domingo, 12 de setembro de 2010

Timeline



Minha vida, muitas vezes, se resume a poucos momentos. São fragmentos de vida, ordenados da forma que eu escolho, para aquele dia.

No outro dia, uso dos mesmos fragmentos, de maneira diferente. Ou até da mesma forma, quem sabe?

Esta rotina de alternar posições para os atos acaba, nestas mesmas muitas vezes, determinando o que será de mim, ou – quem sabe, indo até mais longe – o que efetivamente eu sou.

Sair por aí respirar o ar puro da cidade fria não me enjoa, e não enxergo que isto um dia acontecerá. A falta de companhia já me deixou tão à vontade em ver o banco do passageiro vazio, que até me deu mais intimidade – talvez, quem sabe – comigo mesmo. Conversar consigo mesmo é se conhecer melhor. Em voz alta, ou não.

E então, entre as luzes da avenida, a parada pra um café. Curto, forte e quente, bem quente, “do jeito que você gosta”, ela me diz – a moça. Nessas paradas rotineiras, independente de horário, é que passo a conhecê-las, estas – as mocinhas de uniforme – grandes responsáveis pelas minhas noites acordado. E aposto, como elas nem mesmo sabem disso! Sabem, apenas, o jeito que eu gosto dele. O café.

Voltando pro meu caminho, talvez possa cruzar com alguns conhecidos, e acenar. “Olha lá o Machado”, pensarão. Ou apenas irão acenar e continuar o assunto, o pensamento, o caminho. Enquanto eu continuo o meu, rua acima, rua abaixo.

Então posso fazer dos meus dias, só meus. E em cada intervalo, tem uma oração, pra Aquele que está comigo sempre. Se eu passo por perto de uma igreja, que ainda não conheço, eu posso parar e entrar! “Entre que a casa é tua”, venho a ouvir. E, é claro, aceito o convite. Sair dali renovado por si só, já é o grande feito.

Se eu estou inspirado, não há noite que não me convite para uma dose mais forte. O pub tem luz baixa, detalhes em azul, e uma decoração rústica. Propícia.

Encosto no balcão, sento naquele banquinho nada confortável, e sei que é o que existe ali para mim, só para mim.
- Fala, Machado, duas pedras?
- E meia! (rimos) Esta metade é que faz a diferença, bixo.
Saber do gelo do meu uísque pode ser para poucos. Apenas preciso que estes estejam ali.

No mais, sei mesmo que não irei dormir. Somente acordar. Amanhã.

3 comentários:

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Que profundo Lenhador Machado

Deu um grande corte na tábua deste cárcere literário.

Me conforta saber que deste espetáculo você foi a atração principal. E esse não é um cumprimento vago.


A propósito, e o gelo?
Qual é a boa sensação?

Tem um gosto bom, eu acho. Exótico.



Te abraço com respeito.

Juliana Dias disse...

Olá, tudo bem? Vi que vc está participando do meu Blog Historinhas Cotidianas. Venho te convidar a conhecer meu outro blog, www.vivaedeixeviverjulianadias.blogspot.com

Grande beijo!

Renato Menezes disse...

Agora sim.
Não falta mais nada.
Me sinto como se estivesse contigo, naquela mesma praça, com aquelas mesmas mesas e cadeiras amarelas...(e com as duas tv's sem sincronia)...falando sobre tudo isso, de forma tão intensa.