quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Conclusão?




Tudo começou em uma daquelas reuniões para reflexão. É, a empresa oferece estes momentos para que, em grupo, possamos bater um papo e refletir sobre algum tema sugerido.
Não surpreendente, o tema escolhido foi o ano que passou. Só de ouvir já pode-se imaginar que foi aquele lenga-lenga que todo mundo está acostumado, com direito a show do Robertão e toda aquela enrolação. Mas, não!

A reunião começou e a equipe já imaginava que seria um blá-blá-blá danado. Até que o desenrolar do assunto foi nos prendendo e, puxa vida, nem eu imaginava que seria tão produtivo.
O primeiro ponto a me prender, me congelar: Quais eram as suas metas para 2009? Com o perdão da expressão, mas, cacete! Minha virada 08/09 foi conturbadíssima, não tive o menor tempo para pensar em metas, planejamento, prazo, importância dos meus desejos. Simplesmente deixei o ano virar, e continuei, carregando uma coisa em cima da outra.

Impressionado (por só agora ter me dado conta de que passei o ano inteiro na base do "deixa a vida me levar"), deixei com que a reunião seguisse e veio o outro ponto chave: Quais foram suas conquistas em 2009? E dentre elas, quais fazem parte de suas metas traçadas?

E o exercício era o seguinte: cada um recebeu uma folha sulfite, e poderia escolher entre massinha, giz de cera, canetinhas ou lápis de cor. E, com a ferramenta escolhida, deveria desenhar algo que significasse cada uma das conquistas mentalizadas. Foi então que me emocionei muito.

Primeiro porque minha noite havia sido uma das piores noites da minha vida, passei em claro, ouvindo todas as coisas que nunca imaginei que uma pessoa só seria capaz de dizer para me ferir. Passei uma noite inteira sendo ofendido verbal e visualmente, agredido e limado, retirando de mim minha moral e meu pequeno orgulho, derrubando o meu ego gigante e me atropelando depois de tudo. Foi terrível.

Mesmo assim me emocionei, ao desenhar cada um dos itens: Um chapéu de formando, simbolizando minha formatura;Um ponto de parada, simbolizando o fim das minhas viagens de ônibus que tanto me consumiam o estômago;Uma gravata, simbolizando o novo emprego;Um mapa, simbolizando as viagens que fiz e os novos lugares que conheci (independente de em quais condições isso aconteceu);Um relógio, simbolizando a fase da minha vida na qual estou tendo tempo para realizar minhas coisas, o que não acontecia antes do meio de 2009;Um espelho, simbolizando que neste ano eu pude parar mais para refletir e descobrir muita coisa sobre mim e, por fim, um tinteiro e uma pena, simbolizando que neste ano eu pude escrever bem mais do que imaginava.

Nem eu pensei que teria conseguido tantas conquistas, por mais insignificantes que pareçam, mudaram a minha vida e me ajudaram - neste momento de reflexão - a entender que o ano passou, mas trouxe comigo valores agregados que permanecerão para sempre. Por mais turbulências que possa ter tido, foi um bom ano, e que me deixa aqui as lágrimas de emoção, esperando por um ano cheio de tanta coisa boa e ruim misturada, emoções fortes e destruidoras também, e momentos tão felizes quanto horríveis, porém, inesquecíveis. Sim, assim mesmo, porque é assim que o ano se tornará incrível, como foi este dois-mil-e-nove. Como em um cheque, que já foi, e não mais irá voltar.


Obs.: E o celular foi para a privada. Minha última grande conquista.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Pensamento X

Pouca segurança, permite aos que estão do outro lado que te vençam.
Muita segurança, permite aos que estão do seu lado que te enganem.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Welcome to the show



Ouço os gritos aqui de dentro, parece muita, muita gente. Olho pelo vão da cortina, nossa!, tem mais gente do que eu esperava e - melhor ainda - estão todos eufóricos. Gritam, choram, pedem, falam, e tudo ao mesmo tempo. Olho novamente através da cortina, por Deus, vai ser demais essa noite.

Aqui dentro alguns estão ansiosos, outros nem tanto. Alguns canalizam suas tensões em orações, outros em meios não tão lícitos. E eu estou em silêncio, apenas observando tudo, e as características de cada um: o que o trouxe até aqui, este mesmo momento que eu estou vivendo, e fez com que eu me conectasse desta forma com cada um deles. Estamos aqui, preparados.

Saio de fininho e vou até a porta, costumo fazer isso sempre. Há luzes e telões, música, efeitos especiais e o posicionamento exato de cada objeto. Tudo foi montado e milimetricamente projetado (mas não por linhas em papel, e sim a olho nu, pela experiência de quem manda) para que seja um momento perfeito. Uma viagem, sem dúvida, faço.

Agora é a hora! Já nós chamam lá de fora, e iniciamos e nossa oração, abraçados, unidos pela energia do prazer e da música, que nos move até lugares sequer um dia imagináveis. Todos unidos e com força, sabemos o que deve ser feito, e é em abraços de boa sorte que nos construímos por inteiro.

Passo pela porta novamente, e agora é sem volta. Por um instante mentalizo todas das coisas ruins: pessoas que fingem me amar, pessoas que não me respeitam, meu ódio e minha raiva de sentimentos terríveis como a indiferença e a pena. Penso nos desentendimentos, na minha liberdade reprimida, nos meus desejos contidos por algo que só tem me feito mal.

Penso. E deixo tudo da porta para dentro.

Agora é a hora deles, que estão gritando e ansiosos buscam se divertir essa noite. E é para isso que todos nós estamos aqui. Entro no palco, vejo a multidão, faço uma saudação e recebo gritos eufóricos.

Bem vindos ao show!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Eu vivo

As ruas são estreitos corredores
As avenidas, grandes passarelas
Amantes sob o céu escuro e cinza
Distraem-se sedentos por amor

O tic do relógio é triste sina
O tac lembra a dor que habita o peito
Com todos os problemas resolvidos
Eu finjo ser quem sou, pra ser eu mesmo

Procuro aquele santo na carteira
Entre o dinheiro sujo e os telefones
Ao bater o portão com tanta força
Eu vivo o desespero de quem ama

Eu vivo o desespero de quem ama
Eu vivo o desespero de quem ama

Eu vivo o desespero, eu vivo, eu vivo

Eu vivo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Poema de criança

Hoje o dia acordou tão cinza
Não tão longe do meu coração
Cinza, cinza, coração
Cinza, cinza, coração

Quando eu choro, eu tenho medo
Quando eu temo, peço perdão
Medo, medo, perdão
Medo, medo
Perdão?

Se eu tenho um pesadelo
Lembro do cinza do dia
Pesadelo, pesadelo
Pesadelo, dia, dia

Mas se acordo e está doendo
Não mais tenho meu coração
Está doendo, coração
Está doendo, meu coração

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Amor de Carnaval (Parte III)


Depois de um longo e conturbado ano, veio chegando fevereiro, e Homero já pensava nela. Droga! Não podia, pois estava agora engatando em um namoro, já há alguns meses, até. Entretanto, era inevitável: aquele encontro de desejo e loucura do último carnaval, o primeiro encontro, há 2 anos, por Deus! Não sabia bem o significado destes pensamentos, mas não podia se controlar. Raquel era incrível e apaixonante.

Por um truque do tal destino, o pior – dentro da cabeça de Homero – aconteceu: foram os dois para o baile, ele, e a nova namorada.

Chegando lá, Homero logo encostou em um balcão, e ficou por ali. Queria discrição, tremia só de pensar na possibilidade de encontrar Raquel e, enfim, não conseguir esconder a decepção de não poder tocá-la. Estes pensamentos o consumiam, enquanto a namorada tomava devagar o seu drink doce.

Ao descerem para a pista, Homero tentava agir naturalmente, mas era inevitável. E quando estava pensando em subir de volta, rapidamente flagrou em meio à multidão. Era ela. Raquel, e...quem era aquele ao seu lado? Homero não acreditou no que seus olhos viam, Ela estava de mãos dadas com...Argh!, outro rapaz!

Homero tentou disfarçar e olhou fixamente para Raquel, até que seus olhos se cruzassem. E foi o que aconteceu, ela virou para observar a multidão e seus olhos ficaram na mira dos negros olhos de Homero. Raquel paralisou.

E ali permaneceram, enquanto disfarçavam com os respectivos namorados, com alguns passinhos de dança, se fitavam e não se perdoavam. Raquel sentia um ciúme incontrolável, e seus olhos franziam sua testa, claramente perceptível. Já Homero, pobre homem, sentia somente aquele ódio de ter, por um momento apenas, perdido sua paixão de carnaval. Ignorava o fato de estar acompanhado, pois queria ela. Raquel, Raquel, Raquel. E não parou de olhar.

Até que os olhos dela foram transmitindo calma, e os dele, confiança. Disse à namorada que ia ao banheiro e ela fez sinal de não, como quem vai ficar dançando. “Ótimo”, pensou. E foi em direção da entrada do baile.

Raquel disse que precisava de ar, e acenou com aquela expressão feminina de quem pode ter tudo. Ele, claro, pediu que fosse tomar um ar e que tomasse uma água. Deu o dinheiro. Ela sorriu, quase que maliciosamente. Ele não entendeu.

Quando ela chegou lá fora, Homero já a esperava. Belo rapaz, e cada vez mais, encantador. Era um jovem de pele clara, com cabelos e olhos negros. Charmoso, ela assim o definia.

Homero a tomou pelas mãos e a puxou para o lado mais escuro da escada. Sem pensar duas vezes, olhou diretamente em seus olhos e deu-lhe um beijo daqueles de eliminar tudo o que estiver à volta. Como na primeira noite, sabiam que estavam ali para se amarem, desta vez com tempo curto, porém, preciso.

O beijo foi intenso, Homero segurava com firmeza a mão de Raquel, enquanto acariciava suavemente seu rosto em contrapartida. Raquel se sentia nas nuvens, por aquele instante, que terminaria. E terminou.



Hoje não se sabe mais nada sobre estes dois apaixonados. Nunca mais foram vistos, juntos ou separados, nestes bailes de carnaval. Não se sabe nem se ainda gostam de marchinhas etc e tal. O que se sabe é que esta paixão ficará marcada para sempre, e que não importa o que fizeram, o fizeram por amor.

E fevereiro, claro, está aí...


Amor de Carnaval (Parte II)


Um ano se passou. Um ano inteiro sem se verem. E foi em um novo fevereiro, que Homero se surpreendeu. E Raquel, conseqüentemente, e não sem motivo. Naquele mesmo clube, talvez a banda fosse diferente – tanto faz – porém se reencontraram. E o encontro foi tão mágico quanto, porém, com uma corrida e um abraço emocionante! Abraço de saudade, de carinho, de desejo. E após um beijo, naquele clima excitante que é o carnaval, a festa despertou nos dois uma vontade incrível de se ter, por inteiro, por aquele momento.

O que era para ser sujo e obsceno, se tornou intenso e mágico. Ali, no meio da escuridão, foi que um canto qualquer se fez o mais perfeito lugar para uma transa louca e incontrolável, discreta mas nem tão silenciosa, enfim, perfeita. Era a união daqueles corpos sendo selada com a força dos beijos apaixonados e o suor dos corpos tremendo de prazer.

E após aquele momento de intensa sedução e libido, ousaram se olhar nos olhos, e como nunca tivessem se visto, transpirando e sorrindo, trocaram algumas palavras:

- Você, por aqui, só pode ser coisa do destino! – Raquel se mostrou supersticiosa.
- Não acredito em destino, porém, o que quer que tenha me trazido até aqui, foi maravilhoso.
- Nossa, a gente só se encontra em carnaval, o que é isso! – E gargalhou como quem está livre de tudo e de todos, para este amor de carnaval.

E gargalharam, e se abraçaram. Ali, no baile mais incrível de suas próprias vidas.

Amor de Carnaval (Parte I)



Reza a lenda que há toda uma magia diferente no carnaval. Um clima único, que tem o poder de trazer - em meio a toda a bagunça e a folia - o amor mais puro que se viu, mesmo que tão caliente seja.
Pois bem. Essa é a estória de Raquel e Homero. Dois amantes que em um carnaval se conheceram, e em um carnaval viveram, pra sempre...



O baile começou e Homero caiu na bagunça. Adorava, ah, como era bom chegar a primeira noite, em meio às pessoas pulando e sorrindo, curtindo aquele show. E as músicas iam de bem a melhor, enquanto ele sorria e observava, atentamente – pois era um grande observador, este Homero, sempre ligado – todos os casais, e rapazes a puxar o trem, enquanto lindas mulheres dançavam as marchinhas.
E eis que ela surge. Uma moça sorridente sai pulando do trenzinho como quem vai tomar fôlego, olha para Homero e sorri.
Ela é linda – pensa ele. E definitivamente Homero estava certo. A guria tinha cabelos negros e pele clara, um contraste incrível. Não era lá muito alta, como nenhuma mulher deve ser, e tinha formas tentadoras. Parecia não existir, naquele momento.
Enquanto sorriam, se olhavam. E a música, então, se calou na cabeça dos dois. As pessoas em volta se transformaram em vultos, e começaram a se aproximar. Então como num filme escrito, sem qualquer medo ou dizer, se abraçaram e em um beijo se perderam completamente. Nada de beijo cinematográfico ou qualquer coisa assim, mas foi sim um beijo de verdade. Um beijo, mesmo.
E ali permaneceram até o fim da música, quando se afastaram algum centímetros, e sorriram um ao outro:

- Incrível... – disse ela, ainda que assustada.
- Qual o seu nome?
- Raquel, e você, deus grego, como se chama?
- Homero.

E riram, mais e mais. E assim passaram ali a noite, se conversando, se conhecendo. Raquel e Homero, Homero e Raquel.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Perigo na Selva





Caminhando nada tranquilamente pelos vãos e becos selva adentro, paro em um canto escuro, em busca de proteção. Não há pessoas, e aliás, não há qualquer sinal de vida por aqui. E não devia nem estar espantado, há tempos ja sei que estou sozinho. Que teria, eu, de reclamar?



Apenas observo.


É bem triste, as vezes, chegar neste ponto. Estou parado, encostado em algum tipo de parede (ou barranco), e só consigo visualizar destruição. Está tudo escuro, e em meio aos feixes de luz, identifico uma fumaça leve. Parecendo oriunda de algum desabamento. Provavelmente o orgulho que despencou de uma vez, e que espalhou a poeira da loucura, aquela que fica repousando sobre todo lugar que eu piso.


E é quando resolvo dar um ou dois passos para o lado de fora, para conferir o território, é que sinto. De novo, consumindo minhas forças e me tirando o equilíbrio das pernas, aquela dor inigualável do golpe na boca do estômago. Só pode ser ele: o monstro, o rei da selva, que é bem maior que dois leões, que é o louco que exala a poeira que eu piso aqui dentro, e que me intoxica as entranhas me tirando o fôlego e o viver.


Quando o monstro do ego é ferido, fica descontrolado e é capaz de tudo. Me bate forte no estômago e logo me derruba, me faz revirar de dor e transpirar incessantemente. E sai por aí em alta velocidade, em busca de alimentar-se de algo que o faça melhor. Que mostre a ele que é ele o todo poderoso, e assim, faça voltar a paz na selva.



Paz momentânea, triste fim deste lugar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cantor de Bolero


"O cinismo é a arma dos infelizes

Carregue suas cruzes,
Com ela,
suas crises."

(Zeca Baleiro)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Bilhete

"A forma como você sorri salvou minha noite. Obrigado por existir, mesmo que, por hoje."

Diagnóstico

E construímos o amor sobre a areia. Uma base fraca, feita de mentira, traição, medo, insegurança. Tanta coisa. Quando veio a tempestade, a estrutura que a gente tinha era fraca, suja, fria. A tempestade levou o amor embora e deixou só o alicerce vivo: nossa imaturidade. O amor voa com o vento, levando a saudade e as lágrimas. Um dia as trará de volta, com outras cores e gostos, porém com a mesma coragem.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

The game of love


Se for parar para ver, as coisas são assim mesmo. Não dá pra querer ganhar sempre, sabe? Igual nos filmes, quando a pessoa vai acertando na roleta, até que perde tudo e depois fica pensando se a bolinha era imantada?

Mais ou menos isso.

A gente vai jogando, e tem que aceitar perder em certos momentos. Perder agora, pra ganhar depois. Deixar passar agora, pra esperar vir uma "mão" melhor depois, e assim por diante. Deixar rolar.

Dá até aquela vontade de trapacear. E trapacear é ótimo, porque a gente vê que ganha fácil, perde pouco. Só não pode contar o segredo: se contar, acaba a graça. Te descobrem, e aí você perde. Perde tudo, não importa há quanto tempo esteja ganhando.

O jogo do amor é assim que se joga: quando a gente aprende como funciona, o jogo perde a graça. Aí a gente começa a esquecer de jogar e, de repente, o amor chega! E na hora que ele chega, a gente já esqueceu, e começar a ganhar. Besteira, beibe, sorte de iniciante.

Quando se esquece das estratégias, não dá pra voltar atrás, já jogou errado. Nao importa quão bom trapaceiro você já foi, há sempre uma hora de entregar os pontos.

E todos nós somos assim, mesmo, um monte de pecinhas.

domingo, 6 de dezembro de 2009

sábado, 5 de dezembro de 2009

O que será?

Os tempos não são mais os mesmos. Sim, muita coisa mudou pra melhor, ou pra pior, bem como outras nem tanto: apenas estão diferentes. Falando sobre o que se quer “ser quando crescer”, realmente, nada é como antes.


Quando eu era bem criança, lembro de ficar impressionado e achar o máximo o fato de meu pai conhecer todo tipo de gente. Íamos levar o carro ao mecânico, ao funileiro, ao dono de loja de carros ou ao “borracheiro”, e eram todos amigos dele, os donos. Então quando resolvíamos ir ao açougue, à padaria, ou atrás de algum pedreiro para realizar algum serviço, e ele conhecia todo mundo!


Hoje paro pra pensar na minha geração, que é intermediária entre a dos meus pais e a dos meus filhos, e isso já não funciona mais. E o motivo é simples: quando tinha, lá, meus 17 anos, e tinha que escolher um caminho para a minha vida resolvi ir pra faculdade. Estudar algo que eu não sabia bem como seria mas que, enfim, me faria ser alguém na vida.


E foi da mesma forma com as pessoas mais próximas de mim: Um foi virar engenheiro, de produção, de alimentos, de mecânica, de eletrônica ou de química. Outros? Dentista, advogado, médico, jornalista, oceanógrafo! Cada um seguiu o seu caminho, foi pra um canto do país – ou até, do planeta – atrás de cuidar da própria vida.


Mas e aí, me questiono. O que acontecerá com os donos de padaria ou os padeiros, com aquele mecânico que é o melhor, que é o honesto? O que será do dono do açougue, que entende tudo de corte de carne, e que ainda fazia aquele preço camarada? E digo mais: todo mundo longe de casa.

Tenho a impressão, as vezes, de que se eu um dia parar pra olhar minha cidade natal, aquela lá do interior, não vai ter sobrado nada! No dia que aquele pedreiro que era um escultor de casas, decidir descansar da vida, quem é que vai construir casas? Um engenheiro civil que entende de exatos cálculos matemáticos mas não sabe bater massa?


Então torço para que estes mestres tenham filhos, e que os filhos gostem do que os pais fazem, para que aprendam bem como fazê-lo. Não é nenhuma garantia de sucesso (ou do pão mais gostoso, afinal me preocupo com ele), mas é uma esperança.


Ou senão continuaremos neste ritmo, resolvendo tudo com os computadores, comprando carne pela Internet e mandando pintar o carro na autorizada. Sejamos bem vindos à vida prática.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O tempo e o amor (continuação)



- Acorde, acorde!

- Ah..ahn...quem é você? – A linda menina questionou, ainda parecendo estar desacordada.

- Eu sou um jovem sonhador, que acredita no bem, e na força dos pensamentos. Um jovem em busca do futuro, de conhecer o que há do outro lado, onde um dia hei de chegar! E você, está bem?

- Estou...é...acho que estou. Sou uma garota, apenas uma menina, com sonhos de menina e âmbito de mulher. Sou uma moça em busca do meu passado, do que me trouxe até aqui, e do que fez com que eu fosse o que sou hoje. Uma garota em busca do passado, de conhecer o que há do outro lado, que é de onde vim.

O jovem ficou confuso, e lembrou das palavras do velho homem. Sabia que seria loucura, porém resolveu arriscar, e contou com o acaso. Ou com o destino? Já não sabia ao certo, o que sabia é que estava ali, exatamente onde deveria estar. Ou não.

Após muita conversa, se conheceram melhor, os dois. Ele, jovem e sonhador, aventureiro, em busca de um sonho. Ela, com as mesmas características, e a identificação era cada vez mais nítida, mais sólida. E, com muita sensatez, os dois reconheciam esta linha forte que acabam de criar, este elo, que se tornava cada vez mais consistente.

- Mas o que nos trouxe exatamente até aqui? – Indagou a garota – Não estamos onde queríamos estar: eu não encontrei o meu passado, eu encontrei você.

- E eu não encontrei o meu futuro, não sei bem onde estou, o que sei é que encontrei você.

E disseram em perfeita sintonia:

- Nós nos encontramos.

Riram. Riram e deitaram no chão de tanto rir, e se olharam fixamente...



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Essa estória não termina aqui. O que se sabe sobre o jovem e a menina, é que se encontraram curiosamente, por um profundo e intenso golpe do acaso, em um lugar que não exatamente importa, e em um momento que não deve fazer parte do passado ou do futuro, de nenhum dos dois.

Fato consumado é que o tempo errou. Errou para os dois, pobres jovens, que a cada sorriso conheciam o amor, sem mesmo saber o que é este sentimento. E o tempo erra mesmo, e assim os fez perfeitos, um para o outro, como nunca identificado antes, na vida de cada um deles. Entretanto, na hora errada, no lugar errado.

E assim é melhor deixar como está: os dois ali sorrindo, se identificando e se encontrando pra sempre. A magia deste encontro é essa, o errar do tempo, o acertar do amor.

O tempo e o amor



Havia há muito tempo um jovem sonhador. Como tantos outros, um menino com alma de criança e força de um homem, com olhos sempre bem abertos, capazes de enxergar além de ver, e com ouvidos muito atentos, para poder escutar além de ouvir. Este era o herói da estória, o belo jovem.
Em uma de suas viagens pelos próprios pensamentos, algo lhe dizia que – curiosamente – ele não deveria estar ali. Sim, e repetia para si mesmo: “eu tenho que ir além, e eu estou indo!”, e então começou a arquitetar em sua mente de que forma poderia sair dali, pular alguns passos, talvez, mas desde que realizasse seu desejo de conhecer o que estava lá na frente.
O jovem, sempre sensato e com muita sensibilidade, contava com a companhia de um homem mais velho no lugar em que morava. Este homem era seu melhor amigo, sua companhia em tantos cafés por madrugadas intermináveis, mesmo em felicidade e paz, ou em aflição e desespero. Após ter tido tal vontade de ultrapassar o presente, o jovem pensou ser de interesse do velho homem saber de seus planos.

- Isso é loucura! – falou com precisão, o sempre sábio homem – Não há o que não se submeta ao tempo, ao espaço, ao que é palpável, tangível. Não se meta a bancar o inventor, ou pode perder as rédeas da situação. Não queira ver além do que os olhos o permitem!

O jovem foi para casa equivocado, aflito. Não podia deixar que sonho se esvaecesse, por mais respeito e consideração que tivesse ao velho homem, sua ânsia por ser algo mais o dominava, o levando diretamente, então, ao velho porão da casa onde morava. E ali, com suas poucas ferramentas e com o espírito aventureiro que o ordenava, montou sua própria máquina do futuro!
Olhava para a máquina, toda torta e com pedaços de ferro e madeira pelos lados, com olhos de fome e curiosidade. Sabia que seria capaz de entrar, muito embora não soubesse o que o aguardava do outro lado. E foi o que fez: entrou na máquina. Ao apertar o botão da ignição, que montou utilizando um velho interruptor (sujo e enferrujado que encontrou no porão), algo muito estranho aconteceu. A máquina começou a tremer, bem como o porão e a casa toda. Assustado, o jovem gargalhava inocente e involuntariamente, rumo ao futuro!
Luzes se acendem, o jovem sente uma pressão muito forte no peito, e perde a consciência...

A máquina desaparece.

Ao acordar, o jovem se encontra deitado, do lado de fora da máquina, em um lugar todo branco. É isso mesmo, uma espécie de deserto, porém com o chão completamente branco, bem como tudo o que há em volta.
O jovem abre os olhos e, coçando-os pelo ardor da claridade, se assusta! Será que seus olhos estariam o enganando? Onde estava? – Se questionava o tempo todo – Olhou para o lado de trás da máquina e encontrou uma pessoa, também deitada, e desacordada.
Sabia que não estava sozinho, e chegou mais perto. Virou o rosto da pessoa e pode ver: Era uma garota, aparentemente uma adolescente, linda, com cabelos negros bem lisos e uma pele lisa. Rosto de menina, mesmo.

Tentou chacoalhar seu corpo, e chamar sua atenção...

(continua...)