sábado, 28 de novembro de 2009

Mais forte.

"A feiúra é mais forte que a beleza. Pois a beleza tem prazo de validade, porém a feiúra, esta é pra sempre."

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O grande encontro (Parte IV)




- Medo. Medo de não conseguir controlar. Este é o meu principal medo: de perder a situação das mãos, e de deixar as coisas fluirem naturalmente. Não acho que as "coisas" se resolvam sozinhas, nem em mim, nem em ninguém. Este papo de deixar a vida correr é pura besteira, e é disso que tenho medo, de - a hora que eu me der conta - a vida já estiver lá longe, já tiver corrido de mim, escorregado, entende?

- Sim, acho que sim - ele respondeu franzindo a testa, como quem tem algo a dizer - pois vejamos, você que sempre ouviu todas as coisas que ouviu sobre o quanto é responsável, inteligente, dedicado...humpf! besteira, cara! Acorda, que essa imagem existe mesmo, mas você tem que saber administrar, senão perde. Aliás, ja perdeu: pra sua insegurança, pra seus desejos incontidos, e pra esse veneno que você insiste em injetar a cada vez que quer se sentir pior. Você se derrubou, para pra pensar!

Congelei. Pensei, como sempre. Ou pior: olhando fixamente para um espelho que se movia diferente, minha imagem exata. Meus olhos nunca me amedrontaram tanto.
Então com muita calma, resolvi contar a verdade:

- O problema não está exatamente aí. O problema está aqui dentro. Não posso mais conviver com determinadas verdades, não consigo visualizá-las em outras pessoas e não tenho poder sobre isso. Simplesmente pelo fato de que está tudo aqui, em meus emaranhados pensamentos. E alguma poetiza por aí estava certa: A gente só tem medo daquilo que está dentro da gente, e isso é o que mais me apavora: a realidade. A minha realidade, sendo projetada em outras vidas, em outros universos. O universo das possibilidades é sempre infinito.

- Uau! Agora eu to gostando, acho que estamos chegando a um acordo, hein! Fale mais, fale mais...é bom ver que você voltou ao meu encontro.

É, eu voltei e, ao que me parece, "agora pra ficar"...

domingo, 22 de novembro de 2009

Entre o céu e o inferno



Cristina Ricci is fucking crazy.

Visita à selva




Chego na selva. Olhos atentos a todos os lados, ouvidos e percepção aguçada (pensava, por um instante, ter perdido isso), eu vim pra ver como anda este lugar.

Deixei este lugar de lado. Embora sei que este seja "o" lugar, este é o meu lugar, e é aqui eu que eu tenho que estar. Deixei este lugar de lado para correr atrás daquilo que me condena e me escraviza: a fome. Deixei este lugar de lado, mas estou de volta.

Não sei quanto tempo foi, se alguns meses, ou quem sabe alguns dias que fiquei longe. Não importa. Em visitas esporádicas é que construo minha moradia em meio a essa forte chuva de pesadelos, e é me escondendo por debaixo das cabanas feitas de mato e de mentiras é que visto minha máscara, para me defender dos ataques dos animais selvagens e das fraquezas do meu egocentrismo. Dá medo. Mas, vambora.

Parece que está tudo abandonado, as coisas estão calmas por aqui, não vejo grandes movimentos. De qualquer forma, já entrei, e preciso ver se está tudo certo, ou se existe alguma ameaça. A selva existe, em cada um sabe (ou deve saber) bem como cuidar dela. Cada um deve saber o tamanho e os perigos que rondam o interior da própria selva. Mas não, a maioria, não se preocupa tanto. Tudo bem.

Vou desbravar mais um pouco, para ver o que encontro. Vou alimentar a esperança de lembrar que isso aqui é realmente um bom lugar. Que é bem melhor estar aqui do que lá fora, trabalhando pra pagar o que comer, pra ter energia pra trabalhar.

Que saudade das madrugadas a fio com coca-cola e muito assunto.


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Hoje, não.



Eu sento na calçada com meu violão, e toco todas as músicas que me fazem sentir só. Aprecio a solidão, e as pessoas "normais" nunca entenderam isso. Talvez nunca entenderão...

Talvez.

A cada melodia que sai chorando, trago memórias de bons momentos em minha mente. Os mais recentes, porque este foi o trato. Fiz um pacto comigo mesmo, de que iria reviver em mim somente os bons momentos, exatamente para isso, para ter certeza de que eles ficarão aqui dentro, para sempre.

Tudo fica para sempre.

E a solidão tem gosto de quem acolhe bem, com sinceridade. A solidão é o sentimento mais sincero e ao mesmo tempo mais desonesto que existe. Explico. É o sentimento mais sincero pela clareza e cumplicidade: é você e você, e ninguém mais. Tem coisa mais objetiva e "preto no branco" do que isso? Ao mesmo tempo que a solidão é um sentimento de falsidade, porque não há nada mais falso do que a gente mesmo.

É verdade! Não adianta querer dizer que se é diferente: todos somos iguais, nos enganamos, mentimos pra nós próprios, mentimos para os outros e nos deixamos enganar, e enganamos também, e consertamos uma mentira com outra pra ver se melhoramos, mas acabamos por piorar ainda mais a situação. E imagina esse rolo todo com você sozinho, no meio de uma auto-afirmação? Terrível.

E é por essas e tantas outras que aprecio estes momentos de isolamento do mundo real. Porque primeiro que não há nada mais sujo e nojento do que o mundo real. Segundo que, tão sujo e nojento quanto, é o que a gente tem dentro da gente. Mas além de todo esse podre, somos um bando de egoístas, e fazemos questão dessa enganação. Então é aí que se isolar fica muito melhor: pensamos que estamos bem, brincamos de nos distrair, e de ser foda.

Não somos.

O fato é que só quem me conhece mesmo sabe da onde é que vem tudo isso. É bem mais complexo do que parece, porém bem menos exato do que essas frases afirmativas tentam cercar.
A vida é um universo de possibilidades.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Impressões

Parece que aquilo que eu sempre falei pra mim mesmo, frente ao espelho, que precisava que acontecesse para que eu pudesse viver tranquilamente dentro daquelas condições, aconteceu hoje. Não sei ao certo, por isso estou indo dormir, que é pra ver como acordo amanhã. Se eu acordar com a mesma sensação de fortaleza que eu estou sentindo agora, muita coisa irá mudar.
Se for mesmo, que pena, porque aconteceu tarde demais. Bem que me falaram que eu só ia conseguir, mesmo, quando eu parasse de tentar.

sábado, 14 de novembro de 2009

Sinal Fechado

Só assista se estiver preparado: http://www.youtube.com/watch?v=minBYEaXy7k


Sinal Fechado

Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...

Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...

Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem

Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?

Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)

Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança

Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...

Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...

Até o fim

Convite




Sentei naquela mesa de plástico. A 22. E os dois que estavam comigo sentaram nas cadeiras ao meu lado, estando um de frente para o outro. Ninguém em minha frente, só ela.

Pedimos uma bebida e começamos a conversar, aquela conversa boa, sem preocupação. Eis que a vi: curiosamente na minha direção, duas ou três mesas à frente, e virada de frente para mim. No mesmo momento em que a encontrei, ela me encontrou. Tenho certeza que ela me viu! Olhou para meus olhos, como quem pergunta "O que faz você olhando assim para os meus olhos?", e logo saiu do foco. Elas (quase sempre) são assim, precisam de algo mais para conseguirem fixar um olhar. Dei um sorriso daqueles de canto de boca, de quem se sente "o bom", e pus meu foco na mesa.

Mas foi no primeiro copo que minha dureza desabou. Ah, o poder da beleza feminina. Ao terminar o primeiro gole, coloquei o copo sobre a mesa, e quando olhei para minha frente é que percebi: a menina dos cabelos pretos cacheados, da pele branquinha e de mãos pequenas e, com toda certeza, lindas, estava de vestido. Um vestido rosa, milimetricamente exato o tamanho para me provocar um arrepio de dar até frio. Aquelas pernas branquinhas por debaixo da mesa, cruzadas, e envolvidas por poucos centímetros de vestido visíveis, me hipnotizaram. E ela percebeu.

Entre um ou outro gole, tentava controlar os batimentos, e tentava não fixar aqueles joelhinhos um em cima do outro, implorando para serem beijados. E em uma dessas mudanças de foco, enquanto eu suspirava pensando "Meu Deus...", olhei em seus olhos, e ela nos meus. Ali ficamos presos, olhos nos olhos, fixo. Eu com um olhar submisso à tal sedução, e ela com um olhar poderoso, de quem manda na situação. E manda.

Era o que ela precisava para fixar os olhos nos meus. E após segundos de olhar sem qualquer interrupção, ela resolveu jogar: e descruzou as pernas. Ahhh eu não saio vivo daqui hoje, pensei. Ela sorriu, maliciosamente, e continuou a olhar nos meus olhos, como quem não permite que eu tire dali meu olhar. Falha terrível, não pude evitar: desci rapidamente e medi cada centímetro de distância entre uma perna e outra, cada detalhe daquele desenho que formava entre a sombra daquelas pernas lindas e rijas. Aquele convite.

Até que ela terminou com a crueldade: cruzou novamente as pernas. Desta vez, a perna direita sobre a esquerda, o que me fez olhar imediatamente em seus olhos, e ela entendeu o recado. Quero mais.
E sorriu, de novo, maliciosamente. Desta vez, com o outro canto da boca. Bebeu mais um gole, e me despistou. Pra sempre.

domingo, 8 de novembro de 2009

A melhor coisa que te aconteceu.



Essa é a estória do rei e de seu conselheiro. Todos os dias saía o rei para a floresta, pois gostava de caçar. O rei gostava de ser o caçador mais bem reconhecido de seu próprio reino e, por isso, praticava. Assim, como em todos os seus passos, ia acompanhado de seu conselheiro.

Não havia nada que o rei fizesse que seu conselheiro não o ajudasse, com as sábias palavras girando em torno de mil significados, dentro de seus conselhos. E assim seguiam, a caçar, os dois.
Porém em um destes dias de caça, ao tropeçar em um galho seco preso a algumas raízes de árvores, o rei caiu de frente para algumas flores cheias de espinhos. Ao esticar os braços para tentar se apoiar, o rei bateu uma das mãos em uma fatia cortante de uma planta. Com isso, o seu dedo mindinho foi cortado, amputado.

Com a ajuda de seu conselheiro, o rei fez um curativo e voltaram para o reino. Quando chegaram, o conselheiro lhe disse:

- Majestade, a perda deste dedo, foi a melhor coisa que te aconteceu!

Sem entender, o rei ficou irritadíssimo! Como pode o conselheiro, que sempre foi tão sábio, dizer uma grande besteira dessas? Como pode ser tão ousado? E tomado por essa ira contra o próprio conselheiro, o rei o prendeu e lá o deixou, sem a própria família, preso em seu castelo.

Depois deste dia suas caçadas começaram a ser assim, sozinhas, mesmo. Com algumas dificuldades de encontrar o caminho - afinal, sem a ajuda do conselheiro - o rei acabou indo parar em uma tribo de canibais! Desesperado, o rei foi capturado pelos canibais e, mesmo sem entender uma sequer palavra, sabia que seria devorado mais cedo ou mais tarde.

Porém, ao chegar o líder do grupo de canibais, o mesmo deu um grito bem alto, ordenando qualquer coisa que fosse parecida com um "Parem!". O líder chegou mais perto do rei, e apontou a falta de seu dedo mindinho. A falta de qualquer parte do corpo significava doença, imperfeição, o que impedia a tribo de devorar o aflito rei.

Assim no caminho de volta, mesmo voltando correndo para não encontrar com qualquer canibal faminto nunca mais, o rei só pensava em seu conselheiro. Quanta sabedoria! Pois se o rei não tivesse perdido seu dedo um dia, teria sido devorado pela tribo. Realmente, a perda de seu dedo, foi a melhor coisa que já lhe aconteceu.

Seguiu o rei direto para a prisão onde se encontrava o conselheiro, para lhe contar o ocorrido. Quando o rei terminou de contar da escapatória, pediu perdão ao conselheiro, por tê-lo prendido sem entender o que tais palavras significavam. Então, o conselheiro o respondeu:

- Você não precisa pedir perdão de nada, Majestade. A melhor coisa que me aconteceu, foi você ter me prendido aqui. Pois se eu não estivesse preso, e estivesse junto a ti, quem ia ser comido seria eu, afinal, tenho todos os dedos das mãos.





*Existem coisas em nossa vida que acontecem inesperadamente. O que aconteceu ontem, independente da dor irreparável, foi a melhor coisa que me aconteceu.

Do fundo do meu coração



Não volte nunca mais pra mim.



*Lembra quando esta musica tocou, no mesmo show do vídeo, e eu chorei, e você não entendeu o porquê? Então, ta aí. Eu sabia que um dia teria de cantá-la. E essa hora, definitivamente, chegou.

sábado, 7 de novembro de 2009

Sobre a responsabilidade


Não é de hoje que é preciso pensar antes de agir. É, talvez nem todos sejam da mesma opinião, pois há quem se permita enlouquecer e perder a noção do que é certo. Entretanto o fato é que a responsabilidade corre por aí, lado a lado, com a consequência.

Explico. E começo pela parte mais difícil: a hora do acerto. Independente de qualquer situação, somos forçados a tomar decisões, e é tomando decisões que fazemos a nossa vida, que escolhemos dentre as possibilidades. Pois bem. Se ao tomar-se tal decisão, se deixar de analisar todo o círculo de possibilidades em volta das reações decorrentes dela, tem-se uma bola de neve. Uma sequência de ocorrências que não se previu.

E agora? E se não tiver responsabilidade sobre os próprios atos?

Saber reconhecer quando se é responsável, quando a "culpa a sua", quando sua batata vai assar, é um dom. E saber dizer, principalmente, se você pensou ou não antes de tomar suas atitudes, é um sinal fantástico de auto-reconhecimento.

Até no meio da loucura, é preciso tê-la, a tal da responsabilidade. Mesmo porque, sabendo ou não que se quer extravasar o suco do que é certo, se deve lembrar que amanhã é outro dia e que o mundo há de girar bem rápido. Mais do que se pode calcular.

Então falo da parte mais fácil: a reputação. Essa é questionável e, muitas vezes, ignorada. Porém penso da seguinte forma: poucas coisas ficarão na vida - após a nossa morte - além do próprio nome. Por isso penso na importância de se fazer merecer cada passo, pois você há de ser lembrado, pelo bem ou pelo mal. Você pode até não se preocupar com o que os outros pensam, e aliás nem precisa, porque não faz tanta diferença. Hoje.

Ser responsável pelos próprios atos é questão de idoneidade, de honra. É mais que assumir, reconhecer: é pegar para você. E quando se sabe exatamente o que foi feito, é que se deve passar por cima do orgulho e do ego juntos, e dizer: sim, eu sou responsável por isso, e assumo as consequências.

E o pior é que sempre que percebe-se isso, é que se pensa: devia ter visto isso. Ontem.


Em tempo:
1 - Não, não vou ser pai.
2 - Minha vida as vezes é mesmo muito chata.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pensamento VIII

Qual é a pior parte da sensação de se sentir enganado: A dor ou a vergonha?