sábado, 31 de julho de 2010

Ponto Fraco



É sempre assim.

Eu sei que é comigo, mas como resistir?

Ela apareceu com um charme que é só dela, anos de encanto e aqueles olhos grandes a me convidarem ao pecado, o que eu haveria de fazer?

Me entreguei a este arrepio que traz um abraço em meio à aquela conversa boa, de gente grande, de gente certa. Ela olhava as minhas diferenças, eu enxergava seus medos, e parecia que nos conhecíamos desde tanto, tanto tempo.

Fui obrigado a deixar tudo para trás, sorrir e fazer daquela noite mais que um encontro de coincidências. Me vi mais uma vez obedecendo ao meu ego e padecendo, a toda nova concepção do amor que pudesse ser criada, inventada, imaginada.

Tocada.

Um dia ainda me perdoo pelo meu ponto fraco ser tão fraco. Ainda hei de querer ser forte.


sexta-feira, 30 de julho de 2010

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Saiba



É uma muralha, é um muro, uma bela maravilha
O teu sorriso é um sonho, mas o amor, de mentira?
Este meu medo é um abuso, pura disritmia
E a tua pele, um encanto, se me toca macia

Calma dor, não me lembre, de uma qualquer rotina
Calma força, apareça, quando estiver tranquila
Me mostre algo maior que a loucura, vazia
Que esta moça é tão doce, e o sorriso irradia

Com toda força eu digo, quero isso todo dia
Quero beijos nos sonhos, e teus sonhos em vida
Neste corpo desnudo, que minha mão desliza
Mergulhar, tua alma, acabar a poesia

Coragem


Vestir a roupa da coragem para fugir é tão valido quanto despir-se daquela utilizada para ficar e enfrentar.

O que vai ser ?

terça-feira, 27 de julho de 2010

Coleção



Se tem amor pra amar, que ame. Pois há tanto pra se ter com tão pouco, que só pode ser milagre.

E a cada emoção que vem, a cada pranto, resta de longe um suspiro e a vontade: o querer é bom, bom demais.

Mora no peito amado para que tenhas onde chorar. Mesmo que seja necessário chorar, chore também, mas confesse: não é possível mais viver sozinho. Não com este peito a acomodar-te.

Ao caso de precisar de tempo: se dê. É uma vida só, um tempo só, um tempo teu. Mostra pra si mesmo o que precisa, e se presenteie com a tua realidade. Ela é perfeita.

Na hora que sentir vontade, um desejo reprimido de fuga: fuja! Foge, mas vê se volta, pois é preciso. Alguém te espera, e é só este alguém, que tu precisas que te espere. Não há peito que valha o fugir pra sempre, vai por mim.

Por fim, da mentira: respeite todas. As suas, e as do outro. Nenhuma mentira fará o peito amado se perder do seu, e nem toda a verdade lhe concederá tal propriedade.

Entretanto, antes de tudo, dê ao seu amor também algo de suma importância: este diário.

domingo, 25 de julho de 2010

O teu veneno




Ah, mas ora veja, o que fizeste comigo.

Colocou em mim o teu veneno, sujo e entorpecente líquido. Sujou meu sangue, poluiu minhas veias, embaçou minha visão e encheu de cinza minhas emoções tão azuis.

Foi pra isso que passou em minha vida? Para me trazer a este quadro, que aprendestes a ser?

Não vale nem o esforço te dar estas palavras assim, diretas aos olhos, mas vale sim a indignação de perceber como deixou perto de mim esta realidade escura, má. É, vejo que é isso: tua realidade é má.

Agora que chego perto do que pode ser bom, já começo considerando apenas como uma chance. Enlaço-me em braços leves, navego em profundos sonhos, respiro um perfume puro. E mesmo assim, tenho medo.

Em paz, depois de tua partida, restou apenas meu sangue correndo em apuros, por entre as veias escuras até chegarem em uma sombra, o coração.

Faço uma prece por piedade, misericórdia. Anseio, aflito, a Deus: eu me quero de volta.

E sei que Ele me ouve.

Amém.

sábado, 24 de julho de 2010

Café com amor



Naquela manhã de domingo, ele acordou mais cedo, só pra olhar pra aquela menina. Não dava pra acreditar que ela estava ali, deitada a seu lado, dormindo o sono de quem está lá por cima das nuvens. Dormir sorrindo é para poucos, pensou.

E aquilo que era pecado absorveu uma pureza que não se sabe de onde veio, mas tudo ficou belo. Enquanto, com suas mãos macias, tocava o corpo dela com todo cuidado para não deixar que acordasse, lembrava dos sorrisos de criança e da coisa boa que era o gosto de um reencontro.

Aqueles cabelos loiros todos bagunçados no travesseiro, só despertavam mais ainda o seu desejo. E a nudez da menina que virou mulher brilhava em seus olhos, enquanto reparavam em cada traço, cada toque de natureza naquela escultura - curva por curva - que media com suas mãos. Mais uma vez riu, sozinho, enquanto colocava sua mão esquerda sobre as costas dela, e disse em voz alta: "tudo encaixa...".

Então num bocejo longo e hipnotizante, ela acordou. Sorriu, e cochichou: "sonhei com você". Deram então um abraço gostoso, peito no peito, rosto no rosto, enquanto um sol invadia a janela por entre a cortina e anunciava a hora do café...


...


Não ouso continuar. Café com amor, dispensa qualquer roteiro.

Aposto



Cuida deste teu rosto
Gosto deste teu gosto
Faço meu peito imposto
A teu punhal, exposto

Teu olhar, meu encosto
Teu pecado, um desgosto
Mas me mostro disposto
Neste verso, composto

Teu coração, em posto
E teu medo, suposto
Meu arrepio, oposto
Eu, em mim, decomposto.