sábado, 5 de dezembro de 2009

O que será?

Os tempos não são mais os mesmos. Sim, muita coisa mudou pra melhor, ou pra pior, bem como outras nem tanto: apenas estão diferentes. Falando sobre o que se quer “ser quando crescer”, realmente, nada é como antes.


Quando eu era bem criança, lembro de ficar impressionado e achar o máximo o fato de meu pai conhecer todo tipo de gente. Íamos levar o carro ao mecânico, ao funileiro, ao dono de loja de carros ou ao “borracheiro”, e eram todos amigos dele, os donos. Então quando resolvíamos ir ao açougue, à padaria, ou atrás de algum pedreiro para realizar algum serviço, e ele conhecia todo mundo!


Hoje paro pra pensar na minha geração, que é intermediária entre a dos meus pais e a dos meus filhos, e isso já não funciona mais. E o motivo é simples: quando tinha, lá, meus 17 anos, e tinha que escolher um caminho para a minha vida resolvi ir pra faculdade. Estudar algo que eu não sabia bem como seria mas que, enfim, me faria ser alguém na vida.


E foi da mesma forma com as pessoas mais próximas de mim: Um foi virar engenheiro, de produção, de alimentos, de mecânica, de eletrônica ou de química. Outros? Dentista, advogado, médico, jornalista, oceanógrafo! Cada um seguiu o seu caminho, foi pra um canto do país – ou até, do planeta – atrás de cuidar da própria vida.


Mas e aí, me questiono. O que acontecerá com os donos de padaria ou os padeiros, com aquele mecânico que é o melhor, que é o honesto? O que será do dono do açougue, que entende tudo de corte de carne, e que ainda fazia aquele preço camarada? E digo mais: todo mundo longe de casa.

Tenho a impressão, as vezes, de que se eu um dia parar pra olhar minha cidade natal, aquela lá do interior, não vai ter sobrado nada! No dia que aquele pedreiro que era um escultor de casas, decidir descansar da vida, quem é que vai construir casas? Um engenheiro civil que entende de exatos cálculos matemáticos mas não sabe bater massa?


Então torço para que estes mestres tenham filhos, e que os filhos gostem do que os pais fazem, para que aprendam bem como fazê-lo. Não é nenhuma garantia de sucesso (ou do pão mais gostoso, afinal me preocupo com ele), mas é uma esperança.


Ou senão continuaremos neste ritmo, resolvendo tudo com os computadores, comprando carne pela Internet e mandando pintar o carro na autorizada. Sejamos bem vindos à vida prática.

Um comentário:

N. Ferreira disse...

É uma triste "evolução" da nossa sociedade, né?
O filho do padeiro pode ter virado um chef internacionl especialista em massas, mas que não sabe sovar um pão. Quem sova o pão é a máquina que custou caro, mas que substitui uns 5 funcionários. Lucro.
E enquanto isso, rareiam os livros, sobram os blogs...