domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tristeza pós-êxtase



Não sei bem por que acontece isso comigo. Também não sei se é só comigo - o que muito provavelmente, não é - porque nunca tive a oportunidade de ouvir de volta algo do tipo "Nossa, comigo também é assim". Mas acontece.

Existem certos momentos em minha vida que causam uma explosão dentro de mim, e sei que não vai adiantar tentar medir, pois é muito forte. Um êxtase intenso que até dói enquanto se consome, e depois de um tempo estoura e provoca uma sensação de que eu sou gigante, e de que eu vou sair voando ou coisa parecida. E sorrindo, é claro.

Não imaginem que esse êxtase é um orgasmo. Ou o orgasmo da companhia, não! É maior do que isso! Eu havia dito que era praticamente inexplicável e, só para tranquilizar (ou não), não há nenhuma substância alucinógena envolvida no contexto.

Mas de longe, a pior parte, mesmo, vem depois de tudo isso. Quando aquele momento de emoção acaba - mesmo que não de uma hora para outra - e não sobra sequer um vestígio da felicidade momentânea. É, como diria a língua popular: "É a hora que o filho chora e a mãe não vê".

Naturalmente vem uma tristeza que me derruba. Sim, é terrível!

Quando retorno, me sinto mal a ponto de ficar gelado. Uma sensação de morte que me deixa absurdamente lesionado por dentro. Machucado, ferido, e qualquer outro sinônimo que caiba aqui.
E junto com a dor vem aquela vontade de ficar sozinho, de ser sozinho, talvez, e de consumir mais ainda esse fundo do poço sem nem olhar pra cima. Nem mesmo as viagens à selva têm tanta intensidade.

E é só depois de me recuperar que consigo descrever, mesmo que de forma tão pobre, a sensação horrorosa e escura em que estive.

E também dentro deste contexto, é que eu desapareço. Não que a inspiração me falte, mas chegar perto de qualquer forma de comunicação faz tremer o corpo todo. E é melhor ficar longe, para o meu bem.

3 comentários:

Ana Paula disse...

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resisir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, que é essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

(Eterna Mágoa)
(Respondendo seu primeiro parágrafo...não é só vc que sente, com toda a certeza!)

Naakey disse...

É exatamente por isso que voltei mais cedo da faculdade hoje. Para poder ficar sozinha, sem ninguém perguntando o que tenho.

N. Ferreira disse...

Que coisa. É justamente nestes momentos mais sombrios do meu eu que eu tenho a maior necessidade do mundo de me expressar.

Mas como a amiga aí de cima, não estou afim de ouvir a resposta. Então escrevo.

Procure explorar mais estes momentos, eles tendem a ser imensamente ricos.

Beijos!