sábado, 14 de novembro de 2009

Convite




Sentei naquela mesa de plástico. A 22. E os dois que estavam comigo sentaram nas cadeiras ao meu lado, estando um de frente para o outro. Ninguém em minha frente, só ela.

Pedimos uma bebida e começamos a conversar, aquela conversa boa, sem preocupação. Eis que a vi: curiosamente na minha direção, duas ou três mesas à frente, e virada de frente para mim. No mesmo momento em que a encontrei, ela me encontrou. Tenho certeza que ela me viu! Olhou para meus olhos, como quem pergunta "O que faz você olhando assim para os meus olhos?", e logo saiu do foco. Elas (quase sempre) são assim, precisam de algo mais para conseguirem fixar um olhar. Dei um sorriso daqueles de canto de boca, de quem se sente "o bom", e pus meu foco na mesa.

Mas foi no primeiro copo que minha dureza desabou. Ah, o poder da beleza feminina. Ao terminar o primeiro gole, coloquei o copo sobre a mesa, e quando olhei para minha frente é que percebi: a menina dos cabelos pretos cacheados, da pele branquinha e de mãos pequenas e, com toda certeza, lindas, estava de vestido. Um vestido rosa, milimetricamente exato o tamanho para me provocar um arrepio de dar até frio. Aquelas pernas branquinhas por debaixo da mesa, cruzadas, e envolvidas por poucos centímetros de vestido visíveis, me hipnotizaram. E ela percebeu.

Entre um ou outro gole, tentava controlar os batimentos, e tentava não fixar aqueles joelhinhos um em cima do outro, implorando para serem beijados. E em uma dessas mudanças de foco, enquanto eu suspirava pensando "Meu Deus...", olhei em seus olhos, e ela nos meus. Ali ficamos presos, olhos nos olhos, fixo. Eu com um olhar submisso à tal sedução, e ela com um olhar poderoso, de quem manda na situação. E manda.

Era o que ela precisava para fixar os olhos nos meus. E após segundos de olhar sem qualquer interrupção, ela resolveu jogar: e descruzou as pernas. Ahhh eu não saio vivo daqui hoje, pensei. Ela sorriu, maliciosamente, e continuou a olhar nos meus olhos, como quem não permite que eu tire dali meu olhar. Falha terrível, não pude evitar: desci rapidamente e medi cada centímetro de distância entre uma perna e outra, cada detalhe daquele desenho que formava entre a sombra daquelas pernas lindas e rijas. Aquele convite.

Até que ela terminou com a crueldade: cruzou novamente as pernas. Desta vez, a perna direita sobre a esquerda, o que me fez olhar imediatamente em seus olhos, e ela entendeu o recado. Quero mais.
E sorriu, de novo, maliciosamente. Desta vez, com o outro canto da boca. Bebeu mais um gole, e me despistou. Pra sempre.

Um comentário:

naakey disse...

hahaha não sei porque, mas consegui visualizar cada palavra que escreveu em minha mente!