segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Away, away



Era de manhã, no comecinho do final de semana. A família saiu em peso de casa, sentido interior: precisavam de férias, e sabiam disso. Resolveram arriscar uma viagem destas de feriado, mesmo que buscando aquele relaxar momentâneo, afinal, a vida é ou não feita de uma sequência de momentos, todos coladinhos assim, um atrás do outro?

Então pegaram a estrada. O dia se lançava com um sol gostoso, e o vento que entrava pelo vidro quase chegava a incomodar as crianças no banco de trás, porém nada tão frio assim. Se sentiam bem, todos eles, por fugirem um pouco daquela loucura que é o dia-a-dia.

Em uma destas cidades do interior que entraram, visualizaram um hotel. Era um bairro estilo americano: calçadas bem definidas com seus jardins, e o hotel quase que no meio do quarteirão, com uma espécie de passarela até chegar no mesmo. Um prédio amarelo com detalhes em marrom, parecia ser novo, e bonito.

O filho resolveu entrar enquanto a família esperava no carro. Entrou no hotel e a sala da recepção era diferente: tinha um teto baixo, que até o fez se sentir incomodado. Chegou até o balcão da recepção e foi abordado por um destes atendentes bem uniformizados:

 - Você não pode ficar, com licença
 - Como assim? - indagou o rapaz - Você não pode me dar uma informação?
 - Por ali, senhor.

E indicou um outro balcão, onde estava um outro rapaz de uniforme. Ao chegar mais perto do balcão, visualizou um tipo meio estranho ao lado direito. Um homem com um chapéu marrom e pequeno, vestindo bege e uma calça jeans, tinha um olhar diferente, desconfiado. Ao olhar para a outra porta à extrema esquerda, entraram mais dois homens feios e vestidos mais ou menos da mesma forma.

Após um rápido instante, o homem à direita do balcão sacou da cintura uma arma, e sem pestanejar levantou a mão direita, armada, e atirou! Uma, duas vezes. E o primeiro pensamento que veio em sua cabeça foi sua família, que estava lá no carro, sem nem imaginar o que poderia estar ocorrendo.

Saiu correndo pela porta dos fundos e teve de dar a volta no prédio, o que levaria tempo, logo presumiu. Pensou em sacar o celular e ligar para alguém do carro, mas quando avistou a cena era tarde demais: dois homens saíram pela porta da frente e atiraram continuamente em direção ao carro.

Quando viram que o rapaz se aproximava correndo, viraram em sua direção e atiraram também nele, que pulou no chão atrás de uma lixeira. O coração começou a bater mais forte, e mais forte ainda.

Profundamente, respirou.

Acordei.

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