terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Perigo na Selva





Caminhando nada tranquilamente pelos vãos e becos selva adentro, paro em um canto escuro, em busca de proteção. Não há pessoas, e aliás, não há qualquer sinal de vida por aqui. E não devia nem estar espantado, há tempos ja sei que estou sozinho. Que teria, eu, de reclamar?



Apenas observo.


É bem triste, as vezes, chegar neste ponto. Estou parado, encostado em algum tipo de parede (ou barranco), e só consigo visualizar destruição. Está tudo escuro, e em meio aos feixes de luz, identifico uma fumaça leve. Parecendo oriunda de algum desabamento. Provavelmente o orgulho que despencou de uma vez, e que espalhou a poeira da loucura, aquela que fica repousando sobre todo lugar que eu piso.


E é quando resolvo dar um ou dois passos para o lado de fora, para conferir o território, é que sinto. De novo, consumindo minhas forças e me tirando o equilíbrio das pernas, aquela dor inigualável do golpe na boca do estômago. Só pode ser ele: o monstro, o rei da selva, que é bem maior que dois leões, que é o louco que exala a poeira que eu piso aqui dentro, e que me intoxica as entranhas me tirando o fôlego e o viver.


Quando o monstro do ego é ferido, fica descontrolado e é capaz de tudo. Me bate forte no estômago e logo me derruba, me faz revirar de dor e transpirar incessantemente. E sai por aí em alta velocidade, em busca de alimentar-se de algo que o faça melhor. Que mostre a ele que é ele o todo poderoso, e assim, faça voltar a paz na selva.



Paz momentânea, triste fim deste lugar.

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