terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ouro

Gosto de aparecer assim, quando tudo parece perdido. Me vejo as vezes isolado, quase que indeciso se vou ou se fico, e mais uma série de diferenças entre tantos e tantos maiores que eu. Alguns olhares despertam atenção para minha aparência, alguns pedem minha aparição assim, logo de cara, como se ninguém ainda estivesse ali, e eu chegasse chegando. Gosto de surpreender, de despertar misteriosos desejos, de instigar o poder até daqueles mais fracos, que se vêem fortes em qualquer momento de sorte. Sou, muitas vezes, o mais tímido. Faço do inimigo minha principal arma, aqueles mais fortes entre os menos potentes. Mas quando chega alguém assim, de preto e que se faz presente, logo abro o jogo e digo: Não posso! Sou fraco demais para isso.

Mas quando fico para as últimas, aí sim é que provoco tentações. Sou tão singelo que causo risos, pois ninguém consegue me segurar. Morro, mas não empato. Capivara no barranco: sou dos fortes, o mais fraco.

Não ouse blefar, porque eu perco. Não confie em mim! E se eu saio em qualquer rodada e alguém ousa: Truco! Corta esse pica fumo e pronto, estou morto. Morro, mas não empato.

Um comentário:

Renato Menezes disse...

"Morro, mas não empato". Esse é o espírito.
"Dos forte, o mais fraco", és pica fumo.
Semioticamente perfeito.