terça-feira, 8 de setembro de 2009

Social.

É bem frustrante essa questão de sociedade. E, baseado nessa frustração, é que me tornei esse alguém tão sozinho. Não, não entenda como lamento!, apenas como constatação, e como parte integrante daquela crise existencialista.

Na minha cidade natal, uma cidade qualquer no interior de um estado qualquer, fui à um restaurante. Um lugar cujo qual sempre odiei devido às pessoas que o frequentam e ao status que é aplicado a quem ali aparece. Prefiro não entrar em detalhes, entretanto o foco é que, estourou meu potencial anti-social. É, ali mesmo, aquela habilidade de esquecer de todas as pessoas e de não olhar para ninguém, apenas para o prato. Coisa chata, confesso.

Não sou lá o melhor "parceiro", daqueles de encontrar, abraçar batendo forte nas costas, perguntar da irmã e etc., mas tenho direito de gostar de me comunicar com quem me apetece e, principalmente, da maneira que eu considerar correto.

Aí depois de toda a análise, vem a parte cabeça dura de todo o contexto: não estou, lá, tão interessado em ser "social". O que acontece com a individualidade, que por mais que me incomode em determinados aspectos - realçando: quando à dois - agora fica tão desejada?

Não sei se gosto desta minha característica. Na verdade, é a primeira vez que paro para pensar a respeito dela (exceto nos momentos de criação de identidade e talicoisa), e não me surpreendo ao rever conceitos que já passaram por aqui.

Passei a preferir a metrópole quando comecei a lidar com a frieza e com a solidão, assim, bem de perto. Foram tantas noites aguardando por nada, mas pensando em tudo, divagando e vivendo comigo próprio. Sâo, aliás, tantos anos que fico assim, que me faz diferença ir a um lugar onde me incomodo. O desprezo e a indiferença têm seu ar de benefício, quando te deixam se virar sozinho. Legal, isso: o mesmo que te fere, te cura. Fantástico!

Prefiro ser, então, este solitário passageiro. O lenhador em busca de toda selva, com a habilidade de se excluir da festa - metafóricamente falando - se transformando em uma câmera, só analisando comportamentos e vivendo em um constante laboratório. Prefiro dirigir por vários quarteirões apenas pensando naquela poça d'água em que pisei ao abrir a porta do carro, dividindo minhas preocupações entre o meu jantar e a luz do óleo, que acabara de acender. Lutando para ter condições de, um dia, traçar uma meta. Não há meta a se traçar quando não se consegue imaginar o que se quer ser, concretamente idealizado, daqui a cinco anos.

Por enquanto, estou pintando este quadro. Sozinho.

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