segunda-feira, 10 de maio de 2010

Dança, Marília!



Logo que entrei, percebi sua presença. Eu não sou bobo e nem precisava me fazer de um, era ela. Marília, sim! Aquela de alguns anos atrás, quase que um trovão, um furacão, uma onda. Não, tsunami, isso sim.

Marília é uma morena diferente. O curioso é ninguém conseguir dizer exatamente o porquê. Ouso...

Ela não é fácilmente percebida. Tem uma beleza comum, entre tantas morenas do cabelo cacheado, porém misteriosamente exala uma sensualidade perigosa. Como não poderia ser diferente, até seu perigo vem em dose maior. Marília consegue, com seus olhos, fazer o homem sentir que ela não é o que é. Com seu coquetel fulminante: olhar e sorriso, casa qualquer "galo" no primeiro instante. Essa é a mulher de que estou falando.

Quando a avistei, minhas pernas tremeram. Não por medo ou insegurança, mas sim, ansiedade. Eu sei o impacto que têm os olhos daquela dama, que de forma tão charmosa se porta, mas consegue sussurrar em seu ouvido a narração de todos os movimentos desinibidos, que é capaz, entre quatro paredes. Quase um sonho. Quase.

Também não sendo novidade, Marília estava acompanhada. Sorri de canto de boca: "mais uma vítima...", e falo sério, não é fácil ser uma. Parece que ela tem o controle em suas mãos e abusa desta habilidade, manipulando sutilmente arrepios e desejos a seu favor, tornando a madrugada a fora de todos os homens, em seus interiores, apenas dela. Homenagem.

Ao me ver, enquanto abraçava sua companhia e o colocava de costas para mim, ela sorriu. Por cima dos ombros dele, ela sorriu, e me enviou um beijo delicado, sem a mão, apenas com os movimentos de sua boca. "Smack", quase pude ouvir, mesmo que longe. A conhecendo bem, sei como seu perfume era capaz de o hipnotizar ali mesmo, impedindo que percebesse a correspondência de Marília para comigo. Traição.

Eis que então começou o jogo: Perversa, traiçoeira, ferina - pensava com meus instintos já a flor da pele - ela dançava, na frente do rapaz, enquanto cantava cada frase de cada música. Seu sorriso era de quem mandava, e de quem poderia estar a qualquer momento embaixo, ou em cima. Dele. Ou de mim.

E eu, com aquela expressão de imparcialidade, tentava esconder a vontade de continuar ali a noite inteira. Marília dançava, mas não o provocava, não! Era contra mim que ela estava atirando suas flechas, contra meus olhos. Constantemente, o beijava e abria os olhos rapidamente, diretamente mirando os meus. Perigosa, Marília.

Assim foi que, por um instante, ela desapareceu. E ele, como o destino queria, ficou. Com aquele amargo na garganta, que - pode acreditar - eu já conheço, rapaz. Pegue um drink, disfarce, vá embora. E deixa ela ir, pra qualquer lugar. Deixa ela dançar, rapaz.

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