domingo, 1 de agosto de 2010

Into the wild



Ano após ano, ciclos só fazem recomeçar. Eu voltei.

Finjo que não é comigo, mudo de assunto, mas dentro da selva - eu sei, que - está tudo bagunçado.

Piso cuidadosamente por entre espaços estreitos em que me permito me mover, enquanto olho quase como que de fora, todas as transformações ocorrendo, e todas ao mesmo tempo. Ontem mesmo passei por aqui, e já tem algumas coisas fora do lugar.

Será que estou andando em círculos?

Quando paro, sento e planejo. Na maioria das vezes, quando encontro um perigo feroz que pode me engolir a qualquer momento. Me escondo em qualquer uma destas proteções que eu mesmo fiz para minha segurança: as vezes em cima de uma árvore bem alta, as vezes debaixo de alguns galhos por entre as pedras, e enfim, ali eu posso respirar.

Porém nunca o planejamento sai conforme o esperado, e pelo contrário: nada acontece conforme planejado. Reflito sobre a importância de planejar pois, mesmo que não haja conformidade, prefiro assim do que ter ido sem esperar por nada. É bom, para mim, ter um campo de força imaginário.

No momento em que me escondo, escapo temporariamente dos perigos maiores. Eles estão ali, não posso mentir para mim mesmo, porém eu posso escolher por um tempo certo enfrentá-los ou não. Sei que o tamanho e a ferocidade são proporcionais ao que eu devo poder superar. Mas quem disse que dá pra pensar assim, no momento da ameaça?

E enquanto olho os grandes monstros à volta, sou atingido por pequenos e peçonhentos incidentes: são ameaças que estão no lugar onde me escondo. Estas também ferem e machucam, e mesmo que não sejam fatais, deixam cicatrizes para a vida toda. Difícil lidar com a vontade de estar na selva assim, por si mesmo.

E este talvez seja o motivo de não convidar ninguém para vir. A vida sozinho, quando na selva, é mais segura. E poupa esforços: ninguém iria realmente querer estar aqui.

2 comentários:

Lu disse...

Eu acredito que não, com certeza existe alguem que gostaria de estar ao seu lado, mesmo que na selva.
E todos nós vivemos assim, de certo modo, criando proteções, de ameaças que estão por toda parte, e que uma hora ou outra, iremos ter de enfrentar.
Só espero que você passe por elas, todas, mais uma vez, porque como você mesmo disse, é um ciclo, e todos nós temos que recomeçar.
Beijo, meu querido!

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Assisti este filme uma porção de vezes. E não raras, me vi ali. Mas não havia nada de humano em mim. Eu me via como um lobo, caminhando ereto nas selvas escuras. E apesar de todos os esforços, eu nada descobria. E no entanto, a luz da lua me seguiu. E partimos logo. Embora a escuridão tornasse mais difícil caminhar, eu já havia atingido o limite das trevas.