sexta-feira, 2 de abril de 2010

Lá de dentro



Há uma chama que tremula e não se apaga. Sete velas, que mantêm-se acesas. "Não, minha senhora, não precisa colocar a mão em volta. Existe algo que não as deixará que se apaguem".

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Farsa. Há tempos, diversos acontecimentos fizeram de minha realidade uma outra. E segui este caminho, sob a proteção de mim mesmo e daquela minha força irredutível. Uma parede alta e rija, um dique, e toda a poluição envolvida, sustentada pelo temor da aflição e da fraqueza de ser comum. Sabia que não devia confiar em mim. Pagava o preço.

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Símbolos e seus significados. Percebo que o melhor é respeitá-los. Deixar ser, invadir minhas entranhas e me arranhar por dentro até arrancar as lágrimas. Contorcem-se os meus músculos e me colocam no chão, enfraquecido. Coloco os braços em volta de meu estômago que ameaça corroer todo o meu corpo, faço força até ranger os dentes para manter essas vísceras que ainda aguentam firmes.

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Calmaria. Curiosamente não fui abandonado, penso. Sinto uma sensação de paz e conforto, pois há mãos que seguram uma das minhas, e que me envolvem dando segurança. De joelhos, digo ao pé-do-ouvido de meus pensamentos: não sei quem é você. Permito-me emocionar e cair no choro, sem medo. Deixo que toda a força me invada até que eu possa, novamente, sorrir. Talvez era isso o que estava faltando, e eu nem desconfiava. Humildemente, reconheço...





Um comentário:

Raiana Reis disse...

A cada nova chance de leitura, o apreço pela força de suas palavras... Essas que no momento mostram-se áridas, sofridas, não com menos força e brilho, mantendo ainda a luz da esperança nas velas acesas, e a teimosia irredutível dos sorrisos que brotarão!
Envolva esse grão de areia e a transforme em pérola.

Beijos, menino das cachoeiras!