Nem o inferno te aceita

domingo, 23 de agosto de 2009

Rosa dos ventos.


E do amor gritou-se o escândalo, do medo criou-se o trágico, no rosto pintou-se o pálido e não rolou uma lágrima, nem uma lástima pra socorrer. E na gente se deu o hábito, de caminhar pelas trevas, de murmurar entre as pregas, de tirar leite das pedras, de ver o tempo correr. Mas, sob o sono dos séculos amanheceu o espetáculo. Como uma chuva de pétalas, como se o céu vendo as penas morresse de pena e chovesse o perdão.
E a prudência dos sábios nem ousou conter nos lábios o sorriso e a paixão.
Pois, transbordando de flores a calma dos lagos zangou-se, a rosa dos ventos danou-se, o leito dos rios fartou-se e inundou de água doce a amargura do mar.
Numa enchente amazônica, numa explosão atlântica, e a multidão vendo em pânico, e a multidão vendo atônita - ainda que tarde - o seu despertar.

*Não fui eu, foi o Chico. O Buarque.

Trem de ferro

(Tom Jobim e Manuel Bandeira)

Café com pão
Café com pão
Café com pão

Virgem Maria que foi isto maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Café com pão

Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

Oô..
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pato
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
De ingazeira
Debruçada
Que vontade
De cantar!

Oô...
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficia
Ôo...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Ôo...
Vou mimbora voou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Ôo...

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...


*Um dos meus poemas preferidos, desde a infância. Quem diria que hoje, depois de tanto tempo, faria tanto sentido?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

É, ninguém.

Ninguém pode fazer você sentir-se inferior sem seu consentimento. (Eleanor Roosevelt)

domingo, 16 de agosto de 2009

Mendigo.

Não é vontade de escrever ficção, nem de sair rimando. Não tenho uma melodia parida em chuveiro, ou mesmo o violão aqui por perto. Embora soe, mesmo, estranho, não parece existir menor inspiração. Por mais longe que eu esteja, tenho apenas coca cola, caderno de notas, caneta, e dedos. Três, aqueles da escrita.

Tenho alguma certeza de que não sou mais o que eu era. Eu não sei até que ponto isso é bom ou ruim, mas não me reconhecer em qualquer espelho, até agora, serviu de conforto. Dá aquela vontade de assumir que se está crescendo, hã, besteira.

E aos poucos vou vendo o quanto incomodo. Por ser assim, por deixar que pessoas próximas se contaminem, por não entender algumas coisas. Por depender de certas outras, por ser tão fraco e necessitar mostrar força para se proteger de algo que não quer me atacar.

Percebo também o quanto tenho me desarmado. Eu nunca fui de entregar os pontos, de dar dicas, ou explicar o que está acontecendo. Explicava para as montanhas, para as cachoeiras ou para o volante. De onde, será, que apareceu essa necessidade de contar com alguém? Esse ato nojento de assumir meu egoísmo em vez de escondê-lo até mesmo de mim?

Nunca se explique. Uma vez ouvi isso, e levei bem a sério. Não deveria ter esquecido ou deixado passar, nunca. Explicar é perda de tempo quando o interlocutor não está nem aí para você, e quando mais, o mesmo vai usar suas informações a favor dele próprio. Quem são essas pessoas?

Talvez seja mesmo hora de botar a cabeça no lugar. Estou precisando de ajuda, e da mesma forma que sempre neguei isso a todos os que me ofereceram ou me recomendaram, agora bato nas suas portas e digo sem vergonha alguma: Por favor, me ajude.

Porque talvez esta seja minha última tentativa. Exatamente por ser a primeira vez que procuro alguém para me ajudar que não seja eu mesmo. Também porque eu, de alguma forma, ja sei que isto não vai funcionar (como sempre acreditei não surtir efeito), porém preciso tentar nem que seja uma vez.

E é por não acreditar na boa intenção das pessoas, que eu começo agora: abrindo a lista telefônica.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Paradoxo

Como pode estar casado,
sendo tão bom amante
E quem verá no matemático,
bela alma cantante?

Quem convidou o músico
que nao sabe desenhar
Quem, ao vê-lo de perto
não se encantou pelo olhar?

Foge do meio do povo
Este ser tão simpático
Não frequenta as tais peladas
Ousa dizer que é másculo

E luta em persuasão
Mesmo em qualquer mentira
Cria o lúdico então
Despresível mania

Mas com paciência, espera
Enterra sua ansiedade
Está nervoso, não nega
Não revela outra metade

Não caça grandes ambições
Nem sabe o que é, direito
E sua perfeição, narcisa
Ouve gritar do espelho

Você não vale nada.

domingo, 9 de agosto de 2009

O grande encontro


Dizem que uma grande união, quando se entitulada, jamais pode ser desfeita. Não importa quaisquer contra-tempos que venham a acontecer: será sempre iluminada, sempre bela, sempre forte essa junção.
Assim era a amizade de Gabriel e Luana. Se conheciam desde, já, bem pequenos. No primário, para poder ser mais exato. E eram assim, então, carinhosos um com o outro, que nem sequer sabiam a importância que esse amor de amigo carregava. Era único.
Gabriel, aquele menino de sorriso bonito e cabelo lisinho, foi crescendo. E Luana, a magrinha e clara morena, correu seguindo, e entretanto, amadurecendo também. Meninos são sempre mais bobões. Pelo menos ela pensava assim.
Enfim, com um tapa do tempo nas folhas do calendário na parede, os dois já eram adolescentes. Foram separados de sala há alguns anos, mas nada que os fizesse sentir piores. Suas mães, inclusive adoravam:

- Seu filho ainda vai se casar com a minha pequena!
- É, eu acho que esse amor todo, só pode dar casamento!

E era assim. Cresciam e se gostavam, sempre mais, sempre bem.
Fora as crises que na adolescência apareceram. Com a nova voz de Gabriel e as mudanças no corpo de Luana, veio também o ciúme. Ele era popular, tinha as menininhas bobas ao seu redor e isso deixava a impaciência de Luana a flor da pele. Bem como Gabriel ficava tentando despistar os olhares famintos de puberdade daqueles idiotas que ficavam ali, em cima dela, a ponto de segui-la por quarteirões apenas na esperança de um beijo. Pobre esperança.
Assim que terminaram o colégio, os dois tiveram que enfim se separar. E o mais estranho é que não sentiram, lá, tanta dor. Eram ambos confiantes, e mesmo com namorados diferentes, sabiam do carinho e da confiança que possuíam um para com o outro. Isso jamais morreria. Jamais.

Luana e Gabriel perderam o contato. Tudo porque ele deixou a cidade e foi atrás do seu sonho de ser engenheiro. E como gostou da vida de estudante, nunca mais apareceu. Já Luana, permaneceu ali naquela vida, na mesma cidade, com diferentes companhias. Deixou a vida seguir sem muito rumo ou direção, como costumava dizer, deixou "as coisas acontecerem".

Até que, depois de muito tempo, Gabriel apareceu. De passagem, sim, mas estava de volta naquela cidade, no mesmo bairro, em que costumava viver. Não gostava da idéia da casa de seus pais, mas estava ali como hóspede, e resolveu aproveitar.
Com o convite de vários amigos, não deixou de recusar um deles, para uma festa na chácara Alguma Coisa. Não se lembrava o nome, mas não era lá tão importante assim. Vamos pra festa!
Chegando lá, era aquilo que já estava acostumado, mas em doses menores. Muita música, muita diversão, com direito a pessoas bebendo, se drogando, e, assim, se divertindo.
Gabriel saiu do meio do pessoal para buscar uma cerveja. Embora tímido, pois não conhecia ninguém, parecia animado, feliz. Estava em casa, afinal.

Até que, no meio de toda a bagunça, ele viu. Sua cabeça ficou um pouco desnorteada, confusa, que até parou para olhar de verdade. Era uma turma estranha, ali a fumar e a rir feito idiotas - coisa que ele não apreciava muito era qualquer tipo de droga - e a quebrar garrafas e fazer bagunça.
Mas o que mais o intrigou não foi exatamente as atitudes, mas não conseguia acreditar que ela estava ali no meio. Não pôde, sequer, confundir: era Luana, em feição, gestos e jeito.
Ficou olhando fixamente, paralizado na mesma posição, até que ela percebesse. Não sabia, mesmo, se ela tinha lucidez para isso, mas sentiu um nojo que tomou seu instinto. Perdeu a vontade de pegar a cerveja, de estar ali, de ter deixado a cidade, ou até de ter voltado para ela.
Luana, no meio de todo aquele movimento, percebeu aqueles olhos fixos e não quis acreditar. Esforçou-se para levantar ali do meio, e um tanto quanto confusa, saiu da fumaça para ir até a direção dele, que já tinha os olhos razos d'água. Depois de tantos anos, se encontraram, então.

Aí é que Luana se desmontou. Aquela jovem entorpecida, fazendo gestos e conversando qualquer assunto idiota, rindo de qualquer coisa e, assim, se fazendo de superior: desabou. Desabou ao olhar Gabriel, seu velho amigo, ali parado. E, ao contrário dela, estava lúcido, bem vestido e, melhor, bem comportado. Não precisava de nada daquela sujeira para se sentir bem, o que a levou pra uma tristeza súbita.

- Oi? - disse Gabriel com toda aquela ironia que jamais perdeu ao longo do tempo.
- Me perdoe por te fazer sentir isso...
- E..e..eu...não posso acreditar. Luana, não posso. Não vou admitir ver a minha Luana deste jeito, nem me perdoar por ter te deixado assim. Linda, o que foi que você se tornou?
- Eu não sei mais quem eu sou, meu amor. Não sei mais o que é se divertir se não com meus peguinhas, com minhas festas cheias dessas coisas. Estou envergonhada de você me ver neste estado, pois eu esperava não te encontrar nunca mais. Esperava te ver um dia, depois de muito tempo, quando tudo já tivesse se acertado.
- Vem comigo, vamos embora?

Luana pensou. Mas não seria essa ida embora da festa de loucuras que ia tirá-la do meio de tudo isso, então resolveu negar o convite, e ficar por ali, mesmo.
Já Gabriel, fez exatamente o que deveria ter feito: foi embora. Foi-se embora e a cada marcha sentia mais dor de tê-la perdido para este mundo sujo e cheio de contras.
Ela, ali naquele barulho todo, só sentia nos ombros o peso de ter deixado para trás aqueles sorrisos espontâneos (já que agora eram produzidos por qualquer substância), o amor de sua mãe - que agora a tratava como um bixo, um ser estranho - e também o carinho de pessoas como Gabriel, que realmente acreditavam nela.

Tudo na vida pode ser consertado. Tudo pode mudar. Porém, não assim. Não agora. Não tão já.

sábado, 8 de agosto de 2009

Pensamento VII

A vida vai passando rapidinho, sem deixar a gente nem cumprimentá-la. Sem deixar a gente nem reconhecê-la.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Confissões II


A parte que ninguém sabia é que desta vez era pra valer, pra ser de verdade. Foi quase como começar do marco zero, porém, eu o coloquei onde achei que deveria. E embora tantas agruras, e os contra-tempos dessa vida, eu falei sério quando disse sim.

E agora é tão difícil ver essa porta assim, aberta com tanta facilidade. Para mim ela estava trancada, e se dependesse de mim, ainda estaria assim. Mas, não.

Olho para minhas roupas, todas já fora dos cabides, e faço as únicas coisas que tenho feito por esses dias a fio: olhar no celular, rezar e pensar.

Enquanto lá fora as horas voam, aqui dentro minutos se arrastam em volta dos meus pés. E a cada vez que respiro fundo, ando de um lado para o outro no quarto, faço rodeios. Horas depois consulto o relógio: lá se foram três minutos.

Eu que não sei deixar nada para depois, quem dera deixar pra sempre. Pois fiz uma promessa para meu orgulho, de que se fosse para sair daqui, iria ser para muito, muito longe. Ainda não escolhi qual planeta.

Aqueles defeitos que assumi para poder resolver conversas e evitar reticências agora vêm me cobrar, e me fazer enxergar certas coisas que eu havia escolhido, por fraqueza e, talvez, tendência, ignorar.

Com eles, chega também o surrado ego, carregando uma caixa enorme cheia de conceitos. De brinde, souvenir: preconceitos. E é só espalhar tudo isso sobre a mesa, pra tentar, enfim, montar alguma coisa.

Lutando com estes inimigos que me corroem o estômago é que me vejo assim no espelho: um vulto. Penado e fraco, com uma rosa vermelha na mão, a destoar com sua bela aparência e fragrância, e a me lembrar que quem me trouxe aqui, carregado, foi o amor.

Confissões

Quando me vejo, assim, paralizado
Num filosofar até demasiado
Não sinto-me amadurecendo
Pior
Sinto meu limite
Pois na loucura, adoeço em silêncio
Pois da loucura, tiro o tal silêncio

Mas o que me prende, mesmo, neste inferno
É o paraíso das verdades que me contaram
No tempo que eu acreditava neles
Me perdi nas próprias mentiras
E me tornei uma farsa, uma peça
Só diferente em essência

Prego a responsabilidade
Talvez para esconder fraquezas
E falo tanto em lealdade
Mesmo que não na verdade
Porque entendo de transparência
Porque aprendi pela força bruta
Mas não aquela do vergão na pele
A ser o ator egoísta
E a esperar pelo aplauso
A esperar em pé.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Rapidamente.


Que falta tem me feito escrever por aqui. Na verdade, sinto falta de ter tempo, de ter lacunas diárias para serem preenchidas com minha dedicação a este espaço. E é para explicar isto tudo que, infelizmente de forma rápida, passo por aqui.

Discordo daquele que diz que quem não tem tempo não pensa besteiras. Em verdade, a cabeça vazia realmente é a oficina do cara lá de baixo, mas este fato não impede que qualquer um produza os próprios pesadelos na hora que bem entender (ou que bem se notar assim que já estiver se enforcando nas próprias frases).

Também não significa que só tenho pensado besteiras. Pensar, não é uma questão de escolha. Tenho vivido ótimos momentos, coisas lindas e amáveis das quais não me esqueço, pelo contrário, guardo todas em algum lugar por aqui. As idéias continuam a fazer a engrenagem rodar e enquanto esta o fizer, cá estarei eu a desbravar a perigosa selva dos pensamentos e a descobrir novos horizontes por detrás das terríveis matas fechadas e repletas de escuridão.

Por isso, ao toque das machadadas que escuto lá de longe, ao assoviar do vento por entre as compridas árvores pelas quais eu ando entre, e ao conforto da luz solar que insiste em invadir os poros do topo da mata e marcar as folhas no chão é que eu encho o peito de ar e reconheço: o lenhador não morreu.