quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Conquista



Ela era tímida, e ele, um tremendo sem vergonha. Era mesmo bem fácil falar a respeito de Telma e Renato.

Se conheceram quase que por um acaso, e é curioso como toda estória de amor acontece assim. O amor, eu não sei, mas a conquista com certeza é obra do acaso: tanto pra quem conquista, como pra quem é conquistado.

Pois bem, e foi que Renato entrou e a avistou de longe. Não quis dizer, mas se permitiu pensar: que mulher lindíssima. E este adjetivo tem todo um poder, porque vai além do que qualquer charme pode provocar: é mais que linda.

Telma viu que Renato entrou e sentiu um calafrio..."Ai meu Deus", ousou dizer em voz alta.

- O que foi, Telma? - Disseram alguns, que estavam ao lado.
- Ai, nada, nada... - e suspirou, ansiosa.

A aula começou, e ele sabia o que fazer. Lançou o olhar fixo, sedutor e penetrante, como há tempos não precisava fazer. E a conquista também tem destas coisas: magnetismo! Foi só lançar o olhar e a garantia de reciprocidade isolou todos os outros que ali estavam, os coadjuvantes. Eram ele, e ela. E só.

Por alguns segundos se olharam, e ela não resistiu: virou o rosto, e logo virou-se por completo. Com os cabelos na mira de Renato, ela riu, tímida, tímida...e ele, claro, ficou sem entender muito bem.

Toda esta timidez fez com que Renato recuasse, afinal, ele logo percebeu que ela não era do seu estilo. Ou seja, suas armas não funcionariam. Não agora. E embora ele desconfiasse de um interesse, talvez, da parte dela, não conseguia agir. E se sentia estranho, afinal, com todo seu histórico, não era possível que estivesse congelado.

Renato ainda não deve se conhecer muito bem, e não sabe que timidez, é algo que o assusta e atrai, com os verbos sutilmente equilibrados.

E conforme as semanas foram se passando, Telma tentava. Mas sua timidez, não lhe permitia ser tão clara. Sem saber, Telma ficava cada vez mais encantadora e, até mesmo, sensual, para Renato. Ele babava.

Em um belo dia, também como sempre são belos os dias de mãos suadas e coração apertado, Telma chegou assim, bem perto de Renato, que estava sentado. Telma, sem saber muito bem o que fazer, apenas encostou seu braço esquerdo no braço direito dele, como quem pára do lado. Corpo no corpo, pêlo no pêlo. Arrepio.



e continua...

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