terça-feira, 31 de agosto de 2010

Só quando me lembro





O mundo chacoalha feito um chocalho, desaba, e vai lá pro alto. O mundo se mexe.

Eu olho pros lados, está tudo escuro. Por alguns buracos posso ver as luzes, se forma uma sombra minha a cada furo.

E é nestes buracos que me dão comida. É por estes ventres que posso ouvir vozes, querendo que eu fique, ali preso, pra sempre.

Por detrás de mim estão elas, as formas, que vêm me buscar e dizer-me o que querem. Eu olhos pros lados, está tudo escuro. Tenho vários corpos, e em todos me ferem.

Estou numa caixa, o mundo me acha, me joga pros lados. Estou numa lasca, o mundo me joga, me acha algum lado, encaixa e me fere, me deixa de lado.

Mas fico irritado, se logo me acham. Pois todos ja sabem onde é que me encontram! Se passo apressado, até me fotografam, se passo e disfaço, eles gritam meu nome...

Meu Deus!

Se saio da caixa por alguns instantes, estou em perigo, mas sabe? Se dane! Eu vejo este mundo, das ruas de fora, e eu quero distância, das luzes dos furos, que vêm lá da caixa onde cada minuto, se torna uma hora.

Me tirem daqui!

Um comentário:

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Vejo que não é só em meus céus que as noites caem como um grito num acesso de pânico.

Mas eu já inventei uma agulha de luz para espetar a escuridão.


Te entrego.



Espero que de a ela alguma serventia.