domingo, 4 de abril de 2010

Amor de personagem



"- Por que esse tal amor que personagem finge que sente, amor dessa qualidade que tem paciência até pra esperar passar entre um anúncio e outro, para somente no “voltamos a apresentar” concluir o que tinha fingido que tinha começado, esse tal amor é somente de ficção, e é muito diferente desse negócio aqui que eu sinto, esse negócio de doido que eu não encontro nome nem em todas as palavras existentes e que não tem som e nem letra escrita que explique como ele é exagerado!

- Onde foi que tu leu isso?

- Eu nem li, nem decorei, e nem sei repetir de novo, porque sentimento sentido de verdade não carece de ser documentado em papel ou romance e nem filme de cinema, pois não é da conta de ninguém a não ser da pessoa que sente além da outra responsável pelo afeto causado. A conversa aqui é somente entre tu e eu, eu e tu, Karina. Finge somente uma vez que tu é tu que é pra ver se tu descobre o que tu sente, porque esse beijo que eu vou te dar agora, esse vai ser meu de verdade."



De Antônio, para Karina, em "A Máquina - O Amor é o Combustível (2006)"

2 comentários:

Isabela Dantas disse...

Ahahahaha... Boa!
Se tem beijo bem dado, não se carece de texto, de música, de dança. O amor que é mostrado, essa poesia em ato, preenche a vida e dispensa significantes: ele é o próprio significado dela.
Um beijo.

Luana disse...

Eu ando precisando fingir que sou eu mesma, pra ver se descubro o que ando sentindo. Ou se ao menos, começo a sentir alguma coisa.
Mas é fato, não há como se dizer, nem como se repetir, nem como contar, nem como mentir, quando o amor toma conta da gente. É simples assim.