quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Cerca

(Créditos da Imagem: Marlio Forte )


São mil canções de amor, me levando a lugar algum. Emoção jogada pro alto, levada pelo vento, semeando terras dessas, por aí.

Engulo em seco aquilo que não tenho a quem dizer, trago para o estômago a dor de amar e apenas deixo-a de reserva. Vai que, um dia...

Se amar é um precipício, o não-amar é uma cerca de arame farpado. Ali intacta, não ouse pular ou pode se arranhar, se machucar, e ainda nem conseguir passar para o outro lado.

E nem tente acompanhá-la pelo terreno. O caminho é longo e cansativo, além de ter muitos obstáculos. Chegará, então, na água-corrente da paixão. E após banhar-se de prazer, voltará encharcado morro acima. Tudo de novo.

Digo porque conheço o caminho. E de tanto me cansar, estou aqui sentado num pequeno barranco frente à cerca. Olhando para o outro lado, um campo que termina no horizonte, e umas montanhas por detrás de uma névoa clarinha. O que haverá após os nós pontiagudos dos arames?

Vou por aqui ficar até encontrar um jeito de atravessar. Sei que posso sair machucado, mas pago o preço. Pode ser que eu tenha de voltar também, temporariamente ou - quem sabe, por que não? - para sempre.

Venta a brisa, e quando não há sombra, raios de sol queimam meu rosto até arder. Arde a pele e o coração, que se encolhe todo.

Fecho os olhos e só sinto, sem pressa. Tenho tempo.

2 comentários:

Raiana Reis disse...

Já observou o ímpeto de uma criança quando deseja algo que está além? Ela se arrisca e por isso se machuca tantas vezes. Um despreparo, a ingenuidade de quem não conhece o perigo, mas a faz mais corajosa também.

Aos jovens pertence o domínio de aprender as tarefas mais arriscadas, algo que perdemos com o tempo.Mas há os que crescem, e já com as cicatrizes na pele - ainda que profundas e por vezes tão recentes – levam uma teimosia constante em se entregar ao risco.

Não se contentam antes da tentativa.
Imaturidade, coragem, ou a fé de que um dia será possível?

Não sei, disto só sei sentir...
E claro, arriscar-se nem sempre é pressa, escolhe-se o momento, mas já existe a decisão.

Um beijo!

'Euridene Costa disse...

"Se amar é um precipício, o não-amar é uma cerca de arame farpado."
Adorei a definição.

Acredito que a cerca de arame farpado doe bem mais. Sei que nela há mais cautela e que cautelosamente é possível que seja menos doloroso ultrapassar e que depois disso estarei segura.
Mas no precipício sinto o vento bater mais forte e o coração pulsar mais rápido. Me jogo... caiu lá no fundo.Às vezes me quebro inteira.Espero um pouco para sarar, demora, mas sara.
Sei que posso subir de novo, chegar ao topo.Embora saiba também que quando chegar lá em cima sentirei a mesma vontade de pular.Isso pq preciso de emoção p/ viver e pq tenho certeza de que só pulo sozinha uma vez. Nas outras arrastarei um pouco de experiência a cada queda. (Até doer quase nada)

P.S: obrigada pelas visitas.