quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Informal



No meio da conversa, a moça virou e me disse: Eu quero me apaixonar.

E então, todo o desfecho daquela noite foi completamente modificado. Aquele grito vindo do fundo do peito, como quem diz "dê valor a meus valores", me fez traçar todo um futuro com aquela mulher incrível: uma casa boa na região nova de qualquer cidade, nossa, é claro. Quadros, dois ou três, dos pequenos. Sofá confortável, cozinha pequena - não iria haver muitos malabarismos, mesmo.

Duas ou, quem sabe, três crianças ali correndo, pra lá e pra cá, me fazendo sentir o pai mais orgulhoso do mundo. Crianças lindas, e completamente agitadas: verdadeiros furacões atravessando os cômodos.

Então pude ver, apesar da baixa luminosidade da mesa do restaurante, estes mesmos olhos e sorriso que me encantavam, me encantando após anos, e anos. Agora mulher, encostada de lado no vão da porta, com cara de brava para as crianças, e depois me olhando sorrindo e dando aquela piscadela, com todo o charme. É, o charme é pra sempre, logo concluí.

Toda essa projeção em fração de segundos, e logo já estava de volta para o presente.

 - Entendeu o que eu disse?
 - Ahn? - Respondi, totalmente perdido.
 - Bobo, nem prestou a atenção... - ela disse, e sorriu, completando o gesto com um leve beliscão em meu braço. "Você é lindo, sabia?", completou, e me pôs novamente no ar.


Voar é bom.


Eu também quero.

2 comentários:

Paulo Vitor disse...

=] eu gostei...

Renato Menezes disse...

"Ficção (ou não)" é o que melhor define o que vejo, sinto ou penso, lendo esse breve relato (ou não).