segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O grande encontro (Parte I)



Entro no carro e me tranqulizo: ai que frio que está lá fora. Coloco a chave na ignição, óbviamente mecânico, e com a outra mão já puxo o cinto de segurança pra cá. Olho no retrovisor:
- Ai meu Deus!
- Chamando aos céus a essa hora? - ele diz, com tom de quem tem segurança.
- Qu-Quem é..você?!
- Eu? Não está me reconhecendo, rapaz? Eu sou você! Ou não percebe a semelhança?

E era. Por todos os espelhos retrovisores da face da terra: era eu! Eu ali, no banco de trás, ai-meu-Deus - repeti em pensamento.

- Eu estou vendo que você sou eu, ou eu é que sou eu, ah, sei lá!
- Hahahahaha...
- Seja lá quem você for, ou quem eu seja, o que você está fazendo aí atrás? Tenho cara de taxista? Passa aqui pra frente logo!
- Ta tudo bem, vou pra frente porque seu ego é mesmo uma merda.

Abriu a porta e saiu do carro. Apertou o pino da trava e bateu a porta, abriu a da frente, com a minha mão, o meu jeito de abrir, de olhar a borrachinha da porta escapando, tudo! Entrou no banco do passageiro...

- Ah, o passageiro, como gosto deste nome! - exclamou com o mesmo ar de superior
- Não achava que este meu tom de arrogância era tão irritante
- Talvez dizer aos outros o quanto você é chato pode ser até engraçadinho, mas chegou a hora de você realmente ver o quanto é. E ah, por gentileza, dirija. É perigoso aqui, você sabe né?
- É. - Concordei, dei partida no carro e saí calmamente, olhando nos espelhos e no marcador do consumo.
- Ou será que você esqueceu o quanto é sistemático?
- Hey! - exclamei - Você quer fazer o favor de parar com isso? Veio fazer o que aqui, me jogar na cara meus defeitos? Ou alguém no mundo se lembrou que ando precisando de companhia? Quem diabos é você, afinal?
- Calma lá, calma lá! Enumera as perguntas pra você entender melhor as respostas, e quem fala muito "diabo" um dia o vê, esqueceu?
- Humpf...
- Eu sou você, seu ego, seu orgulho, sua consciência e seu respeito por si próprio. Sou seu amor pela vida, sua poesia e seu sistematismo. Sou teu cansaço de fim de tarde, sua necessidade de ser exclusivo, seu charme e sensualismo, sua inteligência mal explorada, seu humor e sua bipolaridade hipócrita.
- Nossa! Que prazer em te ver...
- Tá vendo o que falei do humor?
- A gente vai parar ou eu vou ficar gastando meu combustível aqui a madrugada toda, posso saber?
- Ah, esqueci, eu sou o escorpião criado dentro do seu bolso, também.
- Ha-ha-ha, e é piadista ainda...

Estava confuso, não sabia direito o que significava aquilo. Era eu, eu! Como assim eu ter me olhado no espelho hoje e agora encontrar com quem estava do outro lado? Como assim eu encontrando comigo? Minha consciência? Por Deus, eu ando bebendo café demais...



continua...

Um comentário:

Érika disse...

É... agora me deixou sem palavras rs. Beijos, obrigada