terça-feira, 16 de novembro de 2010

Bilhetes


Minha vida, e rotina
Estão sancionadas
aos velhos bilhetes
Bilhetes que mando,
bilhetes que escrevo
Mas, bem mais que eles,
Os, tais, que recebo

Nem bem amanhece, e na padaria
Sou o vinte e sete, e espero na fila
Entrego pra moça, e faço meu pedido
Me entrego à sequência,
Ja sou atendido.

E é claro, eu preciso resolver problemas
Daqueles que a gente bem sabe que tem
Se eu ligo me informam, com vozes amenas
O seu protocolo é o dois mil e cem.

Já fui vinte e sete, e pulei pro dois mil
Crescer fácil, fácil, é o que a gente tenta
Mas são só algarismos, que ordenam a vida
Que será de mim? Três, nove? Quarenta?

Eu ouço os jornais, nas ruas, nos bares
Milhões de pessoas cruzam a cidade
E eu lá no meio, sobre o mesmo chão
Sou só uma vez
Que o tal, contador
Apertou um botão

E temo que um dia, os tais bilhetinhos
Que tanto enviei, bic em guardanapos
Sejam resumidos a míseros números
Pra contar pessoas
Marcar caipirinhas
E só resumir os amores aos trapos

Quem é o próximo?

Um comentário:

Denise Portes disse...

Adorei conhecer seu blog e já te sigo. Vai conhecer o meu: www.odeliriodabruxa.blogspot.com
Beijo
Denise