terça-feira, 4 de agosto de 2009

Confissões II


A parte que ninguém sabia é que desta vez era pra valer, pra ser de verdade. Foi quase como começar do marco zero, porém, eu o coloquei onde achei que deveria. E embora tantas agruras, e os contra-tempos dessa vida, eu falei sério quando disse sim.

E agora é tão difícil ver essa porta assim, aberta com tanta facilidade. Para mim ela estava trancada, e se dependesse de mim, ainda estaria assim. Mas, não.

Olho para minhas roupas, todas já fora dos cabides, e faço as únicas coisas que tenho feito por esses dias a fio: olhar no celular, rezar e pensar.

Enquanto lá fora as horas voam, aqui dentro minutos se arrastam em volta dos meus pés. E a cada vez que respiro fundo, ando de um lado para o outro no quarto, faço rodeios. Horas depois consulto o relógio: lá se foram três minutos.

Eu que não sei deixar nada para depois, quem dera deixar pra sempre. Pois fiz uma promessa para meu orgulho, de que se fosse para sair daqui, iria ser para muito, muito longe. Ainda não escolhi qual planeta.

Aqueles defeitos que assumi para poder resolver conversas e evitar reticências agora vêm me cobrar, e me fazer enxergar certas coisas que eu havia escolhido, por fraqueza e, talvez, tendência, ignorar.

Com eles, chega também o surrado ego, carregando uma caixa enorme cheia de conceitos. De brinde, souvenir: preconceitos. E é só espalhar tudo isso sobre a mesa, pra tentar, enfim, montar alguma coisa.

Lutando com estes inimigos que me corroem o estômago é que me vejo assim no espelho: um vulto. Penado e fraco, com uma rosa vermelha na mão, a destoar com sua bela aparência e fragrância, e a me lembrar que quem me trouxe aqui, carregado, foi o amor.

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