sábado, 6 de março de 2010

O amor e todas as outras coisas



Me perguntam se eu preciso amar para falar de amor e então respondo: mas é claro. Preciso amar e falo tanto de amor porque o nosso viver está todo dentro dele: do gozar e do penar de cada abraço.

O amar em cada abraço é mesmo uma dádiva. Não é preciso me declarar e nem contar para ninguém: sigo a amar sozinho, quem eu amar. Amar sozinho num quarto ou ocupando uma só poltrona no teatro lotado.

Nem venha me dizer que é um amar medroso, porque quem és tu visto que está fora do meu coração? Só o amor cabe nele e o último alguém que aqui esteve, foi-se embora. Foi, e deixou a porta aberta. Deve ser por isso que venta tanto.

É este amor que me faz olhar o tempo todo para o céu em poesia. Quando amo não vejo mar, não vejo sol ou as calçadas. Vejo palavras e versos bonitos, mostro meus sonhos e colho suas rimas. E até talvez entenda porque nem sempre querem ficar aqui por perto. Nem sempre se quer amar.

Aquele mergulho em tudo o que tiver gosto mais doce é a forma menos enigmática de se ter pureza. Não é preciso mostrar ao mundo, e sim apenas, deixar-se ser amado. Por tudo o que se ama. Por tudo o que se quer amar.

3 comentários:

N. Ferreira disse...

Já dizia a música: saber amar é saber deixar alguém te amar.
Amei o vento ventando através da porta aberta que alguém deixou. Bonito e poético :)

Renato Menezes disse...

Estou contente por você ter escrito algo tão grandioso. E por compartilhar isso com todos. E esse é o sentido do amor que cultivamos.

naakey disse...

"Foi, e deixou a porta aberta. Deve ser por isso que venta tanto."

... Né?

De repente senti um arrepio aqui. rs Adorei, Dines!

Saudades