terça-feira, 31 de agosto de 2010

Só quando me lembro





O mundo chacoalha feito um chocalho, desaba, e vai lá pro alto. O mundo se mexe.

Eu olho pros lados, está tudo escuro. Por alguns buracos posso ver as luzes, se forma uma sombra minha a cada furo.

E é nestes buracos que me dão comida. É por estes ventres que posso ouvir vozes, querendo que eu fique, ali preso, pra sempre.

Por detrás de mim estão elas, as formas, que vêm me buscar e dizer-me o que querem. Eu olhos pros lados, está tudo escuro. Tenho vários corpos, e em todos me ferem.

Estou numa caixa, o mundo me acha, me joga pros lados. Estou numa lasca, o mundo me joga, me acha algum lado, encaixa e me fere, me deixa de lado.

Mas fico irritado, se logo me acham. Pois todos ja sabem onde é que me encontram! Se passo apressado, até me fotografam, se passo e disfaço, eles gritam meu nome...

Meu Deus!

Se saio da caixa por alguns instantes, estou em perigo, mas sabe? Se dane! Eu vejo este mundo, das ruas de fora, e eu quero distância, das luzes dos furos, que vêm lá da caixa onde cada minuto, se torna uma hora.

Me tirem daqui!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Remember



"Em todos estes anos nesta indústria vital, esta é a primeira vez que isso me acontece." (Guarda Linhas)



Para re-lembrar!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Cura



- Não tem cura, disse o médico.

E foi então que, neste momento, todas as coisas se transformaram. E enquanto o doutor descrevia seguramente como funcionava tudo aquilo, eu sentia queimar, dentro de mim, todas aquelas particulas venenosas que correm agora pelo meu sangue sem a menor previsão de que irão sair. Não vão.

Saí daquela sala transtornado. Nas mãos, papéis impressos em computador com a força de uma bomba nuclear, os quais amassei com toda a força que tomava meus pulsos: eu ainda a tenho.

Sentei no banco do carro e olhei no espelho. No fundo dos meus olhos, pude visualizar uma mistura de sentimentos que quase me fizeram bater com a cabeça no volante, assim, beirando a insanidade. Respirei fundo, o coração naquela disritmia crítica que sempre me arrebenta nos momentos de tensão, me fez fechar os olhos e deixar lágrimas caírem. Olhei no espelho de novo e suspirei: "a culpa é sua".

Desci do carro, resolvi ir à pé. Naturalmente, as pessoas seguiam seus caminhos sem nem mesmo olhar para o lado. Em meio à multidão, me senti apenas mais um, e isso foi me trazendo de volta o controle dos nervos. Avistei um banco, destes de praça, onde havia uma mulher. Sentei.

Ela pareceu nem notar minha presença, e continuou ali, focando seus olhos - congelados - na calçada. Sem nem me questionar o que ela estaria olhando, fiz o mesmo e novamente suspirei: "a culpa é sua". Então, a mulher me olhou. Estava olhando para a calçada mas percebi que ela virara o rosto e sua respiração pode até mesmo chegar em mim. Foi então, que ela disse:

- A cura está aqui. - E me entregou um pequeno papel branco, dobrado e amassado como um bilhete.

Mal tirei os olhos do bilhete e olhei de volta para procurar por seus olhos, e ela havia desaparecido. Misteriosamente a multidão a levou para qualquer lugar desta metrópole.

- Droga! - Gritei enquanto, em pé, a procurava com os olhos lá na frente. Em vão.

Sem nem mesmo sentar, voltei ao bilhete e o abri, como uma criança recebendo o presente.

Quando abri, era um papel em branco. Mas o papel era ligeiramente fino, quase que transparente, de forma que eu podia ver cada linha da palma da minha mão.

Quem será que era aquela mulher?


domingo, 22 de agosto de 2010

Crazy




Podia se ouvir de longe aquela força e energia boa que vinha de sua voz. Em sintonia com cada uma das notas musicais, formavam um casamento harmonioso, a forma intensa como era conduzido cada movimento em cima do palco e a incessante melodia.

E foi logo ao chegar no campo visual de onde vinha toda aquela mágica sensação, que pude enxergar: havia uma luz sobre aquele cantor. Algo surpreendente fazendo com que toda palavra que saía de sua boca, vestisse como luva nos ouvidos de cada uma das centenas de pessoas ali, frente ao palco, deixando-se envolver pela sua maravilhosa forma de também se envolver com elas.

Recebi um aceno, e com um sorriso verdadeiro e um envio de energia positiva, devolvi. E o show continuou, sutilmente carregado nas mãos daquele homem que, em vestes de menino, sabia exatamente o que fazer. Sua confiança e precisão fazia com que o encantamento no olhar de cada garota fosse inevitável, bem como a admiração e espanto de cada homem ali presente. Ele podia fazer o que quisesse, aquele era o seu momento.

Bastava olhar por um instante assim, mais atentamente, para perceber como ele estava "em casa". O lugar do artista é o palco, sim, mas ali era bem mais do que isso. Havia uma garra e uma dedicação total a cada uma das melodias, afinadamente cantadas, que tornava a qualidade dos sons cada vez mais impressionante. Pensei: "Ele está bem melhor do que antes".

Toda essa mistura de paz e confiança só poderia ter uma explicação: naquele momento ele, o dono deste show, tinha a certeza de estar cumprindo a sua missão. Levar o que se quer dizer, para aqueles com que se quer que ouçam, não é para qualquer um. Era pra ele.




E essa é uma simples homenagem a ti, meu amigo, porque tu consegues. Não há mais nada que se possa dizer, além de que, este mundo é seu.

sábado, 21 de agosto de 2010

Hobby




"O que acontece na Marginal de Pinheiros, próximo à região de interlagos?
Três veículos colidiram, próximo à ponte do Morumbi, e a condição é péssima, tanto pela expressa quanto pela local. Recomendo avenida Morumbi, Santo Amaro, João Dias, vai fazer um caminho melhor por ali."


Rádio Sulamérica Trânsito, recomendo.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Uísque



Qual o gosto que lhe encanta?
Qual o olhar que te mostra?
Toda a loucura que é santa
Cada veste posta a prova

Nada é mais claro que o ponto
D'onde se vê o oceano
E a cada peça, te conto
Todo esforço sobre-humano

Deixa a noite decorrente
De cada qual, viajante
Leva em si uma corrente

Faço do lasco, semente
Para que siga adiante
Sem nem contar o que sente

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Suspirando palavras




Eu gosto de você. Mas assim, no meu segredo, na minha.

Eu, entende?

Olho e as vezes te pego olhando assim pra mim, daquele jeito, de quem quando os olhos se cruzam, nao sabe bem o que fazer.

E me encanta, veja só?

Então tu chegas por perto, devagar, e é só você sorrir assim bonita, que eu ja estou a pensar mil coisas, e numa velocidade incrível. E todas as mil coisas caindo numa só: teu beijo, este sonho.

Tua forma toda tua, é um ar com gosto de mistério, um olhar com cheiro de sedução, e um toque com som de amor. E tudo misturado, bem liquidificador.

Guardo comigo, o platonismo todo. Temos tempo, eu bem sei, e nem me importa quanto.

Mantenho-me a seguir teus passos, apenas quando eu só penso, um dia em te conduzir.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pegar de jeito





" - Se você está falando da Rae, a loirinha, pode parando por aí, coroa, ela é minha.

- Ela não parece bem, falou do seu nome, está tendo calafrios.

- Besteira, cara! Aquilo tem o diabo no corpo, gosta mesmo da coisa, entende? E tem um mocinho pra mandar as flores. Aí, quando ela precisa de um homem de verdade, pra pegar ela de jeito, ela me liga, sabe como é?"



Tehronne, em Black Snake Moan (2006).

domingo, 15 de agosto de 2010

Ratos



Eles existem. Estão por toda parte, a sujar cada um dos ambientes com suas asquerosas patas imundas.

São, muitas vezes, imperceptíveis. Noutras, pode-se distinguir assim, só pelo cheiro. Dão nojo, estas criaturas.

Primeiro convidam-te a entrar, assim, cordialmente. "Vem comigo?", dizem, atenciosamente.

Não temos outra alternativa, nós, os de alma limpa. Aprenda a jogar e jogue, ou caia fora. Aprenda a digerir, e engula! Ou, caia fora.

Todavia tome cuidado, olhe pra frente, perceba. Você pode se apaixonar, pode cair no véu do veneno, das vestes dos vermes. E então, um abraço! Já se foi mais um.

Inalar o seu cheiro entorpecente é quase alternativa inescapável, portanto inspire, espire, deixe sair esta droga de você. Toda ela, sem fragmentos, que podem se alojar aí dentro e fazer você começar a pensar como um deles. E se não tomar mais cuidado, a parte que fica será sempre maior, e terei de dizer novamente: adeus.

Os ratos estão a dominar cada um dos cantos da rua, dos bares, dos palcos e prédios, do topo dos ares, também dos mosteiros, e de qualquer terra debaixo do céu.

Cruelmente substituem os humildes, perfuram bondosas intenções, penetram por entre os corredores de paz e perfuram as veias onde corre sangue puro, envenenam, se envenenam, e mostram sua força assim quando se unem, exalando sua impureza e espalhando a discórdia.

...

Respiro e engulo em seco. Não é possível estar em um ambiente com muitos deles, e não se sentir assim, angustiado. Vejo alguns dos poucos que eu contava ali contaminados pela excrescência da imundisse, e respiro novamente.


Agradeço por não ter aceitado o convite, e por nunca deixar-me envolver pela fumaça do lodo que envolve aquela presença estuporada.


Eu estou de fora. Ainda bem, eu caí fora.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Conquista



Ela era tímida, e ele, um tremendo sem vergonha. Era mesmo bem fácil falar a respeito de Telma e Renato.

Se conheceram quase que por um acaso, e é curioso como toda estória de amor acontece assim. O amor, eu não sei, mas a conquista com certeza é obra do acaso: tanto pra quem conquista, como pra quem é conquistado.

Pois bem, e foi que Renato entrou e a avistou de longe. Não quis dizer, mas se permitiu pensar: que mulher lindíssima. E este adjetivo tem todo um poder, porque vai além do que qualquer charme pode provocar: é mais que linda.

Telma viu que Renato entrou e sentiu um calafrio..."Ai meu Deus", ousou dizer em voz alta.

- O que foi, Telma? - Disseram alguns, que estavam ao lado.
- Ai, nada, nada... - e suspirou, ansiosa.

A aula começou, e ele sabia o que fazer. Lançou o olhar fixo, sedutor e penetrante, como há tempos não precisava fazer. E a conquista também tem destas coisas: magnetismo! Foi só lançar o olhar e a garantia de reciprocidade isolou todos os outros que ali estavam, os coadjuvantes. Eram ele, e ela. E só.

Por alguns segundos se olharam, e ela não resistiu: virou o rosto, e logo virou-se por completo. Com os cabelos na mira de Renato, ela riu, tímida, tímida...e ele, claro, ficou sem entender muito bem.

Toda esta timidez fez com que Renato recuasse, afinal, ele logo percebeu que ela não era do seu estilo. Ou seja, suas armas não funcionariam. Não agora. E embora ele desconfiasse de um interesse, talvez, da parte dela, não conseguia agir. E se sentia estranho, afinal, com todo seu histórico, não era possível que estivesse congelado.

Renato ainda não deve se conhecer muito bem, e não sabe que timidez, é algo que o assusta e atrai, com os verbos sutilmente equilibrados.

E conforme as semanas foram se passando, Telma tentava. Mas sua timidez, não lhe permitia ser tão clara. Sem saber, Telma ficava cada vez mais encantadora e, até mesmo, sensual, para Renato. Ele babava.

Em um belo dia, também como sempre são belos os dias de mãos suadas e coração apertado, Telma chegou assim, bem perto de Renato, que estava sentado. Telma, sem saber muito bem o que fazer, apenas encostou seu braço esquerdo no braço direito dele, como quem pára do lado. Corpo no corpo, pêlo no pêlo. Arrepio.



e continua...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

As feras e as bestas



Sentado nesta pedra, observo com calma as coisas acontecerem. Parece que o mundo acabou de se livrar de um grande mau, porque a paz tem reinado. Posso respirá-la.

Meu anseio por momentos como este partiu de quando percebi toda a bagunça. O perigo à solta pelas ruas, esquinas, vielas, e o temor no rosto das pessoas. Discretamente eu andava pelas calçadas, enquanto por detrás de um olhar misterioso e vazio, podia olhar atrás dos olhos daquelas mesmas pessoas e até mesmo entender, com um pouco de paciência, o que as fazia ser tão, digamos, distantes de si mesmas.

Foi melhor, mesmo, parar com a brincadeira.

Abri os portões e deixei as feras escaparem, para que assim brigassem com as bestas que andaram provocando os pesadelos. Elas venceram, veja só. E agora passeiam aqui, selva adentro, enquanto se recuperam da briga. Respiro fundo, e escrevo parágrafos soltos...

"...no dia do sacrifício, as feras foram libertadas. Seus corpos eram uma mistura de um homem e um felino dos grandes, com pele de coloração toda branca. Tinham uma força tremenda, e com velocidade avançaram sobre as bestas, que quase se intimidaram, antes de resolverem também atacar.
A batalha foi dura. Enquanto as bestas lançavam pesadelos sobre as pessoas, as feras mordiam seus pescoços e agarravam com força suas cabeças, atirando-as contra os muros da cidade.
Um homem observava tudo, em pé e parado ao lado de uma casa abandonada, frente ao portão de grades, todo enferrujado. Sob o céu escuro, vestia um casaco cinzento, destes pesados, e um chapéu que escondia o rosto. Era ele quem comandava as feras..."


Vejo uma delas aqui por perto, de sentinela, a me defender. Só eu sei o quanto preciso disso, hoje.


Mas, ninguém mais sabe.


Ninguém mais.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

You lose.



O que era previsto aconteceu: eu perdi.


Mesmo que até a derrota tivesse sido planejada, o impacto foi grande. Convertido em sonhos, pesadelos, calafrios. Piores que aquela vez, em que padeci.

Será que esta era mais forte, por isso tão grande reflexo, ou será que eu é que abusei demais dos meus limites?

Não sei.

O que sei é que é hora de recuar, como no fim de cada batalha da guerra. Trazer os exércitos de volta (ou, de repente, apenas o que restou deles) e esconder as armas. Quem vai mesmo precisar delas?

Sento isolado em minha sala, porque ainda estou aqui fora. Lembro que não tenho uma sala, e que faço de meu refúgio cada pedaço de terra em que se possa chorar. Sozinho.

Existe todo um universo correndo por fora e que não será abalado. Reservei muita força para este, pois sei o quanto é mais importante. Aliás, parte da minha derrota deve-se a isso: administração e prioridade. Tem tanta coisa boa acontecendo em paralelo, e eu não podia deixar que fossem abaladas. Claro, pode ser que uma coisa ou outra acabe respingando, uma ou outra faísca, mas também não será surpresa.

Calculo.

E perder tem dessas, mesmo. O reconhecimento é fundamental e a humildade de assumir ainda continua sendo o melhor trunfo. Devo agradecer.

Aos que venceram, dou-lhes o crédito. É de vocês. E não digo que voltarei, pois não é meu perfil vingar ninguém. Nem mesmo a mim, pois não mereço.

E agora olho assim, parado e de peito aberto, frente à selva. Ah, ja posso sentir aquela brisa boa, vindo lá de dentro, e me convidando para entrar. Não conheço todos os perigos que estão lá dentro, mas pelo menos sei - por enquanto - onde posso me esconder.


Home, sweet home.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Exílio



Eu juro que queria ser assim, bem menos preconceituoso com determinadas coisas.

Por Deus, como posso odiar de forma tão repugnante as coisas originadas do óbvio, do que está claro, do mastigado. Aquilo que vem sem ter sido refletido, e não causa nenhum efeito.

Ou será que algum dia alguém perdeu minutos (ou quem sabe, até, horas) pensando naquilo?

Por motivos de força maior me vejo num beco sem saída. E na parede do beco há um telão exibindo uma palestra de motivação. Parece o inferno? Não, né? Por isso que eu digo que vem de mim, esse preconceito, essa vontade avassaladora de explodir naquele momento. Ou de simplesmente ligar o "stand by" e deixar rolar.

É o que tenho feito.

Que me perdoem as pessoas que vivem disso. Aliás, que me perdoem, nada. Como pode ser possível alguém ser pago para falar sobre o óbvio, usando resultados de pesquisas e estatísticas possívelmente ilusórias*, e tirando de todo aquele contexto algo que deva melhorar a vida de alguém (e haja rodeio pra chegar no ponto em que, efetivamente, se quer falar) . A novidade? Não melhora. Não a minha.

Percebo que estou exilado quando vejo sorrisos ao fim do bate papo. Eu não estou sorrindo, mas não posso contar a ninguém. Eu sei que está errado aí também.

Mas é disso que o mundo precisa: de gente lesada. Gente lesada para ser enganada por pessoas de índole duvidosa, gente maldosa para fazer aliança com as últimas, e gente crítica para ficar reclamando destes absurdos mas agir apenas em função de si próprios, por acreditar que em minoria é muito mais difícil mudar o mundo.

Me perdoem as palavras vomitadas.

Aliás, me perdoem, nada.





*Salvo quando apresentada fonte, o que nunca aconteceu comigo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Telegrama


Sempre gostei desta música. A conheço há nem sei quanto tempo, e já a ouvi em tantas versões e formas diferentes, que cheguei até a enjoar.
Mas ontem, eu recebi um telegrama! Era você de Aracaju, ou do Alabama, e a música nunca coube tão assim, encaixada, em qualquer dos momentos da vida.

Mas quando, se não, agora?
E onde, se não, aqui?


Eu tava triste
Tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela

Eu tava só
Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão
Na hora que cai o pano

Tava mais bôbo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok...

Mas ontem
Eu recebi um Telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo:
Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito muito te ama,
que tanto te ama!...

Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...

Mama! Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu papa!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O futuro está aqui




Sinto um arrepio, misturado com uma sensação de explosão de dentro pra fora, que grita: bem vindo de volta.

Há tempos não entrava em contato com este ar, este clima metropolitano. Me deparo naturalmente com uma carga de imagens e sons, cheiros, gostos, tudo ao mesmo tempo e tudo vindo bem, bem rápido! O que está acontecendo aqui?

É uma vontade de voltar que me move a entrar de cabeça, avançar as marchas e com a ajuda do reflexo jovem, desviar dos obstáculos. Aqueles lentos, só me ajudam a seguir em frente, e os mais velozes, me mostram que não será tão fácil.

Mostro-me seguro, todavia esteja assustado. Estou aprendendo a respirar confiança e transpirar firmeza, embora o coração mole ainda me ajude a lembrar-me de quem sou. Não vou perder minha essência.

Aqui não se perde sonhos, mas sim, constrói-se aos montes. Guardo-os comigo, em um pacote que me acompanha: aqui tenho tudo o que preciso.

As armas bem escondidas, só mostro quando realmente irei usá-las, e as costas bem protegidas pelo que há de tentar fazer mal. A frente está aberta: os perigos chegam sempre ao alcance dos olhos! O que sobra são os meus dois lados, quem está - de verdade - comigo?

Sinta-se em casa, ouço.

Mastigo, engulo.

Só faço digerir.

Bem devagar.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

É Fantástico



"O melhor medidor da tua relação com seu trabalho, são tuas noites de domingo".
(essa é do meu amigo, Emanuel Spadim)

domingo, 1 de agosto de 2010

Into the wild



Ano após ano, ciclos só fazem recomeçar. Eu voltei.

Finjo que não é comigo, mudo de assunto, mas dentro da selva - eu sei, que - está tudo bagunçado.

Piso cuidadosamente por entre espaços estreitos em que me permito me mover, enquanto olho quase como que de fora, todas as transformações ocorrendo, e todas ao mesmo tempo. Ontem mesmo passei por aqui, e já tem algumas coisas fora do lugar.

Será que estou andando em círculos?

Quando paro, sento e planejo. Na maioria das vezes, quando encontro um perigo feroz que pode me engolir a qualquer momento. Me escondo em qualquer uma destas proteções que eu mesmo fiz para minha segurança: as vezes em cima de uma árvore bem alta, as vezes debaixo de alguns galhos por entre as pedras, e enfim, ali eu posso respirar.

Porém nunca o planejamento sai conforme o esperado, e pelo contrário: nada acontece conforme planejado. Reflito sobre a importância de planejar pois, mesmo que não haja conformidade, prefiro assim do que ter ido sem esperar por nada. É bom, para mim, ter um campo de força imaginário.

No momento em que me escondo, escapo temporariamente dos perigos maiores. Eles estão ali, não posso mentir para mim mesmo, porém eu posso escolher por um tempo certo enfrentá-los ou não. Sei que o tamanho e a ferocidade são proporcionais ao que eu devo poder superar. Mas quem disse que dá pra pensar assim, no momento da ameaça?

E enquanto olho os grandes monstros à volta, sou atingido por pequenos e peçonhentos incidentes: são ameaças que estão no lugar onde me escondo. Estas também ferem e machucam, e mesmo que não sejam fatais, deixam cicatrizes para a vida toda. Difícil lidar com a vontade de estar na selva assim, por si mesmo.

E este talvez seja o motivo de não convidar ninguém para vir. A vida sozinho, quando na selva, é mais segura. E poupa esforços: ninguém iria realmente querer estar aqui.