domingo, 8 de novembro de 2009

A melhor coisa que te aconteceu.



Essa é a estória do rei e de seu conselheiro. Todos os dias saía o rei para a floresta, pois gostava de caçar. O rei gostava de ser o caçador mais bem reconhecido de seu próprio reino e, por isso, praticava. Assim, como em todos os seus passos, ia acompanhado de seu conselheiro.

Não havia nada que o rei fizesse que seu conselheiro não o ajudasse, com as sábias palavras girando em torno de mil significados, dentro de seus conselhos. E assim seguiam, a caçar, os dois.
Porém em um destes dias de caça, ao tropeçar em um galho seco preso a algumas raízes de árvores, o rei caiu de frente para algumas flores cheias de espinhos. Ao esticar os braços para tentar se apoiar, o rei bateu uma das mãos em uma fatia cortante de uma planta. Com isso, o seu dedo mindinho foi cortado, amputado.

Com a ajuda de seu conselheiro, o rei fez um curativo e voltaram para o reino. Quando chegaram, o conselheiro lhe disse:

- Majestade, a perda deste dedo, foi a melhor coisa que te aconteceu!

Sem entender, o rei ficou irritadíssimo! Como pode o conselheiro, que sempre foi tão sábio, dizer uma grande besteira dessas? Como pode ser tão ousado? E tomado por essa ira contra o próprio conselheiro, o rei o prendeu e lá o deixou, sem a própria família, preso em seu castelo.

Depois deste dia suas caçadas começaram a ser assim, sozinhas, mesmo. Com algumas dificuldades de encontrar o caminho - afinal, sem a ajuda do conselheiro - o rei acabou indo parar em uma tribo de canibais! Desesperado, o rei foi capturado pelos canibais e, mesmo sem entender uma sequer palavra, sabia que seria devorado mais cedo ou mais tarde.

Porém, ao chegar o líder do grupo de canibais, o mesmo deu um grito bem alto, ordenando qualquer coisa que fosse parecida com um "Parem!". O líder chegou mais perto do rei, e apontou a falta de seu dedo mindinho. A falta de qualquer parte do corpo significava doença, imperfeição, o que impedia a tribo de devorar o aflito rei.

Assim no caminho de volta, mesmo voltando correndo para não encontrar com qualquer canibal faminto nunca mais, o rei só pensava em seu conselheiro. Quanta sabedoria! Pois se o rei não tivesse perdido seu dedo um dia, teria sido devorado pela tribo. Realmente, a perda de seu dedo, foi a melhor coisa que já lhe aconteceu.

Seguiu o rei direto para a prisão onde se encontrava o conselheiro, para lhe contar o ocorrido. Quando o rei terminou de contar da escapatória, pediu perdão ao conselheiro, por tê-lo prendido sem entender o que tais palavras significavam. Então, o conselheiro o respondeu:

- Você não precisa pedir perdão de nada, Majestade. A melhor coisa que me aconteceu, foi você ter me prendido aqui. Pois se eu não estivesse preso, e estivesse junto a ti, quem ia ser comido seria eu, afinal, tenho todos os dedos das mãos.





*Existem coisas em nossa vida que acontecem inesperadamente. O que aconteceu ontem, independente da dor irreparável, foi a melhor coisa que me aconteceu.

2 comentários:

Anônimo disse...

Conheci essa parábola através da minha querida avó, há mais de vinte anos. De vez em quando me deparo com situações que me fazem lembrar da minha avó e da parábola.
Uma ótima lição.

Tercival Campestre Barbosa disse...

Tudo o que passa passa para bem. Autor Tercival Campestre Barbosa.