sábado, 27 de fevereiro de 2010

O Cristo de Madeira


Saiu da cadeia sem um puto
Sol na cara monstruoso
Ele é da alma "trip" dos malucos
Belo, mas nunca vaidoso

Um dia comparado a mil anos
Saiu lendo o evangelho
Vida e morte valem o mesmo tanto
Evolução do novo para o velho

Puxava seus cabelos desgrenhados
Vendo a vida assim fora da cela
Não quis ficar ali parado
Aguardando a sentinela

A vida parecia reticente
Sabia do futuro e do trabalho
Lembrou de sua mãe já falecida
Verdade era seu princípio falho

Pensando com rugas no rosto
Olhava a massa de cimento
A sensação da massa fresca
Transmitia às mãos o seu tormento

Trabalhava, ganhava quase nada
Fazendo frio ou calor
Difícil era quem aceitasse
Um cara que já matou

Se olhou como um assassino
No espelhinho da construção
O que viu foi sua cara de menino
Quando criança com seu irmão

Aonde anda seu irmão?
Em algum buraco pelo chão
Ou frequenta alguma igreja
Chamando a outros de irmãos

Sábios não ensinam mais
Refletiu sua sombra magra
Com o pouco que raciocina
Ele orava, ele orava

Mas o Cristo de madeira não lhe dizia nada
Mas o Cristo de madeira não lhe dizia nada
Mas o Cristo, brincadeira, não lhe dizia nada

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Privilégio



Chuva de balas, ricochetes, gritos e sussurros ameaçadores. Tapo os ouvidos, agacho-me e ponho a cabeça entre os joelhos.
Ninguém se esforça e, por isso, nunca irão entender.
O prazer dentro da dor e os ferimentos de qualquer alegria são para todos. Contudo poucos os que sabem que eles existem, os que arquitetam, e engolem em seco.
Nós.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tentação



Encontra-me no elevador, manda-o pro último andar e aqui mesmo teremos os melhores momentos das nossas vidas. Perfura-me com uma faca no final, que eu bem mereço, meu amor.

Não me deixe em paz! Incomoda-me, que o teu gosto amargo só vira doce quando em meu céu da boca. E teu corpo é esse tormento me tentando que me faz um qualquer, implorando a tirar sua máscara e todo o resto. Despir sua alma, e ter no paladar tuas mentiras. Eu sei dos teus segredos, e juro não conto, mas guardo com os meus. É, não sou tão perigoso assim. Perigosos são os que não assumem.

Agora pula pela janela, caia esses andares, e saia voando pra longe. Só volte amanhã naquele horário em que você prometeu fazer minhas pernas tremerem. Seja de medo, de dor ou de desejo por este seu sorriso convidativo ao pecado.

E quando eu estiver por aí, meu bem, nem se importe. Pois tão terrível quanto teu veneno é só esse teu medo de ficar sozinha pra sempre que te faz cair em meus braços e até chorar, às vezes, quando sente que pode. Mal sabes que sempre pode, bem pensas que nunca deve.

Sinceramente, tu sempre tens razão.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Fantasia de Palhaço


"A fantasia que você queria
Que eu usasse neste carnaval
Era de palhaço,
Era de palhaço

Palhaço eu não sou,
Palhaço eu não sou
O tempo de palhaço já passou"





Em homenagem ao carnaval de verdade.
E quando eu deixar de me emocionar ao lembrá-lo, prometo descrevê-lo.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tristeza pós-êxtase



Não sei bem por que acontece isso comigo. Também não sei se é só comigo - o que muito provavelmente, não é - porque nunca tive a oportunidade de ouvir de volta algo do tipo "Nossa, comigo também é assim". Mas acontece.

Existem certos momentos em minha vida que causam uma explosão dentro de mim, e sei que não vai adiantar tentar medir, pois é muito forte. Um êxtase intenso que até dói enquanto se consome, e depois de um tempo estoura e provoca uma sensação de que eu sou gigante, e de que eu vou sair voando ou coisa parecida. E sorrindo, é claro.

Não imaginem que esse êxtase é um orgasmo. Ou o orgasmo da companhia, não! É maior do que isso! Eu havia dito que era praticamente inexplicável e, só para tranquilizar (ou não), não há nenhuma substância alucinógena envolvida no contexto.

Mas de longe, a pior parte, mesmo, vem depois de tudo isso. Quando aquele momento de emoção acaba - mesmo que não de uma hora para outra - e não sobra sequer um vestígio da felicidade momentânea. É, como diria a língua popular: "É a hora que o filho chora e a mãe não vê".

Naturalmente vem uma tristeza que me derruba. Sim, é terrível!

Quando retorno, me sinto mal a ponto de ficar gelado. Uma sensação de morte que me deixa absurdamente lesionado por dentro. Machucado, ferido, e qualquer outro sinônimo que caiba aqui.
E junto com a dor vem aquela vontade de ficar sozinho, de ser sozinho, talvez, e de consumir mais ainda esse fundo do poço sem nem olhar pra cima. Nem mesmo as viagens à selva têm tanta intensidade.

E é só depois de me recuperar que consigo descrever, mesmo que de forma tão pobre, a sensação horrorosa e escura em que estive.

E também dentro deste contexto, é que eu desapareço. Não que a inspiração me falte, mas chegar perto de qualquer forma de comunicação faz tremer o corpo todo. E é melhor ficar longe, para o meu bem.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Brilho Natural




Todas as pessoas têm seu brilho natural. Isso, vejo eu como fato.

E é quase que transparente para alguns a forma como isso fica em evidência. Quando passa uma pessoa que tem seu brilho na própria beleza, a melhor solução é parar para admirar. Ainda que não seja possível explicar facilmente a sensação, é como um coquetel de sentimentos apenas ao olhar: Os passionais, ali mesmo se apaixonam; Os que têm coração de pedra, cedem por um momento, para se encantar; Os poetas, se entregam; Os artistas, se inspiram. E tantos, e tantos outros, quem consegue ficar imune?

Existe também aquelas pessoas em que seu brilho natural vem de dentro. É, parece mesmo um bla bla bla, mas perceba como faz sentido: A pessoa chega e é discreta, quase que imperceptível é sua notoriedade, bem como seus movimentos. Silenciosa. Entretanto quando se olha nos olhos, é o suficiente! Já dá para saber que aquele alguém tem muito de bom e de bonito, que pode acrescentar coisas boas à nossa vida e assim traz aquele anseio de que este olhar nos olhos dure para sempre. Sim, este é o poder do nosso brilho natural.

Equivocado é confundir brilho natural com beleza, sensualidade, expressão etc. Podem realmente existir casos em que a pessoa é atraente, bonita, porém há um magnetismo externo que impede que seu brilho seja exposto. Pensar que é uma pessoa apagada e sem vida também não é correto: todos temos nosso brilho, não importa onde ele esteja. Este nosso poder de transmitir paz, boas energias, segurança e entrega, não se vai embora. A nossa bela aparência, esta sim, um dia nos deixa. Muita gente não sabe bem como encarar tudo isso.

Por isso que deixar ofuscar-se pode ser perigosíssimo. A coisa mais importante é evitar que a própria capacidade de iluminar seja apagada pelos pesares da vida. Deixar ofuscar-se e deixar de reconhecer a própria luz, as próprias qualidades e até capacidades. E na maioria das vezes - muito embora ainda acreditemos que sim - não vale a pena.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Luz na selva escura




Caminhando por uma trilha dessas tantas por aqui, vislumbrei algo que me deixou extasiado. Olhei em um canto escuro, e entre as folhas de duas árvores que ali se encontravam, descia um raio de luz do sol que deixava ambas as árvores com um visual incrível: uma ao lado da outra, com a luz surgindo no meio.

Visualizei naquele momento o grande contraste, a luz tornava os cantos de dentro das árvores mais claros, os fazendo iluminados. E nos lados de fora, a escuridão daquele canto onde as árvores nasceram. Destinadamente.

Corri para perto, precisava ver aquilo com mais calma. Quando me posicionei entre as árvores, percebi que aquela luz também me iluminava e resolvi entrar.

Entrei, por entre as árvores, e aqueles raios de sol aqueceram minha pele em instantes. Continuei adiante e conforme minha visão foi se recuperando, ofuscada que estava por toda aquela luminosidade, reparei em um céu azul bonito e simples. Céu sem nuvens, azul e feito por si só. Céu e sol.

Ali parei. Fiquei impressionado com tal beleza dentro da selva, ainda que eu não saiba em quanto tempo ou de onde virá a próxima tempestade, me senti seguro, ali. Pelo meio, pensamentos voavam e sons de natureza e paz me faziam ser mais eu. O Lenhador pode abaixar o seu machado e deixar de lado todas essas coisas pesadas que carrega nas costas.

Este, o Lenhador, sabe - ainda que não saiba como - que precisa aproveitar a luz.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Wooden Heart

And that's my world. Everytime I run around the time, and there's so many clocks killing myself but I don't care. I have to go.

And everything is too much strange that could be, but my travels have songs in their background. Yeah, exactly as it sounds. I am walking and listenin' to Rush, to Pink Floyd or to Chico Buarque, Tom Jobim. I am happy to have an active brain, but sad to be a crazy man. It's a fucking poor rime.
Sometimes I just hear some kind of a melody composed by nobody, some chords that can talk about sadness and pain. Unfortunatelly, but sometimes, perfect.

The way that it hurts inside me can easily translate what I feel, but I can't recognize who really understand me. Oh, Gosh, where am I? Who am I?

This fucking crazy moment only could be made by counsciousless and horror philosofies. And to much Black Label.

I deserve this.

Pensamento XIV

E essa questão de entender é que é cada vez mais ignorada. Ainda assim, prefiro.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Brothers in arms

Conheci esta música pelo refrão, e agora, ela aparece aqui como sinal de que vem vindo muita coisa boa por aí. Tomara, mesmo, que sim!


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A pétala




Tu és suave, ó pétala, que veio voando e por mim passou. Que não quis ficar, e por que, ó pétala? Por que não se deu ao penar de envolver-se e de me amar pra sempre, por mais perigoso que lhe tivesse parecido?

E assim é doce o lembrar do teu perfume natural e daquela beleza toda tua, e só tua. Quando passou mesmo que rapidamente, iluminou todo o lugar, desafiou a natureza e deixou que o vento te levasse embora para depois trazer-te de novo para mais perto. Agora, quase que assim, colada em mim, ó pétala, deixou que eu pudesse sentir seu toque e assim pediu que o vento soprasse, para te levar embora, sabe-se Deus para onde. Para onde?

Teu passeio assim por perto é uma dança. Tu vens e dança em volta do teu sultão, como a odalisca mais bela, que tu és. E o vento te faz dançar e hipnotizar todos os olhares, abaixo de ti, submissos olhares.

E enquanto, ó pétala, tu estás em volta de mim, ilumina a noite inteira e me rodeia com teu perfume, me permitindo adormecer, acolhido em teus braços, feito um anjo.

Delicada e sublime, tanto encanta que o vento te leva. Te leva sem destino certo, e também sem retorno. Deixo assim que você vá embora, e volte mesmo, apenas, se o mesmo vento assim lhe trouxer.