sábado, 24 de julho de 2010

Café com amor



Naquela manhã de domingo, ele acordou mais cedo, só pra olhar pra aquela menina. Não dava pra acreditar que ela estava ali, deitada a seu lado, dormindo o sono de quem está lá por cima das nuvens. Dormir sorrindo é para poucos, pensou.

E aquilo que era pecado absorveu uma pureza que não se sabe de onde veio, mas tudo ficou belo. Enquanto, com suas mãos macias, tocava o corpo dela com todo cuidado para não deixar que acordasse, lembrava dos sorrisos de criança e da coisa boa que era o gosto de um reencontro.

Aqueles cabelos loiros todos bagunçados no travesseiro, só despertavam mais ainda o seu desejo. E a nudez da menina que virou mulher brilhava em seus olhos, enquanto reparavam em cada traço, cada toque de natureza naquela escultura - curva por curva - que media com suas mãos. Mais uma vez riu, sozinho, enquanto colocava sua mão esquerda sobre as costas dela, e disse em voz alta: "tudo encaixa...".

Então num bocejo longo e hipnotizante, ela acordou. Sorriu, e cochichou: "sonhei com você". Deram então um abraço gostoso, peito no peito, rosto no rosto, enquanto um sol invadia a janela por entre a cortina e anunciava a hora do café...


...


Não ouso continuar. Café com amor, dispensa qualquer roteiro.

2 comentários:

Raiana Reis disse...

Que saudade da sensibilidade das suas linhas, e que linda composição... Nessas descrições, bilhete comprado pra viagem em sentidos, acordar com um sonho ao toque das mãos também dispensa qualquer café. rs

Renato Menezes disse...

Como é bom ler você de novo. Adorei a roupa nova do blog.