quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Amor de Carnaval (Parte III)


Depois de um longo e conturbado ano, veio chegando fevereiro, e Homero já pensava nela. Droga! Não podia, pois estava agora engatando em um namoro, já há alguns meses, até. Entretanto, era inevitável: aquele encontro de desejo e loucura do último carnaval, o primeiro encontro, há 2 anos, por Deus! Não sabia bem o significado destes pensamentos, mas não podia se controlar. Raquel era incrível e apaixonante.

Por um truque do tal destino, o pior – dentro da cabeça de Homero – aconteceu: foram os dois para o baile, ele, e a nova namorada.

Chegando lá, Homero logo encostou em um balcão, e ficou por ali. Queria discrição, tremia só de pensar na possibilidade de encontrar Raquel e, enfim, não conseguir esconder a decepção de não poder tocá-la. Estes pensamentos o consumiam, enquanto a namorada tomava devagar o seu drink doce.

Ao descerem para a pista, Homero tentava agir naturalmente, mas era inevitável. E quando estava pensando em subir de volta, rapidamente flagrou em meio à multidão. Era ela. Raquel, e...quem era aquele ao seu lado? Homero não acreditou no que seus olhos viam, Ela estava de mãos dadas com...Argh!, outro rapaz!

Homero tentou disfarçar e olhou fixamente para Raquel, até que seus olhos se cruzassem. E foi o que aconteceu, ela virou para observar a multidão e seus olhos ficaram na mira dos negros olhos de Homero. Raquel paralisou.

E ali permaneceram, enquanto disfarçavam com os respectivos namorados, com alguns passinhos de dança, se fitavam e não se perdoavam. Raquel sentia um ciúme incontrolável, e seus olhos franziam sua testa, claramente perceptível. Já Homero, pobre homem, sentia somente aquele ódio de ter, por um momento apenas, perdido sua paixão de carnaval. Ignorava o fato de estar acompanhado, pois queria ela. Raquel, Raquel, Raquel. E não parou de olhar.

Até que os olhos dela foram transmitindo calma, e os dele, confiança. Disse à namorada que ia ao banheiro e ela fez sinal de não, como quem vai ficar dançando. “Ótimo”, pensou. E foi em direção da entrada do baile.

Raquel disse que precisava de ar, e acenou com aquela expressão feminina de quem pode ter tudo. Ele, claro, pediu que fosse tomar um ar e que tomasse uma água. Deu o dinheiro. Ela sorriu, quase que maliciosamente. Ele não entendeu.

Quando ela chegou lá fora, Homero já a esperava. Belo rapaz, e cada vez mais, encantador. Era um jovem de pele clara, com cabelos e olhos negros. Charmoso, ela assim o definia.

Homero a tomou pelas mãos e a puxou para o lado mais escuro da escada. Sem pensar duas vezes, olhou diretamente em seus olhos e deu-lhe um beijo daqueles de eliminar tudo o que estiver à volta. Como na primeira noite, sabiam que estavam ali para se amarem, desta vez com tempo curto, porém, preciso.

O beijo foi intenso, Homero segurava com firmeza a mão de Raquel, enquanto acariciava suavemente seu rosto em contrapartida. Raquel se sentia nas nuvens, por aquele instante, que terminaria. E terminou.



Hoje não se sabe mais nada sobre estes dois apaixonados. Nunca mais foram vistos, juntos ou separados, nestes bailes de carnaval. Não se sabe nem se ainda gostam de marchinhas etc e tal. O que se sabe é que esta paixão ficará marcada para sempre, e que não importa o que fizeram, o fizeram por amor.

E fevereiro, claro, está aí...


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