segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A pétala




Tu és suave, ó pétala, que veio voando e por mim passou. Que não quis ficar, e por que, ó pétala? Por que não se deu ao penar de envolver-se e de me amar pra sempre, por mais perigoso que lhe tivesse parecido?

E assim é doce o lembrar do teu perfume natural e daquela beleza toda tua, e só tua. Quando passou mesmo que rapidamente, iluminou todo o lugar, desafiou a natureza e deixou que o vento te levasse embora para depois trazer-te de novo para mais perto. Agora, quase que assim, colada em mim, ó pétala, deixou que eu pudesse sentir seu toque e assim pediu que o vento soprasse, para te levar embora, sabe-se Deus para onde. Para onde?

Teu passeio assim por perto é uma dança. Tu vens e dança em volta do teu sultão, como a odalisca mais bela, que tu és. E o vento te faz dançar e hipnotizar todos os olhares, abaixo de ti, submissos olhares.

E enquanto, ó pétala, tu estás em volta de mim, ilumina a noite inteira e me rodeia com teu perfume, me permitindo adormecer, acolhido em teus braços, feito um anjo.

Delicada e sublime, tanto encanta que o vento te leva. Te leva sem destino certo, e também sem retorno. Deixo assim que você vá embora, e volte mesmo, apenas, se o mesmo vento assim lhe trouxer.

2 comentários:

N. Ferreira disse...

Que doido... se você desbrava aqui a selva dos seus pensamentos, não seria a pétala a parte mais tênue, pura e sublime deles?

Naakey disse...

Perfeito.