segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cenas de amor



Estou desarmado para escrever uma estória de amor. Isso não é, vá lá, uma coisa boa.

Sinto falta delas. Paixões avassaladoras, sexo nas esquinas, nos quartos de hotel. Rosas caindo em mãos erradas, violência e tiros distribuídos feito doces.

Ou a família que se perdeu no caminho, entre os outros caminhos. Sujeira fazendo seu trabalho e poluindo lares, enquanto a filha que sempre se encontrou tanto nos olhos do pai, resolve defendê-lo e se aproximar ainda mais, unindo-os.

No meio de uma confusão, no centro da cidade, o menino carrega um outro pelo braço sem nem mesmo conhecê-lo, para que algo pior não venha a acontecer. Surge uma amizade incrível, capaz de fazer sorrir aquele jovem que não via há tempos tanto gosto na vida cinza da capital.

Cenas de amor. Sinto falta delas.

2 comentários:

Renato Menezes disse...

cenas que se tornam raras aos nossos olhos, cada vez menos sensíveis, em fases e fases, indo e retornando, sem percebermos.

Roberta Mendes disse...

O amor é mesmo o cisco no olhar do alheamento. Arranha a retina. Não se lhe enxerga: tatua-se-lhe dentro do olho.