quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O tempo e o amor



Havia há muito tempo um jovem sonhador. Como tantos outros, um menino com alma de criança e força de um homem, com olhos sempre bem abertos, capazes de enxergar além de ver, e com ouvidos muito atentos, para poder escutar além de ouvir. Este era o herói da estória, o belo jovem.
Em uma de suas viagens pelos próprios pensamentos, algo lhe dizia que – curiosamente – ele não deveria estar ali. Sim, e repetia para si mesmo: “eu tenho que ir além, e eu estou indo!”, e então começou a arquitetar em sua mente de que forma poderia sair dali, pular alguns passos, talvez, mas desde que realizasse seu desejo de conhecer o que estava lá na frente.
O jovem, sempre sensato e com muita sensibilidade, contava com a companhia de um homem mais velho no lugar em que morava. Este homem era seu melhor amigo, sua companhia em tantos cafés por madrugadas intermináveis, mesmo em felicidade e paz, ou em aflição e desespero. Após ter tido tal vontade de ultrapassar o presente, o jovem pensou ser de interesse do velho homem saber de seus planos.

- Isso é loucura! – falou com precisão, o sempre sábio homem – Não há o que não se submeta ao tempo, ao espaço, ao que é palpável, tangível. Não se meta a bancar o inventor, ou pode perder as rédeas da situação. Não queira ver além do que os olhos o permitem!

O jovem foi para casa equivocado, aflito. Não podia deixar que sonho se esvaecesse, por mais respeito e consideração que tivesse ao velho homem, sua ânsia por ser algo mais o dominava, o levando diretamente, então, ao velho porão da casa onde morava. E ali, com suas poucas ferramentas e com o espírito aventureiro que o ordenava, montou sua própria máquina do futuro!
Olhava para a máquina, toda torta e com pedaços de ferro e madeira pelos lados, com olhos de fome e curiosidade. Sabia que seria capaz de entrar, muito embora não soubesse o que o aguardava do outro lado. E foi o que fez: entrou na máquina. Ao apertar o botão da ignição, que montou utilizando um velho interruptor (sujo e enferrujado que encontrou no porão), algo muito estranho aconteceu. A máquina começou a tremer, bem como o porão e a casa toda. Assustado, o jovem gargalhava inocente e involuntariamente, rumo ao futuro!
Luzes se acendem, o jovem sente uma pressão muito forte no peito, e perde a consciência...

A máquina desaparece.

Ao acordar, o jovem se encontra deitado, do lado de fora da máquina, em um lugar todo branco. É isso mesmo, uma espécie de deserto, porém com o chão completamente branco, bem como tudo o que há em volta.
O jovem abre os olhos e, coçando-os pelo ardor da claridade, se assusta! Será que seus olhos estariam o enganando? Onde estava? – Se questionava o tempo todo – Olhou para o lado de trás da máquina e encontrou uma pessoa, também deitada, e desacordada.
Sabia que não estava sozinho, e chegou mais perto. Virou o rosto da pessoa e pode ver: Era uma garota, aparentemente uma adolescente, linda, com cabelos negros bem lisos e uma pele lisa. Rosto de menina, mesmo.

Tentou chacoalhar seu corpo, e chamar sua atenção...

(continua...)

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