quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tentação



Encontra-me no elevador, manda-o pro último andar e aqui mesmo teremos os melhores momentos das nossas vidas. Perfura-me com uma faca no final, que eu bem mereço, meu amor.

Não me deixe em paz! Incomoda-me, que o teu gosto amargo só vira doce quando em meu céu da boca. E teu corpo é esse tormento me tentando que me faz um qualquer, implorando a tirar sua máscara e todo o resto. Despir sua alma, e ter no paladar tuas mentiras. Eu sei dos teus segredos, e juro não conto, mas guardo com os meus. É, não sou tão perigoso assim. Perigosos são os que não assumem.

Agora pula pela janela, caia esses andares, e saia voando pra longe. Só volte amanhã naquele horário em que você prometeu fazer minhas pernas tremerem. Seja de medo, de dor ou de desejo por este seu sorriso convidativo ao pecado.

E quando eu estiver por aí, meu bem, nem se importe. Pois tão terrível quanto teu veneno é só esse teu medo de ficar sozinha pra sempre que te faz cair em meus braços e até chorar, às vezes, quando sente que pode. Mal sabes que sempre pode, bem pensas que nunca deve.

Sinceramente, tu sempre tens razão.

Um comentário:

Pipa. A que sonha. disse...

E tenho me lembrado daquele quadro:

"O Pierrot deixa cair a máscara. E a colombina segue o jogo mascarada."



Fabuloso seu vôo metafórico.

P.S.: Te abraço com cuidado.