terça-feira, 22 de setembro de 2009

O grande encontro (Parte II)




- Vou parar aqui
- É, acho que aqui está bom, sim. - ele disse, com aquele meu tom de metido que cada vez me fazia mais subir o sangue à cabeça.
- Vamos beber alguma coisa, quero saber o que você está fazendo aqui.
- É: você vai. Eu só vou falar, mesmo.

Entramos no bar, ou entrei no bar? Sei lá, ainda não estava entendendo muito bem o que acontecera comigo. Minha consciência aparecendo pra conversar comigo? Será que eu estou mesmo enlouquecendo, depois de já pensar - por tanto tempo - que eu tinha tendência pra isso?

- Tá certo, agora me fala, o que você fazia ali no banco de trás do meu carro, me esperando?
- Estou aqui não é de hoje, mas senti que você anda precisando de ajuda - aliás - você sentiu, e é por isso que eu estou aqui na sua frente.
- Hum, prossiga
- Ouvi sua última conversa consigo mesmo, lá, deitado na cama de olho pro teto. Você quer melhorar, queria as vezes ser menos isso, mais aquilo, e aquele blá blá blá todo. Essa, por enquanto, não é a parte mais importante. Eu quero saber o seguinte: O que você faz aqui?
- Como assim o que EU faço aqui? Eu estou aqui tentando ficar bêbado e ver se você desaparece!
- Não brinca com isso vai? Só me diz, por que você acha que está aqui, estivesse você neste bar ou em casa de frente para o Denzel Washington.
- É o seguinte: a vida é mesmo este conjunto de possibilidades, é um grande aglomerado de coincidências, contra as quais lutamos para evitarmos grandes consequências.
- Você já ouviu isso antes, não me diga que é seu.
- Não, não é. Mas é marcante, fala aí?
- Aposto que sim - afirmou e bocejou, me provocando instintivamente. Mas me fale mais, me fale por que está aqui, você ainda foi muito superficial para o meu questionar!
- Ah, tá certo. Estou aqui porque escolhi. Porque as atitudes que tomei, com as pessoas que conheci e de frente para as situações que tive que passar, me trouxeram até este exato momento. E ah, porque eu sou um tremendo egoísta também.
- Não me diga por enquanto quem você é. Eu já sei disso, esqueceu? Que eu sou você?
- Humpf, mea culpa.
- E nosso latim é desprezível, não ouse abusar dele.
- Nosso?!?! Como assim, nosso?? Que papo é esse? Que nosso, o que?! Eu não sei quem é você, não sei o que você faz aqui, não sei nem se devo mesmo falar tudo isso só porque você tem a mesma aparência física da imagem do meu espelho!

Naquela hora fiquei completamente irritado. Não sei bem por que, tudo estava muito estranho, nao entendi bem por que estava fazendo tudo isso, mas de alguma forma sabia que deveria fazer seguir, que não deveria fugir. Embora confuso, resolvi continuar, podia ser muito interessante.

Mais ainda...


Um comentário:

Érika disse...

Assustadoramente encantador...