domingo, 30 de maio de 2010

Sete, e oito!




Levanto e caminho até a sua mesa. Em um movimento sutil, estendo minha mão direita e você logo abre um sorriso. Aceita, com sua mão esquerda, e logo está em pé, ao meu lado, com seu vestido todo bonito.

Com poucas palavras, e um olhar seguro, te levo pro meio da pista. Você sorri, como quem adora, e logo me faz sorrir, em ar de beleza. Gosto disso, gosto de você.

Assim, te trago - minha dama - à minha frente. Olhos nos olhos, agora tu és minha, até o fim. Da música.

Sete, oito, em pensamento. Não há sorriso mais belo que o seu, que pede a condução. Aceito, e te levo, comigo!

E há quem diga que flutuamos, pois te conduzo com firmeza e tu danças como caminhas: leve. E é neste ritmo que somos estrelas, em um palco de sonhos e um céu de belezas, compartilhando calores e declarando amores escondidos.

Até que o silêncio nos separe.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Temível Impacto


"Depois de tanta água no tempo, e daquele deserto de milhares de quilômetros a separá-los, tinham em si a certeza que, de tanto que se amavam, seria mais que perigoso se olharem nos olhos. Assim, de perto, face a face.
Da moça morena, do xote nos pés, dos olhos serenos e os belos cabelos...Ele tinha medo, também um anseio, a aflição do querer. Do moço moreno, da frase e poesia, do toque preciso...Ela era segura, ao passo que tremia, nao controlava. Queriam.
Eis que o mundo haveria de conspirar, para esta transformação: o encontro de dois mundos, gêneros, corpos arrepiados de sede de amor. Temível impacto, este de se entregar. Se arrisquem..."

domingo, 23 de maio de 2010

Dançar

"A dança é uma expressão vertical de um desejo horizonal" (George Bernard Shaw)







Dúvidas?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

My Girl


" - Mas o seu pai é texano! Quando meu pai fica bravo, o máximo que pode fazer, é dar um soco na mesa. "



De Vada Sultenfuss para Thomas J. Sennett, em My Girl (1991).



As vezes me sinto assim. E é decepcionante.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Apocalipse


Chego com o carro, estaciono. Fecho os vidros, desço, tranco as portas. Quando sou surpreendido:
- Hey, rapaz! Não deixa o carro muito tempo aí, não, viu? Porque andam roubando direto, direto...
- Ah, obrigado!


Ponto importante: Ele é o guarda do local.

...

O mundo está mesmo acabando.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Estrutura Abalada


Após assistir "Iron Man 2", posso dizer com toda certeza que se existem certas coisas que podem desestabilizar o planeta completamente, esta é uma delas:







segunda-feira, 10 de maio de 2010

Dança, Marília!



Logo que entrei, percebi sua presença. Eu não sou bobo e nem precisava me fazer de um, era ela. Marília, sim! Aquela de alguns anos atrás, quase que um trovão, um furacão, uma onda. Não, tsunami, isso sim.

Marília é uma morena diferente. O curioso é ninguém conseguir dizer exatamente o porquê. Ouso...

Ela não é fácilmente percebida. Tem uma beleza comum, entre tantas morenas do cabelo cacheado, porém misteriosamente exala uma sensualidade perigosa. Como não poderia ser diferente, até seu perigo vem em dose maior. Marília consegue, com seus olhos, fazer o homem sentir que ela não é o que é. Com seu coquetel fulminante: olhar e sorriso, casa qualquer "galo" no primeiro instante. Essa é a mulher de que estou falando.

Quando a avistei, minhas pernas tremeram. Não por medo ou insegurança, mas sim, ansiedade. Eu sei o impacto que têm os olhos daquela dama, que de forma tão charmosa se porta, mas consegue sussurrar em seu ouvido a narração de todos os movimentos desinibidos, que é capaz, entre quatro paredes. Quase um sonho. Quase.

Também não sendo novidade, Marília estava acompanhada. Sorri de canto de boca: "mais uma vítima...", e falo sério, não é fácil ser uma. Parece que ela tem o controle em suas mãos e abusa desta habilidade, manipulando sutilmente arrepios e desejos a seu favor, tornando a madrugada a fora de todos os homens, em seus interiores, apenas dela. Homenagem.

Ao me ver, enquanto abraçava sua companhia e o colocava de costas para mim, ela sorriu. Por cima dos ombros dele, ela sorriu, e me enviou um beijo delicado, sem a mão, apenas com os movimentos de sua boca. "Smack", quase pude ouvir, mesmo que longe. A conhecendo bem, sei como seu perfume era capaz de o hipnotizar ali mesmo, impedindo que percebesse a correspondência de Marília para comigo. Traição.

Eis que então começou o jogo: Perversa, traiçoeira, ferina - pensava com meus instintos já a flor da pele - ela dançava, na frente do rapaz, enquanto cantava cada frase de cada música. Seu sorriso era de quem mandava, e de quem poderia estar a qualquer momento embaixo, ou em cima. Dele. Ou de mim.

E eu, com aquela expressão de imparcialidade, tentava esconder a vontade de continuar ali a noite inteira. Marília dançava, mas não o provocava, não! Era contra mim que ela estava atirando suas flechas, contra meus olhos. Constantemente, o beijava e abria os olhos rapidamente, diretamente mirando os meus. Perigosa, Marília.

Assim foi que, por um instante, ela desapareceu. E ele, como o destino queria, ficou. Com aquele amargo na garganta, que - pode acreditar - eu já conheço, rapaz. Pegue um drink, disfarce, vá embora. E deixa ela ir, pra qualquer lugar. Deixa ela dançar, rapaz.

Frase relevante


"A correta manutenção deste veículo, de acordo com as especificações contidas no manual do proprietário, contribuirá para a redução da poluição do ar."


*Sim, em sua homenagem.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Trauma



Foi estranho, depois de sete anos, passar ali por aquela calçada. As manchas de sangue curiosamente ainda estavam lá, de assinatura. Enquanto a rua for o lugar mais sujo da minha vida, pra sempre lembrarei disso. Pois bem.

Era uma noite de terça-feira. Eu estava desaparecido do mundo, queria distância, mas insistiam em me procurar. Bloqueei meu telefone, não adiantou. Me encontram, mas que droga. Atendo...

- Alô?
- Preciso falar com você.
- Eu não, me perdoe.
- Me encontra em 10 minutos, você sabe onde.

Como ela sabia que era viável? Fui.

Chego e me deparo com aquele orgulho nos olhos brilhantes e a boca de quem tem muita besteira a dizer. "Diga lá, sou todo ouvidos", me armei (e não foi pouco). Terrível habilidade, desenvolvi, de possuir essas mil faces.

E após uma enxurrada de palavras, meu sorriso de canto. "Você é um louco, um doente", ouvi. Então, gargalhei. Eu sabia aonde dava pra chegar.

Foi então, oriundo desta provocação, que passei por um dos momentos mais assustadores da minha vida. Aquela expressão mudou e ficou agressiva, ameaçou me acertar com uma das mãos, e me afastei. E ao dar um ou dois passos para trás, não me lembro bem, foi que senti o golpe.

Quando vi já estava no chão, e sentindo uma dor terrível no meio das costas. Me acertaram, mas não vi bem quem foi, ou de onde veio. Levantei correndo e virei, quando vi que havia não só mais um, porém dois. Dois homens, que eu não sabia quem eram, e ela, que em meu momento de confusão, me acertou um golpe em cheio no rosto. Mais um. E eu, claro, ri.

Gargalhei mais uma vez, em bom som. "Bata-me, garota, que destes já levei tantos outros". Então um dos dois homens veio em minha direção, e o acertei. No meio do queixo, em cheio. O homem vestindo todo luto, tombou. E eu ri mais ainda.

Eis que, num golpe de azar, congelei. O outro homem à minha frente não me deu tempo para respirar, e pôs uma arma frente ao meu rosto. Mirou em minha testa, assim com a arma bem de pertinho, e a lua parou no céu.

Esbocei um sorriso...

- Atira, homem. Poe uma bala nessa minha cabeça que não para de rir, hahahah - e soltei uma gargalhada. Naturalmente, como se estivesse em paz. Estava é com medo.
- Atira nele, ele merece! - ela falou com aquela voz alta, e com toda a noção de justiça que sempre teve. E eu me senti um homem em apuros.
- Chega de papo! - gritou o homem armado.

Então ele deu um passo para trás, abaixou a arma, mirando não sei bem para onde, e atirou. Acertou, com toda a precisão, meu joelho esquerdo. E no mesmo momento caí no chão, enquanto tentava rasgar a própria camisa para apertar contra o buraco da bala, como nos filmes. Sem qualquer força, qualquer sucesso.

Percebi a movimentação, os três entraram naquele carro branco em que ela estava e foram embora, quase que silenciosamente.



Depois de tentar muito entender o que houve, acabei apagando.
Felizmente, ou não, não foi para sempre.

domingo, 2 de maio de 2010

Aquele Novembro



"De tudo vale te amar, sim, ó minha
bela e pura, ingênua e tão, tão perversa
que em conversa vejo mulher, menina
e que sem luzes posso olhar, sem pressa
Posso acariciar-te e ter inteira,
e dar meu amor em cheiro, a sós
Te amo e até dói, incendeia,
mata, cura, acalma
Acalma-me inteiro, após
vezes que me laceia,
ata, pura, ama
Me leva contigo às águas
seja sereia em nossa cama
faça um tormento em meu peito, chama
que eu atendo, e atento, abraço
Te laço, te ato, te acalmo
te amo"



*Escrito em 29/11/2007, e inacreditávelmente encontrado hoje. Existem coisas que a gente não explica, e as que a gente explica, prefere se calar. Quando não se tem muito a dizer, melhor mesmo fechar a boca. Porém quando se tem, diga mesmo. Ou escreva.